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“O PT perdeu, nestas eleições, para o ‘PT'”, escreve o dirigente de base Charles Gentil
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Boulos-x-Covas
Boulos desejou "sorte" a Covas em seu plano para destruir São Paulo | Foto: Reprodução/CNN

Reproduzimos abaixo artigo publicado na página oficial do PT São Paulo na Internet e intitulado “Em defesa do PT – um balanço sincero e corajoso da eleição para uma polêmica necessária”.

Nesta eleição Municipal – sabe-se – que alguns fatores externos atuaram de forma importante, mas não decisiva, para a derrota do PT em São Paulo:

  1. resquícios de um anti-petismo recente, mas ainda vivo
  2. influência da imprensa burguesa no sentido de buscar produzir, em oposição ao PT, uma alternativa, tanto à esquerda(Psol), quanto à direita(Psdb), bem como, no geral, a eliminação do debate nas emissoras de TV.
  3. produção de fakenews nas redes sociais contra o PT e a esquerda, em geral
  4. um certo sentimento de indiferença da população ao pleito pelo desserviço prestado pela mídia, no esforço planejado de desprestigiar a noção de política.

Pois bem, estes fatores externos estão, objetivamente dados, e o que se deve fazer contra eles é mobilizar energia e engenho visando, com isso, superar as adversidades impostas e que, naturalmente, fazem parte do processo de disputa no tabuleiro político.

No entanto, às causas da derrota em São Paulo, não foram externas, mas ditadas internamente. Daí porque, é absolutamente defensável ponderar sobre estas causas, visando, com isso, que os erros não tenham reincidência, pois, aprender com estes erros recentes irão habilitar o PT para o retorno a governabilidade.

Mas, se ao cometer erros o PT perdeu para o “PT”, que erros foram cometidos?:

Primeiro erro O PT demorou, excessivamente, para designar um candidato eleitoralmente competitivo e que gozasse de uma visibilidade já, anteriormente, construída na sociedade.

Considerando-se a problemática por vir, no Brasil, da pandemia do novo coronavirus e as dificuldades inerentes impostas por um isolamento social(reproduzindo o que estava ocorrendo na Europa), ao marcar passo para apresentar tal nome, estava certo que a exposição de alguém pouco conhecido do público – quem quer que fosse ele(a) – de antemão já estaria comprometida.

Segundo erro O PT errou, portanto, quando aceitou, que Haddad declinasse da disputa sob a alegação de que buscaria se preservar para o escrutínio presidencial de 2022.

Neste momento, o correto a ser feito teria sido esclarecer que, no PT, o mandato não é a realização de um desejo individual, mas um compromisso com o coletivo e que, ainda que, uma vontade pessoal fosse adiada, a prioridade, neste momento, seria consumar uma vitória nas urnas em São Paulo, a fim de se contrapor ao governo federal e moldar São Paulo, enquanto capital da resistência ao bolsonarismo. Infelizmente, Haddad se omitiu em um momento crucial favorecendo que um outro candidato de esquerda ( com todas as limitações de exposição em função da pandemia), ocupasse uma lacuna que não deveria ter existido.

Terceiro erro O método de escolha do candidato majoritário se deu de cima para baixo limitando-se a votação virtual a aproximadamente 600 petistas, apenas.

Em oposição a esta prática (digamos: nada democrática) Diretórios Zonais produziram documentos e encaminharam ao Diretório Municipal, na esperança de que, a eleição não ocorresse desta forma; não vingou e o erro que era, antes, uma intenção, se confirmou na urna digital.

Muitos filiados e militantes questionaram este processo; o inconformismo foi grande e a não correta compreensão de que, ao ser eleito, este nome deve ser visceralmente defendido ( e somente a posteriori, após a conclusão do escrutínio, as críticas ao processo de escolha são, de fato, pertinentes e justas) repercutiu, porém, tal estado de ânimo de descontentamento pela escolha do nome de Jilmar Tatto, que poderia ter angariado internamente maior simpatia, não fosse o método empregado de “cima para baixo” e alijando do processo decisório contingente vultoso de petistas ávidos por participar deste momento importante da vida do Partido( e que não invoque-se a pandemia como pretexto), pois, se houvesse ocorrido uma antecipação para organizar o pleito, justamente, em função dela, certamente, o processo de votação teria alargado a base de votantes constituindo-se em verdadeiro exercício de democracia interna.

Quarto erro Jilmar Tatto não estava preparado para o debate.

Por mais que se fizesse a defesa contundente de Jilmar Tatto junto a filiados, militantes e público em geral, o fato é que, nos poucos debates que houveram, nosso majoritário não vibrava nossos corações. O coração pulsava no peito de nosso companheiro, com um discurso tecnicista, frio; uma fala bem comportada, sem o ritmo cardíaco envolvente da indignação; sem denunciar vivamente as gestões Covas e Doria.

Um discurso limitado a rememorar o legado petista; faltou, portanto, combatitividade no combate eleitoral; sendo oposição faltou fazer oposição; deu no que deu.

Quinto erro E, aqui, creio encontra-se o coração do problema. Porque de todos os problemas este é o maior, o capital? Porque trata-se de sabotagem( e advirto: quem não gostar da palavra saiba que mais do que a palavra, o autor deste escrito polêmico(e lembre-se: sincero e corajoso) não gosta da prática sabotadora) e isto – para ser franco – ocorreu.

Por mais que, o método empregado para a escolha do nome tenha sido antidemocrático(erro 3); por mais que Jilmar Tatto não estivesse preparado(erro 4); nada disto justifica a sabotagem(erro 5); ele deveria ter sido defendido integralmente por ter sido o nome que passou a representar o PT(ainda que o método de escolha fosse questionável); então, o que é a sabotagem, afinal? Esta prática perniciosa consistiu em que certos candidatos a proporcionais(vereadora(e)s( alguns até eleitos), omitissem em material gráfico( por exemplo, panfletos) e mesmo nas redes sociais(facebook) a menção a campanha do nosso majoritário entendendo, talvez, que a proximidade à imagem de Jilmar Tatto poderia, de alguma forma, prejudicar-lhes a campanha.

O Partido precisa se posicionar em relação a esta conduta desleal por parte daqueles proporcionais, que não subscreveram nosso candidato e, portanto, aventuraram-se em adotar uma prática individual de apagar a menção a Jilmar Tatto indo, portanto, em conflito com a escolha do nome oficial para representar o PT no pleito.

Aliás, na esteira desta deslealdade e de mãos dadas com ela, sabe-se que, não contentes em apagar o nome de nosso majoritário, ainda ousaram declarar no primeiro turno, de forma aberta ou velada, apoio ao candidato do Psol, Guilherme Boulos; dificultando ainda mais, que a sofrível candidatura petista decolasse (e não decolou).

Neste quesito, o Partido também precisa se posicionar. Um petista, partido, dividido ao meio, entre PT e PSOL, é ainda um petista? É possivel ser petista sem defender o Programa do PT? repito e pergunto: tendo um candidato próprio é possível, é razoável, é petista, defender o Programa de outro Partido? e ainda no 1o turno?

Ter um pé no PT e outro no PSOL. Ou, ter um pé no PT e a cabeça no PSOL é algo que merece uma tratativa, sobretudo, para que não se prejudique performance eleitorais futuras como esta que nos rendeu, em São Paulo, o honroso 6o lugar na preferência dos habitantes da cidade.

Por isso, insisto: o PT perdeu, nestas eleições, para o “PT”.

Que esta prática de esconder na campanha dos proporcionais o majoritário do PT e que apoios precipitados a Programas de outros Partidos, não voltem a ocorrer mais. A quem interessou e interessa dividir o PT?

Que nosso Partido seja respeitado em suas decisões e defendido porque o PT tem o Programa mais avançado para a cidade e para o país.

O que não se pode fazer no primeiro tempo ( leia-se: 1o turno) é perder “para si mesmo”; isto é, fazer gol contra e ainda comemorar com a torcida alheia. Ou pior: Se furtar ou postergar a uma análise urgente desta ausência de unidade interna, no momento em que, São Paulo mais precisava de um PT, unido e combativo.

Porém, certo estou de que saberemos enfrentar este desafio apurando, com coragem, o ocorrido; oferecendo uma tratativa adequada a estes ímpetos desleais cobrando, no breve momento oportuno, as devidas explicações, a fim de que, se possa preservar nossa unidade interna fortalecendo o PT, para que nosso Partido cumpra sua missão histórica, de continuar transformando nossa cidade, nosso país.

* Charles Gentil
Presidente do Diretório Zonal PT do Centro. Integrante do Democracia e Luta. Coordenador do Comitê Popular Antifascista Ponte Rasa Pela Democracia e Lula Livre

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