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“Pobreza Menstrual”: uma cortina de fumaça

A "pobreza menstrual" usada para fins eleitoreiros e que acobertam as verdadeiras questões das mulheres, que são questões de vida e morte

Caixas de coleta de absorventes higienicos nas entradas nos Anexos I e II do Legislativo de Curitiba – Carlos Costa/CMC)

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Nas redes sociais, principalmente, tem aparecido discussões sobre a chamada “pobreza menstrual”. Logicamente que dar a possibilidade para que todas as mulheres, em particular as mulheres pobres, possam ter total condições de higiene é uma obrigação de qualquer governo. No Brasil, uma em cada quatro mulheres não tem acesso a absorventes higiênicos durante o período menstrual. O preço médio do absorvente é de R$ 0,60 a unidade, mas é possível encontrar absorvente higiênico por R$ 0,33 a unidade. Em 2019, a deputada Marília Arraes do PT apresentou o PL 4968/19 que foi aprovado pela Câmara dos Deputados e agora em setembro pelo Senado Federal. Mas por qual motivo essa discussão ganhou tanto destaque na imprensa e nas redes sociais, enquanto discussões ainda mais importantes para as mulheres, questões de vida ou morte, como a legalização do aborto, a violência doméstica, o desemprego e a fome, não têm o mesmo destaque? A resposta, como sempre, deve ser encontrada na política. Sempre que a burguesia impulsiona determinada discussão em detrimento de outras o objetivo é encobrir um problema real com soluções, senão falsas, parciais. As mulheres são cerca de metade da população. Nunca foram distribuídos absorventes higiênicos nas escolas, nos postos de saúde etc por nenhum governo, por mais absurdo que seja, e de fato é. Essa discussão nem precisaria ser feita, absorventes higiênicos são uma questão de saúde pública e deveriam ser tratados assim: seria obrigação dos governos distribuírem absorventes de qualidade para todas as mulheres e ponto final.

A discussão sobre a “pobreza menstrual” aparece agora com tanto destaque, pois está sendo usado como cortina de fumaça para encobrir problemas muito mais sérios, inclusive para as mulheres. Além de servir para encobrir problemas reais, setores da burguesia que buscam fazer campanha eleitoral contra Bolsonaro aproveitaram o veto do projeto para intensificar uma campanha eleitoral demagógica. Em resumo, funciona assim: a burguesia da terceira via, cúmplice de Bolsonaro na miséria e desemprego em que se encontram as famílias brasileiras, aproveitaram um projeto secundário para afazer demagógia eleitoral. Melhor ainda, a esquerda identitária – como já está tradicional – aderiu totalmente à campanha demagógica.

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Chama a atenção que até a empresa de absorventes Sempre Livre, do monopólio imperialista Johnson & Johnson, está fazendo pesquisas para saber qual o número de mulheres sem acesso a absorventes higiênicos, pelo visto a crise chegou para eles também, nada mal vender absorventes para o governo e recuperar as perdas nas vendas, já que as mais afetadas pela crise e pelo desemprego são as mulheres.

No ano passado a pobreza menstrual começou a ser discutida na mesma época que a menina de 10 anos, que sofreu estupros recorrentes de um tio durante quatro anos, conseguiu autorização para fazer aborto legal, pois seu caso contemplava duas das três possibilidades para aborto legal, risco de vida da mãe e estupro. A direita fez uma movimentação tão grande que a família precisou ir para outro estado para garantir o direito ao aborto legal.

A deputada neoliberal Tábata do Amaral (PSB) já se colocou contra a legalização do aborto no Programa Roda Viva em 19/10/2019, apesar de se dizer “feminista”, alegando “dilema ético”. Qual o dilema ético quando mulheres pobres morrem no Brasil ao tentar um aborto sem o acompanhamento médico necessário, enquanto mulheres com condições financeiras fazem aborto seguro em clínicas particulares? Fica claro que os defensores da distribuição de absorventes, que procuram se vender como grandes feministas defensores da mulher, não dão a mínima para as mulheres no que diz respeito a um problema muito mais importante que é o direito ao aborto.

Outra questão importante é o número de mulheres que morrem vítimas de violência doméstica, o atlas da violência de 2021 aponta que houve um aumento no número de mulheres assassinadas dentro de casa, foram 10,6%, enquanto os assassinatos de mulheres fora de casa tiveram uma redução de 20,6%. Consta ainda no relatório, que 66% das mulheres assassinadas no Brasil são negras. O Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo do PCO vem apontando que é necessária a formação de comitês de auto defesa das mulheres.

Outra questão é a fome. Enquanto as senhoras deputadas de esquerda fazem demagogia com a “pobreza menstrual”, mulheres e seus filhos passam fome, ou seja, antes da “pobreza menstrual” está a probreza geral das famílias. As mulheres sempre foram as mais prejudicadas e isso não mudou, na pandemia essa situação piorou. A taxa de desemprego entre mulheres atinge recorde de 17,9%, sendo que a taxa de desemprego entre as mulheres negras, é oito vezes maior que a de homens brancos. Essa situação fez com que na semana passada uma mulher fosse presa por roubar miojo para dar de comer aos seus filhos, e essa decisão de prender e manter presa foram de iniciativa de duas outras mulheres, uma promotora e uma juíza, mesmo que o STJ já determinou que esse tipo de prisão é ilegal sob a ótica da Constituição de 1988. Isso prova que não existe a tal “sororidade”, tão falada pelas identitárias, com mulheres pobres. Novamente a esquerda pequeno-burguesa, pretensamente feminista, cai no conto do vigário da burguesia. Enquanto a situação da maioria das mulheres só piora, as “feministas” burguesas e de classe média se juntam aos setores da direita para fazer demagogia eleitoral. Afinal de contas, lutar pelo direito de aborto é muito mais complicado já que a burguesia é unificadamente contra. Lutar por creches é muito complicado porque é muito mais caro para a burguesia garantir creches para todas as mulheres do que distribuir absorventes. Lutar por uma política de emprego e de auxílio também é muito mais complicado porque a burguesia é unificadamente contra. A esquerda acredita que fazer publicações emocionadas sobre a “pobreza menstrual” nas redes sociais é o máximo de luta que se pode fazer em defesa das mulheres. Só é possível uma luta real em defesa das mulheres rompendo com a política imperialista e com a demagogia eleitoral.

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