Fora Bolsonaro.
Radicalizar a greve para derrotar Ives Gandra, o TST e o governo. Unificar os trabalhadores das estatais para varrer com Bolsonaro e o regime golpista.
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Segundo balanço apresentado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) no final da tarde de ontem (sexta-feira), já são 77 o número de unidades por todo o País paralisadas com a greve iniciada no sábado, 1 de fevereiro.

Os dados da greve tanto no que diz respeito ao número de grevistas, como quanto ao número de unidades paralisadas, só aumenta. Comparado com o dia imediatamente anterior, o número de unidades paralisadas subiu de 70 para 77, já os de grevistas de 18 para 19 mil. Aí está a força da greve, na adesão da categoria, isso, considerando, segundo nota oficial da FUP, que, a fim de atender as imposições do TST, quanto à paralisação, os sindicatos haviam suspendido os piquetes nas unidades. Ou seja, a adesão é massiva e absolutamente expontânea. 

Não é à toa que o desespero da direção da empresa e do governo fizeram com que o ministro de plantão do golpe, Ives Gandra, determinasse uma nova série de atentados contra a greve da categoria.  

Diante da inócua liminar impondo multas de até 500 mil aplicada contra os sindicatos e a obrigatoriedade de que 90% do contingente  dos funcionários estivessem trabalhando nas unidades, ambas rechaçadas pelos sindicatos e pelos trabalhadores, o ministro “todo poderoso”, expediu nova liminar ordenando o bloqueio das contas de 15 sindicatos e a suspensão do repasse das mensalidades sindicais e, ainda, a permissão para que a Petrobras contrate fura-greves de acordo com as necessidades da empresa.

Os petroleiros estão diante de uma constatação que não é nova, mas que cada vez mais toma corpo no regime político saído do golpe, que é o fim do direito de greve. Os próprios petroleiros foram vítimas dessa imposição no final do ano passado. Naquele momento, o TST decretou a ilegalidade da greve e os sindicatos acataram. O mesmo TST arbitrou um acordo que foi descumprido pela empresa. Onde estava o Gandra para multar em 500 mil por dia a Petrobras por descumprimento de acordo? Esse é um dos motivos da atual greve, acrescentando a luta contra a demissão de 1 mil trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Farfen-PR), mas mesmo essa reivindicação, está amparada no acordo trabalhista que, em tese, impede demissões em massa, sem uma prévio aviso e negociação com os sindicatos e, finalmente, a luta contra o desmonte da Petrobras. 

Como se vê, o governo e a direção da Petrobras estão no desespero. Com isso intensificam por meio do TST os ataques a greve. Esse é um momento crucial para a luta dos petroleiros. Uma política correta pode desmontar o governo e abrir uma etapa de ofensiva não apenas para os petroleiros, mas para o conjunto dos trabalhadores e em particular, os das empresas estatais, todos, sem exceção, sujeitos a ataques semelhantes aos dos petroleiros e com as empresas em vias de serem privatizadas, um dos principais objetivos do golpe.

É preciso aprofundar a mobilização para passar por cima das arbitrariedades do governo. Responder a força com a força, voltar com os piquetes, levar a greve para os locais que ainda não tem greve, ocupar as refinarias. Esse é o ponto inicial, mas, além disso, é necessário uma solidariedade ativa da CUT e dos seus sindicatos, em primeiro lugar daqueles que estão à frente de trabalhadores de empresas estatais, todas, sem exceção, sujeitas ao mesmo tacão do fascista Bolsonaro.

Organizar campanhas financeiras entre os sindicatos e, principalmente, entre os trabalhadores, realizar plenárias locais intercategorias, plenárias nacionais, piquetes conjuntos, enfim, todo tipo de ação que fortaleça a luta, estabelece uma unidade de fato da classe operária, pois, acima de tudo, é necessário ter clareza que o problema da Petrobras e dos seus trabalhadores, do Banco do Brasil e seus trabalhadores, da Eletrobras, dos Correios… não vão ser resolvidos de forma isolada, com lutas isoladas e reivindicações específicas. 

Como dito, os ataques do governo e dos fantoches à frente das empresas estatais são praticamente os mesmos. É por isso  que a unidade dos trabalhadores deve ter como eixo derrotar o governo para barrar as privatizações e os ataques as condições de vida dos trabalhadores e essa luta, necessariamente, deve se materializar na luta pelo Fora Bolsonaro e todos os golpistas.

Sem derrotar definitivamente o regime saído do golpe e seu governo de plantão, agora em sua versão fascista, a luta de categorias por mais radicalizadas que sejam não vão atingir a raiz do problema. 

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