Retrospectiva 2020
Até agora os governos investiram pesado na salvação das empresas, sem resultado. É hora de investir nos produtores de riqueza para sair das crises?
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Mercado depois da crise | Foto: Priscilla Jordão

A queda do PIB no 2º trimestre do ano atingiu um patamar histórico: 9,7%, Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que caracteriza este como o pior resultado desde o início da série histórica, iniciada em 1996 no governo FHC (PSDB). Já a FGV (Fundação Getúlio Vargas) diz que não há registro pior desde 1980.

Foi o segundo trimestre seguido de retração confirmando a recessão técnica, esta ocorre quando por dois trimestres seguidos há retração do PIB (soma de tudo que a economia produz). A FGV já apontava a existência de um quadro de recessão ainda no primeiro trimestre do ano.

O fundo do poço foi em abril, mês dos lockdowns que fecharam cidades e estados. A reabertura gradual, iniciada em maio e junho foi insuficiente para melhorar o desempenho do PIB no trimestre. A catástrofe só não foi pior por causa das medidas para suavizar a crise, principalmente pelo auxílio emergencial. Essa renda extra impediu uma situação mais explosiva, mas não evitou a queda de 12,5% do consumo das famílias em relação ao trimestre anterior.

O economista Sérgio Vale da MB Associados diz que além do auxílio emergencial, contribuiu para amenizar a catástrofe a baixa adesão dos brasileiros ao isolamento social e o melhor desempenho do agronegócio com alta de 0,4%.

Juntando o desempenho do agronegócio com aumento das importações da China por minérios e petróleo, mais a supervalorização do dólar, chegamos a 35% ou 40% do PIB com impacto positivo no PIB.

Os serviços, que correspondem a 70% do PIB, encolheram 9,7%, a indústria encolheu 12,3%, sem compras de máquinas e equipamentos e ainda obras paralisadas levaram a redução de 15,4% da formação bruta de capital fixo (FBCF, que correspondem a investimentos) em relação ao trimestre anterior.

O Observatório de Política Fiscal do Ibre/FGV, diz que a política fiscal do governo representa 11,5% do PIB, sendo 8,27% em gastos e 3,21% em créditos. Tem o mesmo tamanho do aplicado pelos EUA. São valores muito elevados.

Com a crise econômica mundial arrastando-se desde 2008, sem previsão de recuperação e considerando que a situação crítica foi fortemente agravada pela pandemia -também mundial-, não era possível ter previsões otimistas. Os governos burgueses optaram por salvar a economia, deixando o povo, trabalhador, morrer pelo vírus, pelo aumento da miséria e e pela fome.

Até agora a burguesia não encontrou uma forma de reverter o quadro problemático, nem da pandemia e nem da crise econômica. E nesse contexto, as crises continuam a se aprofundar, aumentando a possibilidade de convulsões sociais, que já ocorrem mundo afora, tudo junto evidenciando que o sistema capitalista encontra-se em declínio mortal. Esse o quadro que posto no ano que se inicia.

 

PIB variação trimestral IBGE

 

Tabela I.2 – Revisão das taxas de crescimento do trimestre contra o mesmo trimestre do ano anterior
  1º trimestre de 2020 2º trimestre de 2020
  Antes (%) Atual (%) Antes (%) Atual (%)
Agropecuária 1,9 4,0 1,2 2,5
Indústria -0,1 -0,3 -12,7 -14,1
Serviços -0,5 -0,7 -11,2 -10,2
PIB -0,3 -0,3 -11,4 -10,9
Despesa de Consumo das Famílias -0,7 -0,7 -13,5 -12,2
Despesa de Consumo do Governo 0,0 -0,8 -8,6 -8,5
Formação Bruta de Capital Fixo 4,3 6,0 -15,2 -13,9
Exportações de Bens e Serviços -2,2 -2,4 0,5 0,7
Importações de Bens e Serviços (-) 5,1 5,2 -14,9 -14,6
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais.
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