The Iranian vessel Bavand is seen near the port of Paranagua, Brazil July 18, 2019. REUTERS/Joao Andrade   NO RESALES. NO ARCHIVES
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Há mais de um mês, dois cargueiros iranianos estão parados próximos ao porto de Paranaguá (PR), aguardando abastecimento para seguirem ao Irã. Os navios exportavam milho brasileiro ao país, mas a Petrobrás se recusou a abastecê-los, alegando que poderia ser punida pelas sanções econômicas impostas pelos EUA ao Irã. O Tribunal de Justiça do Paraná já havia determinado o abastecimento, que foi agora reiterado pelo Supremo Tribunal Federal.

Nota-se aí um típico exemplo das contradições da crise capitalista atual e, em particular, do regime golpista no Brasil. Ao se alinhar fielmente aos EUA, aderindo ao bloqueio econômico contra o Irã, Bolsonaro se choca com os ruralistas brasileiro que o apoiaram. O agronegócio brasileiro exporta milho, soja, frango e outros produtos para o Irã, e a adesão às sanções norte-americanas cria dificuldades para este setor.

É evidente que a decisão de Dias Toffoli não foi motivada por nenhum senso de luta antiimperialista ou defesa da soberania de um país. Um dia antes da decisão, o governo iraniano havia afirmado a intenção de suspender as importações brasileiras se os cargueiros não fosse abastecidos. Ainda há outros dois navios iranianos próximos ao porto de Imbituba que são alvos das sanções. O STF foi certamente pressionado por um setor da burguesia nacional preocupada com a perda dos seus negócios.

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