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Fora Piñera e oportunistas!
Piñera quer constituinte para desmobilizar o povo e salvar seu governo
A Constituinte de Piñera é uma tentativa de desmobilizar o povo e reformar seu próprio governo com a ideia de que ocorreriam mudanças. O povo está na rua há meses pelo Fora Piñera.
Chile5
Fora Piñera e oportunistas!
Piñera quer constituinte para desmobilizar o povo e salvar seu governo
A Constituinte de Piñera é uma tentativa de desmobilizar o povo e reformar seu próprio governo com a ideia de que ocorreriam mudanças. O povo está na rua há meses pelo Fora Piñera.
Foto: Suzana Hidalgo (esq.) e Twitter do Governo do Chile – reprodução
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Foto: Suzana Hidalgo (esq.) e Twitter do Governo do Chile – reprodução

Em meio a crise que se aprofunda a cada dia no Chile, o governo golpista de Sebastián Piñera busca uma solução capaz de promover um rearranjo que desmoralize as mobilizações que estão há meses nas ruas.

O plebiscito que será realizado em abril contará com a participação de mais de 14 milhões de pessoas, inclusive dos chilenos que moram no exterior. Na ocasião, os chilenos irão decidir se desejam ou não uma nova Constituição; uma que – de fato – substitua a herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Todavia, ao longo das reivindicações, o texto vem sofrendo diversas mudanças, embora a demanda popular exija a sua substituição por completo. É mister salientar, entretanto, que permeiam essa alçada a antiga Concertação – a aliança que governara o Chile durante 20 anos após o fim da ditadura de Pinochet – e, não obstante, defende que uma convenção constitucional seja a responsável pela nova Constituição. Por outro lado, a Frente Ampla – fruto do oportunismo da direita e da esquerda pequeno-burguesa em meio à crise que afetara o país nos protestos dos estudantes em 2011, coloca-se como uma via alternativa, porém, em todo caso, defende a mesma solução preterida pela antiga Concertação.

Mesmo que uma nova Constituição seja o desejo do povo, Piñera terá um ano para que a Carta seja elaborada, o que dará ainda mais fôlego ao direitista. Vale salientar que o antigo partido de Piñera, a Renovação Nacional, juntamente com a conservadora UDI, rejeitam a mudança na Constituição. O antigo partido de Piñera, por sua vez, faz parte da coalizão de “centro-direita” conhecida como Chile Vamos. Já o partido Evolução Política (Evopoli) defende uma nova Carta. A situação, contudo, permite uma digressão histórica, quando em 5 de outubro de 1988, durante a ditadura militar, foi decidido que Pinochet teria mais um ano de governo, mantendo as regras permanentes da Constituição após sua saída.

Nesse sentido, fica claro que a Constituinte de Piñera é uma tentativa de desmobilizar o povo e reformar seu próprio governo com a ideia de que ocorreriam mudanças. O povo está na rua há meses pelo Fora Piñera, enquanto a direita e a esquerda estão na Frente Ampla tentando iludir a população e impedir que o governo seja derrubado pelas manifestações. Fica claro, portanto, que a única via capaz de promover mudanças radicais que atendam as demandas da população oprimida é através de uma Frente Única com os movimentos sociais da esquerda e com a classe operária, alijando os oportunistas de qualquer tentativa de direcionar a mobilização para fins oportunistas.