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Queima de arquivo
PM mata miliciano ligado a Bolsonaro e ao assassinato de Marielle
PM da Bahia mata um dos principais suspeitos da morte de Marielle Franco e a família Bolsonaro.
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Queima de arquivo
PM mata miliciano ligado a Bolsonaro e ao assassinato de Marielle
PM da Bahia mata um dos principais suspeitos da morte de Marielle Franco e a família Bolsonaro.
Imagem: reprodução
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Imagem: reprodução

Neste domingo (09/02), ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro e miliciano que comandava o chamado “Escritório do Crime”, Adriano da Nóbrega, foi assassinado pela Polícia Militar da Bahia. Adriano da Nóbrega estava escondido em um sítio na zona rural na cidade de Esplanada, estado da Bahia, chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu. Era chefe de uma das milícias mais antigas do Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Militar, Adriano reagiu a abordagem dos policiais e na troca de tiros foi alvejado, fato extremamente duvidoso porque é a mesma afirmação de todos os crimes cometidos pela PM e que na maioria das vezes serve apenas para esconder assassinatos e queima de arquivos.

Adriano da Nóbrega era intimamente ligado a família Bolsonaro e era uma peça chave para o esclarecimento dos mandantes do assassinato da vereadora do Psol, Marielle Franco. Eduardo Bolsonaro condecorou o miliciano com uma Medalha Tiradentes, a maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e, também, estava envolvido no escândalo de corrupção chamado de ‘rachadinha’ do gabinete do então deputado estadual e hoje senador Flavio Bolsonaro.

O ex-capitão do BOPE, sua mãe e esposa  estavam empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro quando era deputado estadual e teve suas contas utilizadas em favor de Fabrício de Queiroz, um amigo íntimo da família Bolsonaro e o testa-de-ferro do esquema dos laranjas que envolvia, também, a esposa de Jair Bolsonaro, Michele.

Adriano e Fabrício Queiroz trabalharam juntos no Batalhão de Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro e respondem juntos por homicídio quando faziam parte da PM e que, por causa dessa acusação, já havia sido defendido publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro, quando este era deputado em 2005, no caso de suspeita de assassinatos.

 

Queima de arquivo

 

O miliciano e ex-capitão do Bope já vinha suspeitando que seria assassinado, pois tinha muita informação com ele, inclusive sobre um plano para assassiná-lo e não prendê-lo.

“Polícia quer me matar, não prender”, disse Nóbrega ao advogado. As informações são relatadas pelo advogado Emilio Catta Preta em entrevista para o jornal golpista Estado de São Paulo. Segundo o advogado, Adriano ligou para ele na quarta-feira passada dizendo que tinha certeza de que iriam matá-lo para “queima de arquivo”. As informações da viúva do miliciano são as mesmas e diz que o telefonema para o advogado é verdadeiro.

 

Peça chave para desvendar o assassinato de Marielle Franco

 

Adrianao estava sendo investigado no caso do assassinato da vereadora do Psol, Marielle Franco, pois era o chefe do grupo de milicianos chamado “Escritório do Crime”, grupo miliciano na qual pertenciam os ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, presos como suspeitos do crime.

A polícia civil colocou Adriano como suspeito, mas as investigações não foram levadas adiante. Na época, disse “não se recordar ao certo” onde estava na noite do assassinato de Marielle Franco e de seu motorista.

Fica evidente que o “confronto” do PM, que resultou na morte do ex-capitão do Bope é no mínimo suspeito. A justificativa da PM baiana é a mesma que a maioria dos assassinatos realizados por policiais e todos sabem que não são verdadeiras. Adriano da Nóbrega tinha profundas relações com a família Bolsonaro e com as milícias no Rio de Janeiro. Era peça chave nas investigações sobre os esquemas de ligação da família Bolsonaro com as milícias do estado e sobre os mandantes do assassinato de Marielle Franco, portanto, um elemento que detinha muitas informações sobre as relações da família bolsonaro como o crime organizado no Estado do Rio de Janeiro.