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Capa do golpe
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O plano MasterStroke (Golpe de Mestre) foi publicado pelo site Voltairenet.org no dia 21 de maio, segunda-feira. No dia 17 de maio, a jornalista e escritora argentina Stella Calloni, que já escreveu um livro chamado “Operação Condor, pacto criminal”, já havia escrito uma matéria sobre o conteúdo do documento. O link com o documento original está no fim da matéria.

O documento trata de forma detalhada o golpe necessário para o imperialismo norte-americano aplicar na Venezuela e, assim, dar um passo gigante no domínio do território, da política e da economia latino-americana.

O plano orquestrado pelo Almirante Kurt W. Tidd de derrubar o governo eleito democraticamente na Venezuela já estava pronto no começo do ano, caso a vitória de Nicolás Maduro se confirmasse. Confirmou-se.

Kurt T. Widd, encarregado do Comando Sul Norte-Americano. O Almirante tem um vasto currículo nas Forças Armadas e  se tornou herói da operação Enduring Freedom (Garantindo a Liberdade) que foi o nome dado por George W. Bush, ex-presidente norte-americano, à operação geral de “combate ao terrorismo” e à guerra iniciada em 2002 no Afeganistão. O almirante de quatro estrelas se tornou, em 2018, o oficial com mais tempo em atividade no país. O sangue imperialista e armamentista corre fundo no almirante: é irmão e filho de outros almirantes. Com certeza o imperialismo norte-americano não está perdendo tempo e coloca um dos seus oficiais com mais experiência e ranqueamento para tentar levar a cabo um golpe na Venezuela.

O plano marcado como “Top Secret” (confidencialidade máxima) começa colocando Maduro como ditador e a burguesia nacional golpista como inapta para “tomar as rédeas da situação”.

O regime corrupto de Maduro vai entrar em colapso, mas infelizmente, a oposição que está dividida, legítima defensora da democracia, não tem poder suficiente para acabar com o pesadelo venezuelano.”

 

Vemos aí a mais antiga tática da direita para retirar um governo e que se espalha pelos golpes em toda a América Latina: a acusação de ser corrupto. Nesse tópico, o Almirante golpista coloca justamente os países que sofreram golpe como os que atingiram a democracia.

 

 

“A democracia se espalha na América, continente no qual o populismo radical estava tentando tomar o poder. Argentina, Equador e Brasil são exemplos disso.”

E o imperialismo mostra sua cara:

“É tempo dos Estados Unidos provar, com ações concretas, que estamos implicados no processo, no qual derrubar a ditadura venezuelana irá com certeza significar um ponto de virada no continente.”

O governo norte-americano quer invadir a Venezuela. E, como apontado por esse jornal diversas vezes, um golpe totalmente executado na Venezuela, será uma vitória imensa para o imperialismo norte-americano.

“É tempo de acelerar a queda definitiva do Chavismo e a expulsão de seus representantes.”

O plano tem passos já conhecidos pelos brasileiros e por toda os latino-americanos… e mais. Agora o plano fica bem claro:

“Encorajar a insatisfação popular por aumentar a escassez e o preço de alimentos, medicamentos e outros bens essenciais para os habitantes, tornando mais angustiante e dolorosa a busca por esses bens.”

Os termos usados são exatamente esses: o Almirante pretende provocar a angústia e  sofrimento na busca do povo Venezuelano por comida.

“Fomentar discursos do ditador, de forma a usar qualquer erro nos discursos para gerar desconfiança e rejeição dentro do país, enquanto continuar minimizando seu papel no cenário internacional. Colocá-lo como fantoche de Cuba.”

O documento ainda coloca como exemplo a saída de Rafael Ramírez da Petróleo Venezuelano (PDVSA), que é estatal, e a de Nelson Merentes do Banco Central Venezuelano (BCV), ocorrida no início de 2017 por extremas pressões.

 

“Tornar o governo por Maduro insustentável, forçando a se tornar claudicante, a negociar ou a fugir assim como colaboradores próximos fizeram. Tomar as atitudes necessárias para facilitar sua fuga se assim decidir.”

Os grifos são nossos. O ataque vai minando os próximos ao governo Maduro, como Rafael Ramírez e Nelson Merentes, que participavam do governo chavista há mais de uma década, no caso de Ramírez.

Os ataques econômicos agora vão para o terreno da especulação e do capital monetário.

“A subcapitalização do país, a retirada do capital estrangeiro (embargo), aplicação de medidas inflacionárias para deteriorar a economia, e, simultaneamente, inflamar os mais pobres – que apoiam os governantes atuais – e os que  possuem alguma posição social a terem seu status ameaçado. Estabelecer que o uso do bitcoin Petro é fundamental para deteriorar a economia, já que é inconstitucional e uma ilegal manipulação da moeda nacional.”

O ataque ao Petróleo é fundamental. O Almirante destaca o embargo total e ao mesmo tempo o desencorajamento de investidores em potencial. Ele reconhece que:

“…a esfera do petróleo é essencial para qualquer recuperação da economia nacional.”

Como visto no Brasil, onde diversas empresas estimularam protestos de forma artificial, a cartilha do Almirante vai mais longe do que sabíamos oficialmente:

“Apelar para aliados no país e fora dele para gerarem protestos, desordem e insegurança. Pilhagem, roubo, furto e sequestros de veículos e de outros meios de transporte, com a intenção da fuga dos habitantes criando vítimas e colocando o governo como responsável.”

O estímulo à destruição e ataques e não só de protestos pacíficos, como sempre colocado pela imprensa golpista, e “criando vítimas” é algo que comporta a destruição de todo o país e a morte, por consequência ou direta dos venezuelanos.

“Relacionar o governo com o narcotráfico e corrupção generalizada.

Promover fadiga dentro dos membros do Partido Socialista Unido Venezuelano (PSUV).

Estruturar um plano par a deserção dos profissionais mais qualificados do país.”

No subtítulo “Usando os oficiais do exército como alternativa para uma solução definitiva”, tudo já está escancarado.

“Aumentar a pressão dentro das Forças Armadas para levar a cabo um Golpe de Estado antes do fim de 2018

Continuar a ofensiva através da fronteira com a Colômbia… multiplicando a movimentação de paramilitares, grupos armados e traficantes de drogas. Provocar incidentes armados com as forças de segurança venezuelanas.

Recrutar paramilitares colombianos nos campos de refugiados para desestabilizar a fronteira. Usar as áreas deixadas pelas FARC e pela ELN.”

Vemos aqui um dos usos fundamentais para o imperialismo ter desarmado as FARC.

“Aglutinar o apoio de autoridades aliadas (Brasil, Argentina, Colômbia, Panamá e Guiana).”

Todos os países que sofreram golpes ou já eram aliados históricos do imperialismo norte-americano.

“Usar tropas panamenhas, fazer uso dos equipamentos de vigilância e das pistas de decolagem em bases antigas e no centro humanitário regional das Nações Unidas, que possui uma pista de aterrissagem e hangares.”

Para alguém que ainda acredita que as Nações Unidas (ONU) serve à democracia.

“Colocar em ação aviões, helicópteros e transportes militares.

A operação deve ser colocada como internacional, sob comando da Conferência dos exércitos americanos, sob  proteção da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Obrigar o Brasil, Argentina, Colômbia e Panamá a enviar tropas para regiões estratégicas nas regiões florestais. Fortalecer com a presença de unidades de combate dos Estados Unidos, com um  comando geral liderado pelos Estados Unidos.

Usar as instalações no Panamá para retaguarda e a Argentina para assegurar  os portos e posicionamentos marítimos.

Usar o Brasil e Guiana para usar a migração dos venezuelanos.”

Os países envolvidos no golpe vão aumentando:

“Coordenar Colombia, Brasil, Guiana, Aruba, Curaçao, Trinidade e Tobago e outros países para receber o fluxo de migrantes venezuelanos. Promover a ação internacional… ONGs e agências internacionais.”

O uso de ONGs e agências humanitárias é comum nos processos golpistas e militares do imperialismo.

Acabar com a presença simbólica do Chavismo e atacar o ditador como o único responsável pela crise na qual entrou o país.

Intensificar a denúncia através da imprensa sobre a cubanização (sic) da Venezuela.

Denunciar Maduro como: um criminoso, ilegítimo, ladrão e alguém que saqueia as riquezas nacionais para depois fugir.

Atacar a ALBA e a PETROCARIBE como ineficazes para resolver a situação dos cidadãos.

A ALBA, Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – tratado de comércio dos Povos, é uma plataforma de cooperação internacional baseada na ideia da integração social, política e econômica entre os países da América Latina e Caribe. A PETROCARIBE é uma aliança para o comércio de petróleo entre a Venezuela e as ilhas caribenhas.

“Aumentar dentro e fora do país, através dos meios de comunicação de massas, mensagens controladas.

Justificar e assegurar através de meios violentos o apoio internacional para derrubar a ditadura, usando também as capacidades de guerra psicológica do exército dos Estados Unidos.

Os Estados Unidos devem apoiar inteiramente a Organização dos Estados Americanos (OEA), fortalecendo a imagem de que a OEA e outras instituições multilaterais são instrumentos para a resolução dos problemas regionais.”

E o fim:

“Promover o envio de tropas UNO (a Universidade de Omaha no Nebraska, um centro militar e de desenvolvimento militar) para impor a paz, no momento em que a ditadura corrupta de Nicolás Maduro for derrotada.”

 

O original em inglês pode ser encontrado no link https://www.voltairenet.org/article201100.html

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