Uma política artificial
Tanto no epicentro do imperialismo mundial quanto nos países atrasados de todo o globo, a população não tem condições materiais reais de fazer o isolamento social
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Drone pictures show bodies being buried on New York's Hart Island where the department of corrections is dealing with more burials overall, amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak in New York City, U.S., April 9, 2020. REUTERS/Lucas Jackson
Nos EUA, corpos se amontoam e o Estado capitalista investe no mais barato: valas coletivas. |

Desde o início da crise do Coronavírus, está em pauta a política do isolamento social. A medida complementar para a crise, logo virou o foco de medida preventiva por seus custos econômicos e políticos, na medida em que todos os governos se viram em desespero total, confrontados pela pandemia.  

Essa medida foi tomada em praticamente todos os países, sejam nos desenvolvidos ou nos atrasados, arrastando a classe média numa verdadeira prisão domiciliar coletiva e a população para a fome a miséria, nos conhecidos guetos e favelas. Enquanto isso, a burguesia ficava segura, com seus testes preventivos, em suas confortáveis mansões.  

O caso mais escancarado de que o problema do isolamento é ineficaz está nos EUA. Além de uma política que deveria ser complementar a um sistema de saúde eficaz, que só um Estado operário pode garantir, transformou-se na aplicação da medida um verdadeiro apartheid de classe e também de raça. Só na cidade de Nova York, os casos de negros que morreram de Covid-19 chegavam a 68%, sendo que são 30% da população do Estado; e, dos cinco mil casos confirmados, somavam-se 52% dos casos.  

Claro que não há estatística dos mais pobres para com os mais ricos; mas levando-se em consideração que a população negra é esmagadoramente parte da classe operária, podemos inferir tranquilamente que o total de pobres mortos e contaminados é gigantesco. É preciso lembrar que nos EUA, o exemplo de país capitalista “bem sucedido”, não há saúde pública, nem testes para população. Isto é, é uma situação totalmente crítica e fora de controle.  

Uma matéria do jornal dos banqueiros ingleses, o famoso The Economist aponta uma séria preocupação nesse sentido. Claro, não com a saúde das pessoas, mas da convulsão em que está se transformando o centro do imperialismo mundial. O artigo fala nada mais que o óbvio: os pobres estão sendo esmagados pela crise e a quarentena sequer faz cócegas nas favelas e bairros operários. 

Um dos dados mais interessantes e reveladores do artigo é o de que quem ganha US$70.000 por ano pode executar mais de 60% de suas tarefas de trabalho em casa; para aqueles que ganham menos de US$40.000, esse número é inferior a 40%. Antes de entrar no mérito da comparação dos dados, que compara o salário de US$3.000 com US$5.000, dentro do parâmetro da classe média norte-americana, o dado mostra que, para quem ganha esse valor, não é possível fazer plenamente seus trabalhos em casa. A esmagadora maioria da classe média está sendo arrastada para o esmagamento econômico e a classe trabalhadora a uma verdadeira miséria. Outro dado importante, é de que a movimentação do proletariado diminuiu apenas 27%, isto é, quase nada, mostrando que a realidade da quarentena é uma fraude. Enquanto isso. os 10% mais ricos dos municípios estadunidenses reduziram em cerca de 37% a sua locomoção. Isso no epicentro do imperialismo. 

Um país que vale a pena destacar é a Índia. País totalmente esmagado economicamente no oeste da Ásia, sofre terríveis consequências da pandemia, enquanto o governo de extrema-direita aprofunda uma verdadeira ditadura. A quarentena do presidente Morsi é a lei, a prisão domiciliar independe do casebre que as famílias moram ou do tamanho da fome que elas passam, todos estão obrigados a ficar em casa. Do contrário, a repressão é extremamente dura, que vai do humilhante banho público, espancamento e ao cárcere por “quebrar a quarentena”. Os níveis de fome já espantam no país asiático, e a repressão é alarmante. O objetivo de levar a cabo o aprofundamento da ditadura de Morsi é postergar a inevitável convulsão social que o país irá passar. 

Isso mostra que o problema da quarentena levada isoladamente é uma política extremamente artificial para postergar a crise social, e que não está funcionando de maneira alguma para enfrentar o vírus. Não há nenhuma preocupação em unir esforços para conseguir métodos efetivos de combate ao Covid-19, o que vemos é um pretexto para iludir a classe média, de um lado, e esmagar o povo, de outro. Não há pesquisas centralizadas em nível mundial de um desenvolvimento rápido de uma vacina, de um tratamento. Os testes são escassos em todo o globo, e o sistema de saúde, um fiasco total. A única coisa que persiste de maneira global é o capitalismo como regime econômico, e está se mostrando um fracasso sem precedentes na História. Seu último suspiro vai levar as massas a constituir um novo regime econômico: o socialismo.  

 

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