Duas táticas diante do colapso
Publicamos artigo enviado por um colaborador do Diário Causa Operária sobre as questões políticas e de classe da esquerda brasileira na luta contra Bolsonaro e pelo poder do Estado
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Foto: Mídia Ninja |

Seria inútil debruçarmo-nos sobre essa questão sem tocarmos no cerne elementar da política envolvida. Quatro anos se passaram e o problema fundamental se esbarra no princípio inquestionável para todo oportunista de plantão. A capitulação diante dos partidos burgueses tornou-se o método da esquerda; e é exatamente disso que precisamos tratar – do método! Nessas condições, o trabalho ininterrupto de um partido de vanguarda coloca-se ainda mais necessário. Obviamente, para os incautos – e, até mesmo para os dirigentes social-democratas mais experientes – esse imbróglio se resolveria pelas vias “democráticas”, isto é, através das instituições. Convenhamos que o termo democracia é salutar para esquerda pequeno-burguesa. Decorre daí seu percurso alinhado ao avanço concreto dos partidos burgueses em nome da abstração democrática. Essa linha, por sua vez, coloca todos à reboque da burguesia. Convém-lhes, nesse caso, optar pela simples adaptação.

A fatura da crise econômica – ainda não resolvida – de 2008 veio com os juros da pandemia do coronavírus, juros compostos – digamos de passagem. Nesse contexto, de acordo com a cartilha paroquial da esquerda pequeno-burguesa, bastaria recorrer aos acordos parlamentares, pois, em tempos atuais, seria impossível renegar um programa mínimo para a crise. Em última instância, a objeção à política de terra arrasada – também defendida pela fração negociada – atrairia esse setor da burguesia – conhecida como “centrão”, à um acordo de paz capaz de barrar o avanço da extrema-direita. Embora pareça o meio mais fácil, é resolutamente ineficaz. Devemos dizer não! É preciso uma boa dose de alucinação para recorrer ao experimento de Joseph-Ignace Guillotin. Afinal, foram as abjetas figuras do centrão que participaram do golpe de 2016 que alijou o Partido dos Trabalhadores do governo. Poderia esse bloco formado pelo MDB, DEM, PSDB, PDT etc., representar os interesses do proletariado? Estariam os dirigentes do PT, PSOL e PCdoB conscientes dessa traição? É disso que se trata! No momento em que as condições políticas exigem uma direção consciente e capaz de organizar um levante popular, ficam cada vez mais evidentes os recuos e as hesitações da nossa esquerda menchevique. É fundamental esclarecermos que a questão do poder ainda não está bem resolvida nas mentes da pequena-burguesia esquerdista, e que a luta inevitável é contra o imperialismo; esse que se encontra em vésperas da sua derrocada.

Mais do que nunca, precisamos falar de um governo operário – um governo no seio do qual os representantes da classe operária dominam e dirigem. As condições objetivas estão cada vez mais maduras, e o partido revolucionário precisará fazer grande esforço para canalizar o ânimo das massas em posições revolucionárias aptas à tomada do poder. A demonstração mais acabada da falência do capitalismo pode ser vista no recrudescimento da extrema-direita em todos os cantos, e esse é um sintoma claro de uma crise de caráter terminal. No Brasil, por serem agudas as contradições sociais e por ser o principal país capitalista da América do Sul, a burguesia tem buscado controlar a situação para que não exploda uma rebelião popular. O governo golpista de Jair Bolsonaro, por sua vez, encontra-se em profunda crise. A própria cúpula militar coloca-se dividida entre um eventual impeachment ou apoio ao governo. Em meio a essa crise, qual proposta apresentar? Deixaremos a direita se reorganizar com o apoio da esquerda pequeno-burguesa (através da Frente Ampla) para voltar ao poder ou ficaremos passivos diante de uma possível ditadura escancarada? A experiência prática já nos forneceu profusas mostras do quão liquidacionista é essa política. Convém, aqui, citar o exemplo da Frente Popular durante a Guerra Civil Espanhola (1936 – 1939), quando da união dos comunistas, socialistas e anarquistas com grupos políticos ligados à burguesia, foi conflagrada a derrota do movimento revolucionário e a vitória do fascismo. À época, a crise da direção mostrava-se, mais uma vez, como a relação íntima de causa e efeito da crise da humanidade. Essa inegável regra, com efeito, é o que não se pode olvidar. Para os céticos, não obstante, basta um ecletismo escolástico para que se resolvam os problemas cruciais de dada conjuntura; isto é, uma mistura de revisionismo com uma adaptação à política burguesa. É necessário estabelecer a tática à luz dos acontecimentos. Para um partido revolucionário essas alternativas precisam ser resolutamente rechaçadas! Essa crise é, naturalmente, a crise do poder; e nessas condições, tornar-se-á cada vez mais iminente a necessidade da dualidade de poderes. Mas do que estamos falando? Trata-se da criação de conselhos populares – os embriões de uma nova organização social. Longe de abstrações, essa é a base material de uma organização de caráter democrático, que agrupe as amplas massas exploradas. É precisamente através deles que a classe operária dirigindo o campesinato poderá romper com a ordem estabelecida e derrubar de uma vez por todas a burguesia e seus asseclas do Estado. É preciso começar uma intensa campanha de agitação e propaganda por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo, e isso passa pela derrubada do governo Bolsonaro pela mobilização popular!

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