Armar os camponeses!
É preciso compreender bem este ataque. A ligação da polícia com os fazendeiros, apesar de histórica – e sem novidade alguma -, está se aprofundando com o governo de Jair Bolsonaro.

Por: Redação do Diário Causa Operária

A Assembleia Popular do Acampamento Manoel Ribeiro, o CDRA – Comitê de Defesa da Revolução Agrária do Acampamento Manoel Ribeiro e a LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental, denunciaram que policiais militares (PM) e pistoleiros fascistas da fazenda Nossa Senhora Aparecida, atacaram a tiros no último dia 29, o acampamento Manoel Ribeiro, localizado na área rural de Chupinguaia, na divisa com o município de Corumbiara (RO). 

O caso se iniciou quando duas viaturas da PM, sendo uma do Grupo Especial de Segurança na Fronteira (Gefron), se aproximou do território junto a caminhonetes do latifúndio, rondando ostensivamente as áreas vizinhas de Maranatã 1 e 2 e Zé Bentão. Após um certo tempo, invadiram propriedades de camponeses para arrancar bandeiras da LCP e do Acampamento Manoel Ribeiro, que apavoram os latifundiários. 

Assim, juntos, mas como uma só força (que está mais do que claro, que são), policiais e pistoleiros, em três caminhonetes descaracterizadas, começaram a parar moradores de forma intimidatória e ameaçadora, como se os camponeses e os acampados fossem criminosos. 

Segue um relato fiel do texto retirado do sítio Resistência Camponesa:

“Para um morador, perguntaram se ele estava indo para o acampamento e ameaçaram: ‘Se você tivesse indo pro acampamento estava indo pro lugar errado, o pessoal lá vai se dar mal.’ Moradores da região reconheceram policiais sem fardamento e sem identificação junto dos pistoleiros da fazenda.

Pouco depois, tarde da noite, as viaturas se aproximaram do acampamento Manoel Ribeiro e realizaram diversos disparos de pistola na direção da entrada. Mais um fato criminoso que comprova o que os camponeses sempre denunciam: as polícias atuam como pistoleiros do latifúndio!

Esses crimes da polícia militar ao contrário de intimidar os camponeses, fez crescer o espírito de resistência das famílias do acampamento Manoel Ribeiro. Os camponeses seguem firmes na luta pelo restante da antiga fazenda Santa Elina, apoiados por camponeses e pequenos comerciantes da região.

Segundo o site, a imprensa burguesa controlada pelo latifúndio, “tem vomitado suas mentiras para tentar criminalizar, desmoralizar e isolar os camponeses”. Denúncias de matérias caluniando os camponeses, se somam nas últimas semanas, tais como um suposto prejuízo direto dos camponeses aos vizinhos, dizendo que eles teriam furado seus pneus. 

Uma mentira descarada da imprensa para criar toda a situação de verdadeira caça fascista! 

Os camponeses também denunciam o genocídio aos indígenas e camponeses para monopolizar a terra toda para a exportação, enquanto o povo tem que pagar R$10 por um litro de óleo de soja e não pode comer carne – mesmo em Rondônia tendo mais boi que gente. Assim como, o veneno jogado de aviões, intoxicando o povo, contaminando rios e solos, destruindo lavouras camponesas e até matas, e ainda, o próprio Ibama e a Sedam que, nas mãos de bolsonaristas, aplicam multas extorsivas, apreendendo motosserras e outros instrumentos de trabalho de camponeses e pequenos madeireiros. Finalmente, denunciam também que o latifúndio é quem acaba com as estradas e pontes com suas carretas pesadas sem pagar um centavo de imposto, isentos que são pelos governos de plantão, e a polícia, com suas operações criminosas que humilha os pobres e apreende suas motos e armas de caça.

“E enganam-se os reacionários que pensam que o povo esqueceu os crimes que o latifúndio, a polícia e a sua “justiça” fizeram contra as famílias que ousaram tomar a fazenda Santa Elina, em 1995. Por tudo isso, tirando um ou dois puxa-sacos do latifúndio, a maioria absoluta dos camponeses e comerciantes da região e dos municípios vizinhos apoia materialmente, encoraja e torce pelos camponeses do acampamento Manoel Ribeiro”, denunciam também no texto.

E fazem um apelo, um chamado ao apoio ativo de todos os camponeses, trabalhadores, pequenos e médios comerciantes e democratas: “Queremos viver em paz, mas se nos oferecerem guerra, terão guerra! Nós não sairemos de nossas terras! Estamos unidos e organizados! Se moverem aparato de guerra contra nós, para tentar nos tirar da terra, tenham certeza que resistiremos com unhas, dentes e da forma que pudermos.”

“Essas terras estão regadas com sangue dos camponeses que heroicamente resistiram e lutaram por elas em 1995 e dos povos indígenas chacinados por latifundiários e seu velho Estado. E se for necessário, juntaremos nosso sangue ao desses heróis. Assim como os combatentes de Santa Elina em 1995, hoje 25 anos depois gritamos com firmeza: Nem que a coisa engrossa, essa terra é nossa!”

A nota termina dizendo que agora, todas as terras da antiga fazenda Santa Elina são do povo!

É preciso compreender bem este ataque. A ligação da polícia com os fazendeiros, apesar de histórica – e sem novidade alguma -, está se aprofundando com o governo de Jair Bolsonaro. Quando eleitos pela fraude de 2018, o bloco fascista do governo saiu do armário ainda mais, falando abertamente em matar quem se opusesse no campo. Indígenas e camponeses vêm sendo assassinados em uma escala muito parecida com o que está se passando na Colômbia, controlada pela extrema-direita capacha dos EUA. Esta é uma iniciativa do imperialismo para terminar de roubar as terras através dos latifundiários, criando milícias fascistas aos moldes da Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler. 

Há urgência em compreender e assimilar esses fatos, para, imediatamente, construir comitês de auto-defesa armados nos assentamentos.

 

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