Mobilizar contra os golpistas
Desde o golpe de 2016, a estatal brasileira, Petrobrás, vem sofrendo inúmeros ataques com objetivo único da entrega do petróleo e a soberania do país para o imperialismo
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Greve dos petroleiros. Imagem ilustrativa | Foto: Luiz Carvalho/ Sindipetro
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Greve dos petroleiros. Imagem ilustrativa | Foto: Luiz Carvalho/ Sindipetro

Um dos mais duros ataques contra o povo brasileiro proporcionado pelo golpe de Estado de 2016 é o que vem sofrendo a empresa estatal de petróleo do país, a Petrobrás. Um dos objetivos dos golpistas na derrubada do governo do Partido do Trabalhadores com a presidenta Dilma Rousseff é a total entrega do petróleo para o imperialismo e a destruição da empresa. A privatização da Petrobrás segue a passos largos, afetando diretamente a soberania e economia nacional. Sonho antigo da burguesia internacional, vale lembrar que a Petrobrás e seus dirigentes chegaram e ser espionados ainda nos governos do PT, pela dupla “democrata” Obama Biden.

De acordo com a Federação Única do Petroleiros a liquidação da Petrobrás teve inicio no governo golpista e ilegítimo Michel Temer, onde o Pedro Parente e Ivan Monteiro presidentes da estatal no período privatizaram a Nova Transportadora do Sudeste (NTS), a Petroquímica Saupe (PE), a Usina de Biocombustivel Guarani (7 plantas em São Paulo e 1 na África), as termoelétricas Celso Furtado e Rômula Almeida, a Usina de Biocombustível Belém Bioenergia Brasil (AM), sem contar os ativos vendidos fora do país. A gestão Parente também abriu mão de participações em gigantescos campos do Pré-sal Carcará, Tartaruga Verde, Iara e Lapa, além de vender 34 campos terrestres, 10 concessões nas Bacias de Campos e Santos e outras 7 sondas de perfuração.

Em junho de 2019 o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a privatização das estatais, logo o governo fraudulento de Jair Bolsonaro e seu ministro da economia Paulo Guedes “chicago boy”, correram para se desfazer da Transportadora Associada de Gás (TAG) e da BR Distribuidora e colocando a venda diversos outros ativos estratégicos. Junto com as refinarias, terminais e oleodutos, mais de 70 campos de petróleo de bacias marítimas e de polos terrestres de norte ao sul do país estão sendo privatizados. Na mesma esteira e cotadas para serem vendidas ainda no primeiro trimestre do ano corrente estão a REGAP Refinaria Gabriel Passos (MS), RNEST Refinaria Abreu e Lima (PE), REPAR Refinaria Getúlio Vargas (PR), REFAP Refinaria Alberto Pasqualini (RS) e LUBNOR Refinaria de Lubrificantes e derivados do Nordeste (CE).

Vale lembrar que na semana passada o governo oficializou a venda da RLAM, Refinaria Landulpho Alves, junto com 669 quilômetros de oleodutos, que ligam a refinaria ao Complexo Petroquímico de Camaçari e ao Terminal de Madre de Deus, que também está sendo vendido no pacote que inclui ainda outros três terminais da Bahia (Candeias, Jequié e Itabuna), localizada no município de São Francisco do Conde. A FUP denunciou que essa empresa foi vendida pela metade do preço – pelo valor de US$ 1,65  bilhão. . Cálculos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) mostram que valor de mercado da unidade baiana seria entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões.

Paralelo as privatizações, seguem as demissões e a terceirização de funcionários e setores da empresa. Como aponta a FUP na última sexta feira (12), os petroleiros das plataformas de P-48 e P-62, Rio de Janeiro, se surpreenderam com a informação de que a Petrobrás solicitou um estudo prévio sobre a terceirização das operações das unidades. “É um absurdo o que esses entreguistas estão fazendo com a Petrobrás. Não se terceiriza a operação de uma unidade ou embarcação!” afirma o Coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra. Indignado com a situação e com a promessa de reação por parte do sindicato e dos trabalhadores petroleiros, Bezerra prossegue, “Estamos em choque com a capacidade de essa gestão fascista tem de querer destruir tudo que a Petrobrás e os governos anteriores construíram. Só reafirmo que a categoria petroleira não aceitará esse ataque de braços cruzados. Vamos reagir!”

As demissões estão acontecendo em escala monumental. Segundo a Central Única do Trabalhadores (CUT) o presidente da Petrobrás atualmente, Roberto Castello Branco quer demitir 15.470 trabalhadores e trabalhadoras da estatal até o fim do presente ano, 10 mil funcionários serão através dos PDVs, que são programas de demissão voluntária – o que representa 22% do quadro da Petrobrás – com o único e claro objetivo de tornar mais barata e atrativa para o mercado financeiro o valor a ser pago pelos ativos da estatal. Os demais a serem demitidos deve ocorrer quando forem vendidas refinarias, termoelétricas, petroquímicas e outros ativos. “É para passar a boiada, as demissões, e acelerar o processo de privatização. E nós perderemos outros 15 mil devido a esses planos, entre aspas voluntário. Por que entre aspas? Porque nós temos áreas sendo vendidas pessoas sendo compulsoriamente transferidas, alguns com suas famílias instaladas, pessoas que já trabalham nessas regiões, filhos nas escolas” destaca o Coordenador-geral da FUP Dayvid Bacelar.

Em uma outra denuncia feita pela Sindipetro NF, do desmonte que sofre a empresa e pressão e os mal tratos que vem passando os trabalhadores. Os funcionários que estão no Royal Macaé Palace Hotel, durante o período de isolamento pré-embarque, estão tendo problemas para conseguir se alimentar. O motivo é que o valor custeado pela Petrobrás para alimentação é menor que os valores cobrados no cardápio oferecido pelo hotel. “Nós, trabalhadores, viemos para o Hotel seguir o isolamento e temos que pagar diferença para almoçar e jantar? Isso é um absurdo. Se o hotel aumentou os preços dos alimentos, a Petrobrás tem que subir os valores para a alimentação na mesma proporção”, declarou um dos trabalhadores.

Diante da gravidade da situação dos petroleiros, do desmonte da empresa e o ataque a soberania do país, é preciso mobilizar os trabalhadores, organizar a categoria e buscar apoio na população para barrar todo esse crime lesa-pátria, que esta sendo orquestrado pelos golpistas. É importante deixar claro que não serão através de medidas judiciais ou parlamentares que a questão da Petrobrás e dos trabalhadores serão resolvidas ou freadas, até porque quem encabeça e orienta a politica de venda do país, em prol do imperialismo pelo atual governo de extrema direita fascista contra o povo brasileiro, são essas mesmas ratazanas do legislativo da Câmara e do Senado que tomaram o Brasil de assalto em 2016.

Para derrotar os golpistas e o governo ilegítimo de Bolsonaro, somente a mobilização e manifestações nas ruas, será um meio eficaz e concreto de luta de toda a categoria, não as demissões, não as privatizações e fora Bolsonaro e todos os golpistas. Uma greve generalizada do setor com ocupação da empresa, é capaz de colocar o governo entreguista e capacho do capital internacional – principalmente o norte americano – contra as cordas e dar um basta de vez por todas a catástrofe e a submissão do povo brasileiro, que está sendo imposta pela burguesia através de seus representantes em nome apenas do lucro de uma minoria.

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