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Crise de saúde e repressão
Plano da burguesia: se o coronavírus não levar, a PM leva
Tanto a repressão quanto a pandemia devem ser enfrentados com a mobilização do povo
Crise de saúde e repressão
Plano da burguesia: se o coronavírus não levar, a PM leva
Tanto a repressão quanto a pandemia devem ser enfrentados com a mobilização do povo
Foto: Bruno Itan / Olhar Complexo.

Os números de mortos pela pandemia do coronavírus já ultrapassam a marca dos 16 mil, oficialmente. Por outros estudos, é possível que esse número, na realidade, seja até 5 vezes maior. De qualquer maneira, mesmo considerando os fraudulentos dados do governo, a pandemia já é um desastre, especialmente para o povo pobre.

Desde o início da crise, não foi apenas o diário Causa Operária que vinha alertando que os efeitos da pandemia seriam registrados de maneira mais dura no meio do povo trabalhador, que é quem não conseguiu resistir sozinho à doença, quem teve que trabalhar durante todo esse período, enfim, quem não pode exercer a quarentena.

Por outro lado, o agravamento da crise não significou a redução da brutalidade policial. Em termos oficiais, o maior inimigo da vida do povo pobre e negro, no Brasil, continua sendo a Polícia Militar. Rio de Janeiro e São Paulo quebraram, em 2019, o recorde de execuções cometidas pelas forças de repressão. Foram ceifadas milhares de vidas, cerca de três mil, pelos dois estados, considerando, tal como os números do coronavírus, os “dados oficiais”.

A PM está aí há muito mais tempo que o coronavírus, nesse sentido, será difícil a doença conseguir bater os números totais de mortos pela Polícia Militar brasileira, tão letal quanto uma doença respiratória descontrolada.

Ela, a corporação, saiu um pouco dos noticiários logo do avanço da pandemia. Naturalmente, ela mesma viria a ter em suas fileiras algumas baixas. A atuação da PM, finalmente, consiste em bater nas pessoas indefesas, moradores de rua, etc. o que, invariavelmente, levaria à infecção de agentes da repressão. 

Ocorre que a crise de saúde fez o povo se revoltar. Ninguém está obrigado a sofrer calado, a aceitar todo o mal que a direita quer para o povo, a se resignar diante dos planos genocidas da burguesia golpista. 

É assim que começam a surgir os protestos, e é assim que volta à cena a ação brutal da PM brasileira, que, em seus métodos, comprova ser mais macabra e perigosa que a própria pandemia. 

No Complexo do Alemão, favela do Rio de Janeiro, laboratório da repressão, foram assassinadas 13 pessoas, na última sexta-feira (15), pelo Batalhão de Operações Especiais (BOPE). Não é preciso “investigar”, “apurar os fatos”. Essas 13 pessoas foram trucidadas pela PM, sem direito à resistência, e executadas pela pena de morte ambulante, a Polícia Militar. 

Na mesma sexta-feira, a PM de Santa Catarina matou um jovem de 16 anos, que nem teve tempo de contrair coronavírus. A imprensa diz “um adolescente morreu” na ação da PM. Morreu… como se fosse acometido de alguma parada cardíaca. A população protestou, legitimamente atirou pedras contra a PM, e é justamente o que deve ser feito a cada morte cometida por um policial.

O coronavírus matou muito mais gente que a PM neste ano, mas, no total, a PM ganha em larga vantagem. O povo pobre, agora, enfrenta a doença, a repressão e a crise social de conjunto. Tanto a repressão quanto a pandemia devem ser enfrentados com a mobilização do povo, por manifestações, atos, enfim, por todos os meios necessários.

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Juliano Lopes

Juliano Lopes



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