Plano da economia cubana em 2019: objetivo e realista, diz Granma

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Yudi Castro Morales, Granma No final de 2018, a economia cubana terá um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ligeiramente superior a 1%, «mas esse crescimento, embora discreto e que ainda não impacta na população como precisamos, é meritório devido às condições em que alcançado, sem déficit nas contas correntes, devido às medidas tomadas, especialmente no segundo semestre do ano».

Foi assim que o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, avaliou no domingo, 16 de dezembro, na Comissão dos Assuntos Econômicos, durante os dias de trabalho do Segundo Período Ordinário de Sessões da 9ª Legislatura.

Sobre as deficiências presentes no cumprimento do Plano 2018, assegurou que elas se devem à situação econômica complexa que enfrentamos, que está relacionada a problemas acumulados na ordem estrutural, no funcionamento, bem como de insuficiências próprias que temos que resolver. O impacto do bloqueio também não pode ser subestimado, o que piorou com a administração Trump, especialmente a perseguição financeira.

«Diante desse cenário, insistiu, precisamos superar todos os problemas de todos os dias».

Acrescentou que os desafios devem ser enfrentados com a capacidade dos gestores, porque a batalha econômica continua sendo a tarefa fundamental e também a mais complexa, porque é o que a maioria das pessoas espera. «O povo espera uma resposta econômica que impacte no seu dia a dia, então na maioria das vezes todos nós temos que ser direcionados para essa batalha, como removermos o lixo das folhas no caminho que leva à solução dos problemas econômicos».

Nas palavras do presidente cubano, é necessário um planejamento que seja mobilizador e que não permita que, junto com a burocracia, tudo o que está planejado seja imobilizado.

O Plano de 2019, ele, é realista, «mas é o mínimo que podemos fazer. E se fizermos bem, teremos o potencial de fazer mais. Mas se houver burocratas, se houver pessoas que tomem tempo para tomar decisões, em exportar, em coletar; se há pessoas que não têm a sensibilidade que as circunstâncias exigem, então a coisa planejada fica imobilizada».

E se trata, enfatizou, de rever os sistemas de trabalho para que não haja espaço para a burocracia e que tudo que é necessário para o trabalho seja feito imediatamente.

Para isso, em sua opinião, é urgente reforçar as estruturas de direção e de gestão econômica. É preciso encontrar as pessoas mais preparadas para essa atividade e treiná-las. Além disso, é necessário aproveitar o talento de economistas, cientistas, especialistas, acadêmicos, para que eles se envolvam nas soluções.

Devemos também ser mais coerentes, na sua opinião, com o previsto na Conceituação do Modelo Econômico, documento teórico da construção do socialismo nas condições de Cuba, com alto caráter ideológico. Da mesma forma, chamou a atenção para a implementação sistemática das Diretrizes, sem dogmas e com realismo.

Sobre a importância de fortalecer a empresa estatal também apontou Diaz-Canel. Algumas medidas foram tomadas, reconheceu, mas sua autonomia ainda é limitada. Da mesma forma, é necessário encadeá-las e conectá-las com as empresas mistas, o setor não estatal e o investimento estrangeiro. «Devemos harmonizar e integrar todos os atores econômicos e formas de gestão que operam no país».

A julgar pela sua intervenção, outras questões que não devem ser ignoradas são: impulsionar o investimento estrangeiro, fechar o ciclo de exportação, resgatar itens antigos e identificar novos produtos, melhorar o uso de créditos, impulsionar a indústria nacional e tornar mais eficiente o processo investidor

Díaz-Canel também destacou a importância da produção de açúcar, pois gera renda líquida, garante exportações, ração animal e energia, além de diversos derivados.

Da mesma forma, comentou sobre o acompanhamento que precisa a questão da geração de emprego e do uso da Contribuição Territorial em termos de desenvolvimento local, de modo a permitir, além de promover obras sociais, gerar renda por meio de processos produtivos e serviços.

A ordenação do setor não estatal, sem preconceitos, foi outro dos temas abordados. Precisamos aperfeiçoar, condenar e eliminar ilegalidades, mas com tato. E também devemos combater a ineficiência e a ilegalidade no setor estatal, especialmente o desvio de combustível.

Miguel Diaz-Canel reiterou que, segundo o general-de-exército, «não podemos gastar mais do que entramos e não podemos assumir compromissos que não possamos cumprir. Essas duas ideias se manifestam no Plano 2019, que tem um profundo significado objetivo e realista».

Estamos diante de um Plano, enfatizou, que é enquadrado naquilo que somos capazes de entrar e pagar; no entanto, garante crescimento e garante investimentos associados a programas priorizados para o país. Se trabalharmos dessa maneira, podemos estar criando a base para que nossa economia, gradualmente, se mova para uma operação mais natural, onde mecanismos administrativos dão lugar a mecanismos econômicos.

«Não há outro jeito, disse, de fazer o Plano 2019, em um ano de ajustes e ajustes, sem abrir mão do crescimento».

PLANO 2019

Objetivos fundamentais:

Necessidade de garantir um processo de investimento eficiente que suporte os programas priorizados e seja capaz de cobrir o financiamento concedido com seu desempenho.

Aumentar o rendimento das exportações e garantir a cobrança de contratos.

Seis linhas de trabalho:

Aumento e diversificação das exportações.

Eficiência do processo de investimento e participação do investimento estrangeiro.

Análise abrangente de operações de importação.

Análise abrangente dos créditos.

Substituição de importações com maior participação da indústria nacional.

Preste especial atenção à gestão de contas a receber no exterior e estoques, que hoje representam 25% do PIB a preços correntes.

Crescimento do PIB:

Estima-se em uma taxa ligeiramente superior a 1%.

Espera-se que cresça em:

Agricultura

Pecuária

Indústria de açúcar

Silvicultura

Construção

Comércio

Transportes

Comunicações

Fonte: Ministério da Economia e Planejamento