Violência da polícia chilena
Mais dois mortos nas mãos dos Carabineiros chilenos
Roundel_of_Carabineros_de_Chile.svg
Símbolo dos Carabineiros do Chile | Wikimedia Commons
Roundel_of_Carabineros_de_Chile.svg
Símbolo dos Carabineiros do Chile | Wikimedia Commons

Na sexta-feira passada (05/02) a polícia (Corpo de Carabineiros) chilena assassinou com diversos tiros um jovem que ganhava a vida como malabarista nas ruas da cidade de Panguipulli no sul do Chile. Francisco Romero, 27 anos, era simpatizante de causa mapuche e protagonizou um incidente em um posto policial de controle de identificação. A polícia alegou que seu agente atuou em legítima defesa frente a um suposto ataque do jovem assassinado.

O crime desencadeou uma onda de protestos por parte de políticos que foram desde o pedido de explicações quanto aos protocolos seguidos pelos policiais na região passando pelo pedido de uma investigação rigorosa com a punição dos responsáveis até a demanda de dissolução do Corpo de Carabineiros. Por outro lado, também manifestações populares tomaram as ruas de Panguipulli as quais foram reprimidas pela polícia que deteve cerca de 40 pessoas. Vários edifícios públicos foram queimados e ônibus foram incendiados.

Em outro desenvolvimento, no domingo um jovem que fora detido por não portar um salvo-conduto foi encontrado morto em uma cela do Comissariado dos Carabineiros. De acordo com a versão dos Carabineiros, Camilo Mikayi, 27 anos, teria se suicidado. Segundo relatado em rede social esta unidade policial possui um histórico de abusos e violência sexual contra detidos.

Desde o mês de outubro de 2019 o Chile tem sido palco de manifestações de insatisfação popular que teimam em não cessar. O governo do bilionário presidente Sebastián Piñera não tem ouvido os clamores de uma população que já não mais suporta quase cinquenta anos contínuos de políticas neoliberais que afundaram o Chile num pântano de miséria.

A primeira resposta de Piñera às manifestações que tiveram como estopim o aumento do preço das passagens do metrô de Santiago foi dizer que ele estava em guerra. Por outro lado, ele insiste nas políticas de austeridade fiscal e privatizações e permanece surdo aos clamores por reformas, como por exemplo a reivindicação de um novo modelo de previdência social, público no qual o dinheiro dos contribuintes não vá parar nos bolsos dos banqueiros de Wall Street.

Os Carabineiros são uma força policial com jurisdição em todo o país. Embora separada das forças armadas é altamente militarizada e protege os interesses da classe dominante. É notória por sua participação violenta no golpe de 1973 e pela violência que tem caracterizado sua ação desde então. A partir das manifestações de outubro de 2019 suas intervenções nas mais uma vez ganharam destaque na imprensa.

Desde o golpe de 1973 tem sido fortemente equipada com armamento israelense testado contra a população palestina. Este é o instrumento do qual o governo Piñera lança mão para responder aos justos clamores da sociedade chilena. Na essência são iguais à Polícia Militar (PM) brasileira: Uma força armada até os dentes para proteger as classes dominantes e seu sistema econômico falido seja por meio da intimidação diária da população seja nas ações repressivas quando a população sai às ruas para demonstrar seu descontentamento. É uma instituição que não comporta reformas, assim é mais do que justo e democrático que a luta pela sua abolição, pura e simples.

Relacionadas
Send this to a friend