Privatização com risco de vida
O desmonte da Petrobras vai ao extremo em demissões e colocando os trabalhadores e a população em risco grave por não respeitar a segurança operacional da empresa
Incêndio-Rnest (1)
Incêndio na RNEST | Foto: Sindipetro RJ
Incêndio-Rnest (1)
Incêndio na RNEST | Foto: Sindipetro RJ

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) denuncia em seu portal que a política da Petrobras de desmonte, privatização e demissões segue avançando a passos largos.

Na sexta-feira (15), a empresa apresentou à Federação o plano de realocação de funcionários das unidades que estão sendo privatizadas, fechadas e hibernadas. O RH informa que as transferências ocorrerão por seleção interna e serão oferecidos planos de demissão voluntárias com especificidades.

Reclamam que o RH não se coloca ativamente no processo, não envolve o sindicato e está seguindo as diretrizes dos gestores, que atendem o plano do presidente Bolsonaro e do Paulo Guedes, de privatizar a Petrobras a toque de caixa. 

O plano foi elaborado sem considerar questões como segurança operacional com as transferências, colocando as unidades à venda em risco grave e iminente de acidentes de processo, colocando em risco os trabalhadores, a população no entorno dessas unidades e o meio ambiente. O alerta foi feito pelo coordenador da FUP Deyvid Bacelar e os trabalhadores da empresa.

Embora o RH tenha omitido a quantidade de trabalhadores envolvidos nas transferências e demissões, o presidente em declaração recente revelou que pretende terminar o ano de 2022 com apenas 34 mil trabalhadores. 

Como a empresa tem hoje 44.300 funcionários, deduz-se que são 10 mil os envolvidos nesse processo. Lembrando que desde 2014 já foram demitidos 20 mil e em relação a 2013 a Petrobras tem hoje metade dos empregados ativos. Dos 9.405 inscritos no PIDV em 2019 4.500 já foram desligados.

Com todas essas demissões, a empresa está operando com o quadro de empregados abaixo do mínimo, aumentando os riscos de acidentes, principalmente nas refinarias e unidades que estão à venda.

A nota da Federação dos Petroleiros deixa clara a gravidade da situação da Petrobras. Com o fatiamento da empresa, demitindo e vendendo aos pedaços, estão colocando em risco a segurança operacional da empresa, colocando em risco a vida dos trabalhadores, das comunidades ao redor da empresa e o meio ambiente. Atitude completamente irresponsável e genocida, no mínimo.

E agem irresponsavelmente apenas para gerar mais capital para entregar aos bancos. Como sabemos a dívida pública consome metade do que o estado arrecada, e vendem todo o patrimônio e riquezas do país com o objetivo de honrar essa dívida que no mínimo deveria ser auditada. Apesar que sem verificar os contratos dá para ver que é ilegal, cresce de maneira espantosa diariamente.

E assim o custo social vai para além da estratosfera, onde os olhos nem conseguem enxergar. Como diz a nota, já foram demitidos 20 mil trabalhadores, que ficaram sem renda em meio a pandemia, perderam as casas onde moram, ficaram sem comprar comida, pagar as contas, sem médico e por aí vai. Apenas para pagar a dívida com os bancos. E estão passando pelo mesmo processo a Embratel, o BNDES, Caixa Federal, Banco do Brasil e outras.

Ainda assim os concorrentes da Petrobras entram com reclamação junto ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e à ANP (Agência Nacional do Petróleo), por supostamente a empresa oferecer produtos por preço inferior aos monopólios imperialistas. Com a ineficiência deles querem prejudicar ainda mais a Petrobras.

Nas primeiras décadas do século passado, os trabalhadores fizeram uma enorme campanha em defesa do petróleo brasileiro, a conhecida campanha “o petróleo é nosso”. Hoje em dia, com o desmonte da Petrobras, não se ouve nenhuma voz se levantando em defesa da Petrobras e do petróleo brasileiro, apenas os petroleiros, essa defesa deveria ser feita pelo conjunto da população trabalhadora. E já passou da hora de ir às ruas em defesa do Brasil e seus trabalhadores que continuam pagando as contas das crises econômica e pandêmica, com perda de emprego, salário e benefícios sociais, enquanto a burguesia aumenta mais a renda dela.

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