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Pobres, negros e trabalhadores: os alvos dos militares

Apesar das tropas ainda estarem oficialmente agindo dentro do decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), em vigor desde julho passado, a intervenção federal decretada pelo presidente  golpista Michel Temer (PMDB) já é uma realidade para os moradores das comunidades carentes da cidade do Rio Janeiro. 3.200 homens e mulheres das Forças Armadas e da Polícia Civil estão reprimindo várias comunidades.

É aquilo que alguns chamam de “enfraquecimento do controle civil sobre as forças armadas” ou que entidades batizaram como a outorga, aos militares, de “licença para matar”. Naturalmente, o alvo central serão os pobres e negros das grandes comunidades de periferia e morros.

Como o Temer já falou que o general interventor  pode fazer “o que for preciso” no comando, não é preciso ter muita imaginação para saber o que pode acontecer e também, no lombo de quem [os mais pobres] o chicote vai estralar. Lembrando que nas comunidades pobres já reina a impunidade da polícia.

A crise de segurança, que resultou na morte de 6.731 pessoas no ano passado do Rio — uma taxa de 40 mortes por 100.000 habitantes — segue em pleno vapor.

Moradores relatam o cotidiano da intervenção que é maior que antes dos militares ocuparem as comunidades. “Eu tenho mais medo dos PMs do que dos traficantes. Eles julgam pela aparência, já os traficantes sabem quem é morador e quem não é. Outro dia eu tava passando pela noite e os policiais me perguntaram ‘tá indo pra onde?’. Eu disse que tava indo para casa, mas pegaram minha mochila e jogaram os bagulho no chão”, conta Wellington.

Vinícius, de 22 anos, está acostumado a passar pelo mesmo tipo de tratamento. “A PM já chega metendo o pé na porta mesmo, abuso de poder totalmente. Entrar na minha casa é normal, to acostumado já com isso. Hoje mesmo, antes da operação, chegaram dando tapa na cabeça, colocando saco plástico”, conta o rapaz, que trabalha vendendo esfirra em Santa Cruz.

Intervenção militar serve como um laboratório, para um golpe militar no país, o governo golpista testando a população, como diz o ditado popular “amaciando a carne”. O problema da violência não será resolvido pela polícia ou agora pelo militares, pois esta é fruto da desigualdade social, que assola não só Rio de Janeiro, mas todo país, algo que o golpe de Estado só intensificou, golpe este que foi dado pelos mesmos que decretaram e apoiaram a intervenção militar no Rio de Janeiro.