Sem a participação do PCO
É preciso debater no interior das organizações operárias e populares, o conjunto da política da maioria das direções de manter o movimento atrelado à direita golpista

Por: Redação do Diário Causa Operária

Realizou-se no último dia 26 a Plenária Nacional de Organização das Lutas Populares, convocada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo,  contando com a participação de representantes da CUT e demais “centrais sindicais” e da maioria dos partidos que se reivindicam de oposição ao governo Bolsonaro, além de representantes de grupos de religiosos, juristas etc.

O informe oficial do encontro foi  apresentado como uma “histórica plenária”  e anunciado  que teria  “reunido” (on line) “mais de 400 militantes de todo Brasil”.

Frente Ampla com a direita

De certa forma, a reunião procurou referendar (mesmo em caráter deliberativo) a política que já vem sendo adotada pela maioria dos partidos e entidades participantes de buscar uma integração cada vez maior com setores da direita golpista que procuram se apresentar como “oposição” ao governo que ajudaram a eleger, em um momento de imenso caos econômico, social e político do País, consequência direta da crise capitalista e, principalmente, do regime imposto desde o golpe de Estado que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, em 2016.

A maior parte das intervenções e a “síntese política” expressam a ideia de que toda a situação atual teria como causa fundamental a existência do governo Bolsonaro, deixando de lado que todas as medidas impostas contra os trabalhadores, pelo atual governo – bem como pelo seu antecessor – foram com amplo consenso entre as forças reacionárias que se disfarçam de oposição e que, inclusive, adotam – ipsis litteris – a mesma política nos governos estaduais e municipais que comandam, contra a imensa maioria do povo.

Repetindo as Diretas?

Para tanto, a reunião não aprovou nada, absolutamente nada, que não se dirigisse a busca de um acordo com a burguesia golpista e suas máfias políticas, expressando a tendência declarada de setores direitistas da esquerda, defensores da frente ampla com a direita, como o PCdoB, Guilherme Boulos (PSOL), direita do PT etc. que há muito preconizam como “saída” para o País a reedição da fracassada campanha das Diretas, da década de 80. Nela, a burguesia submetida a uma enorme crise pela falência do regime militar, procurou conter a mobilização dos explorados – que se desenvolvia sob a liderança do PT e da recém criada CUT – e dirigir todas as expectativas para a ilusão de que o reacionário Congresso Nacional aprovaria uma saída democrática para a situação, com a realização de eleições diretas. O resultado foi o governo de José Sarney (ex-presidente do PDS, o partido da ditadura militar) e um período de duros ataques aos trabalhadores.

Assim não foi adotada nenhuma medida de mobilização efetiva, apenas a continuação das carreatas e “atos simbólicos” tão a gosto da direita, que usou de tais medidas para criar um arremedo de mobilização contra os governos da esquerda e hoje quer ver o povo fora das ruas (pelo menos para protestar) como “o diabo tem medo da cruz”, como diz o ditado popular. 

É claro que as direções da esquerda e a burocracia sindical usam como pretexto – nesse momento – a existência da pandemia, que supostamente impediria a realização de atos de rua e outras mobilizações tradicionais das organizações de luta dos trabalhadores. A mesma conversa fiada da direita que não vê problemas que o povo se aglomere no transporte coletivo, nos locais de trabalho, nos vestibulares, nas escolas etc., mas que condena a realizações de festas, atividades de lazer, assembleias, reuniões, atos, etc.

Sem autonomia

Repetindo o que se vê nas eleições no Congresso Nacional, se viu nas eleições e nos ataques aos trabalhadores, como diante das demissões, genocídio na pandemia, explosão da fome, fim do auxílio emergencial etc., a maioria da esquerda abandonar (quem já teve) qualquer perspectiva de ação independente da burguesia, deixar de lado os métodos de luta dos explorados e se colocar totalmente a reboque da ala “oposicionista” da burguesia, justamente a sua ala mais reacionária e perigosa que impôs (não foi Bolsonaro) todas as medidas mais importantes de ataque aos trabalhadores como o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, as famigeradas reformas trabalhistas e da Previdência, a inexistência de qualquer politica real de combate à pandemia etc.

Para impor essa política as organizações com maiores vínculos com o movimento real de massas e que desempenharam um papel real na luta contra o golpe, como a Frente Brasil Popular e a Central Única dos Trabalhadores, deixaram de realizar reuniões democráticas com debates amplos das propostas etc. e se dedicam agora a “reuniões de consensos” com setores que estiveram do lado do golpe e que não levam adiante nenhuma luta real contra os ataques dos patrões e dos governos, como é o caso das centrais pelegas, instituições religiosas etc.

Censura ao PCO e “consenso” na esquerda

Por conta dessa política, o Partido da Causa Operária (PCO), não foi informado do Encontro e mesmo tendo se inscrito não teve seus representantes admitidos na reunião, quando sabidamente não tem acordo com essa política capituladora (assim como muitos setores das bases das grandes organizações) e teve (e continua tendo) um papel destacado na luta contra o golpe, pela liberdade de Lula etc.

Os demais partidos da esquerda buscaram embelezar o Encontro

O PT – nesse momento comprometido com o apoio a um candidato da direita golpista na Câmara (junto com PSDB, DEM e MDB) e com um candidato bolsonarista no Senado (junto com Bolsonaro, DEM etc.) deixou de lado qualquer perspectiva de classe e ressaltou em seu site as palavras de sua presidenta,  deputada Gleisi Hoffmann (PR) para quem 

“É decisivo a organização e a mobilização das forças populares, dos partidos de oposição e das instituições e entidades da sociedade civil para livrar o país e o povo do caos sanitário, econômico e social imposto por Bolsonaro e seu governo”

Por sua vez, o PSOL, que busca se apresentar como a “esquerda radical”, também endossou a “unidade” com a direita e defendeu “bicicletadas, carreatas, ações de solidariedade nas periferias do país, atos ecumênicos comunitários”, bem como as inúteis “denúncias contra Bolsonaro em fóruns internacionais como a ONU, apoio à iniciativa da criação de uma CPI para investigar o ministro da Saúde Eduardo Pazuello”, evidenciando sua crença e compromisso de buscar uma “solução” por dentro das instituições do apodrecido regime político.

No seu “balanço” o Partido exaltou que, supostamente,  

Esta série de iniciativas culminará em um grande “Dia D” das mobilizações pelo impeachment de Jair Bolsonaro, com carreatas e bicicletadas massivas por todo o Brasil no próximo dia 21 de fevereiro“.

Não faltaram elogios do PSTU/Conlutas, 

Para”o dirigente e membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha, “a reunião foi uma importante iniciativa para construir unidade de ação de todos os setores que desejam derrotar Bolsonaro e sua política genocida”.

Superar a política de conciliação

É preciso debater no interior das organizações operárias e populares, não apenas os encaminhamentos da Plenária,  mas o conjunto da política da maioria das direções de manter o movimento de luta dos trabalhadores a reboque da direita golpista, neste momento empenhada em promover um desgaste e enquadramento do improvisado governo genocida de Bolsonaro, em favor de um um “saída” de interesse da burguesia golpista, um novo governo da direita (referendado e se possível apoiado pela esquerda) comandado por outro genocida, como o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), que seja capaz de levar adiante e aprofundar a ofensiva que o regime golpista desatou contra o povo brasileiro.

 

Send this to a friend