Pistoleiros torturam famílias e crianças sem-terra às margens do Rio Araguaia, no Pará

São-João-do-Araguaia

Cerca de dez famílias de trabalhadores sem-terra foram espancadas e torturadas por pistoleiros, incluindo crianças, durante uma hora na zona rural do município de São João do Araguaia, no Estado do Pará, neste dia quatro de maio.

As informações são que as famílias foram surpreendidas pelos pistoleiros encapuzados e fortemente armados, que chegaram atirando e renderam as famílias que não tiveram tempo de fugir ou reagir. Os pistoleiros torturaram os integrantes do acampamento, incluindo crianças e bebes. Os relatos são que chegaram a atirar em redes que estavam crianças e bebes, para assustar e aterrorizar suas mães e familiares.

Uma das vítimas da tortura foi uma mulher grávida, que foi atirada no chão e teve sua barriga pisada e chutada, tendo sangramento e tem o risco de perder o filho.

As informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT) são que após as torturas, as famílias foram obrigadas a subir nas carrocerias das caminhonetes somente com a roupa do corpo. Nesse momento, os pistoleiros colocaram fogo em todo o acampamento.

Os sem-terra foram abandonados no distrito de Vila Santana, localizada às margens da Rodovia Transamazônica, a cerca de 30 km do local do acampamento.

O fato que chama a atenção é que essas famílias são de outro acampamento onde houve despejo, no latifúndio pertencente a siderúrgica Sidenorte Marabá, em mais uma ação envolvendo policiais e a Vara Agrária de Marabá, que estiveram envolvimento nos últimos crimes contra trabalhadores sem-terra e comunidades tradicionais nessa região do Estado do Pará.

Essa ação revela que os latifundiários não querem nem os trabalhadores sem-terra por perto e que a situação política atual de golpe permite que atuem de maneira aberta contra as famílias que lutam por um pedaço de terra para trabalhar.

A expedição de reintegrações de posse e prisões arbitrárias pela justiça e a recusa de investigação das polícias, juntamente com o apoio do Estado do Pará, do golpista Simão Jatene, com o latifúndio em não fornecer proteção as famílias e lideranças ameaçadas, formam uma ação unificada para atacar a luta pela reforma agrária e demarcações de terra.

São crescentes os atentados e assassinatos contra trabalhadores sem-terra e comunidades tradicionais. O golpe gerou o aumento exponencial das mortes nos campos e fica explícita a reivindicação do direito a autodefesa das famílias sem-terra e formação de comitês de autodefesa.