Policia do RJ matou Marielle com rajada de tiros

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O assassinato de Marielle Franco segue com várias incógnitas para a imprensa burguesa, que continua a querer tapar o sol com uma peneira no que diz respeito às evidências de que o ataque à Marielle foi arquitetado por setores militares e de direita. Na última semana uma testemunha do assassinato que está ameaçada pela milícia da Zona Oeste e tem sua identidade preservada relatou reuniões que planejaram o possível assassinato de Marielle. Estas reuniões ocorreram entre Orlando Oliveira Araújo, ex-PM que está recluso na penitenciária de Bangu 9, e o vereador Marcello Siciliano (PHS) que abordavam os problemas gerados pelas denúncias da vereadora do PSOL ao avanço de grupos paramilitares nas comunidades locais.

A falta de denúncias na imprensa capitalista expõe o quanto ela está envolvida no golpe de Estado e seus desdobramentos, inúmeros detalhes importantes foram apenas notas de rodapé na imensa maioria dos jornais do monopólio de imprensa burguesa, como os fatos de que apenas uma semana após o assassinato de Marielle Franco (PSOL) e do seu motorista Anderson Gomes, no dia 14 de março, o Comando da intervenção militar no Rio de Janeiro recebeu doação de armas e munição feitas das empresas Forjas Taurus e CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) que é a fabricante das cápsulas calibre 9mm encontradas na cena do crime contra a parlamentar, munição calibre 9 mm, que inclusive não pode ser vendida à população. A munição só pode ser adquirida legalmente por colecionadores, atiradores esportivos e forças de segurança. A doação de 100 fuzis e possivelmente 100 mil balas calibre 5.56, com valor aproximado de R$ 1,5 milhão, feita a 45 dias evidencia o interesse no aumento da repressão no país.

Outro fato de rodapé foi de que a arma no qual as balas de 9mm foram disparadas, era uma submetralhadora, que segundo especialistas, a usada foi uma HK MP5, arma desenvolvida na Alemanha na década de 1960. Nesta arma as balas tem decuplicado o poder de destruição e que as mesmas são de porte exclusivo de militares.

De acordo com a única sobrevivente, foi mesmo apenas uma rajada que matou Marielle e seu motorista, Anderson, “Eu não percebi. Estávamos olhando o celular. Um minuto antes, eu vi a Marielle comentar uma coisa que eu não consigo me lembrar, mas foi algo do tipo: ‘eita’…. Mas um comentário muito tranquilo. Não sei se foi um ‘eita’ ou um ‘vixi'”. (…) Eu me lembro do momento dessa interjeição … exatamente nesse momento eu ouvi uma rajada que vinha daqui do meu lado direito… lateral e por trás.”, “[Depois da rajada],  imediatamente eu me abaixei na mesma hora. Achei que ela estava abaixando junto comigo. Foi um barulho forte, mas rápido. Tá, tá, tá, tá. [Vi] o vidro quebrando e eu não tinha nem certeza qual era o vidro. Na hora, eu pensei: tô passando por um fogo cruzado. Tô abaixada, eu gritava. E eu perguntava: ‘que isso, gente? O que esta acontecendo?’ Nesse momento, o Anderson fez assim: ‘ai’ Eu não vi o que que era. Eu não vi se veio de um carro, de uma moto, de nada… eu não sei de onde veio isso.”

Além do “silêncio” da imprensa capitalista outro fato que corrobora a falta de exigências para elucidação dos fatos deste assassinato do golpe de Estado no país, vem da própria esquerda que abandona completamente a luta contra o golpe, lança seus candidatos, no momento em que outra vítima do golpe, Lula, se encontra preso e praticamente incomunicável, sem nenhuma prova contra ele.