Burguesia falso moralista
Mais uma tentativa frustrada da pequena burguesia de censurar a arte
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pôster filme Cuties
Pôster original de Cuties (2020) | Reprodução

Agendado para estreia no próximo dia 9 de setembro de 2020 no serviço de streaming da Netflix o filme “Cuties” – originalmente chamado de ‘Mignonnes’ em francês – foi alvo de censura da burguesia falso moralista.

O filme conta a história de Amy, de 11 anos que vive com sua mãe Mariam e seu irmão mais novo, esperando seu pai se reunir com a família vindo do Senegal. Fascinada pela vizinha desobediente Angélica, Amy passa a participar de um grupo que causa grande contraste com a tradição de sua família. Escrito e dirigido por Maïmouna Doucouré o longa estreou no dia 23 de janeiro deste ano na seção World Cinema Dramatic Competition do Sundance Film Festival, ganhando o prêmio de direção do júri.

Mas, na última semana, uma petição do site Change.org, que caracterizava o filme como sendo “impróprio para “crianças”, conseguiu reunir mais de 20 mil assinaturas em um dia exigindo que ele não seja lançado na Netflix no próximo mês.

No pôster apresentado pela plataforma para o lançamento do filme, as ‘Cuties’ estão de shorts fazendo uma pose de dança em um palco. Em comparação, o pôster francês original mostra as quatro protagonistas rindo e dançando, carregando sacolas de compras. A Netflix, enquanto empresa que representa os interesses do imperialismo, procura controlar o discurso ideológico, com pode ser visto tanto na escolha dos filmes e séries por ela transmitidos e produzidos. Como também, pela forma como ela apresenta as produções, distorcendo-as conforme seus interesses.

Após as críticas recebidas a Netflix admitiu que o pôster criado por sua equipe de relações públicas era “impróprio”, embora o filme não tenha conteúdo que sexualize meninas menores de idade. “Lamentamos profundamente a arte inadequada que usamos para ‘Mignonnes / Cuties. Não estava bem, nem representava este filme francês que estreou no Sundance. Agora atualizamos as fotos e a descrição”, disse um porta-voz da Netflix em um comunicado.

Contudo, não devemos nos enganar com essa atitude da empresa do serviço de streaming, como se ela estivesse sendo coerente, quando apenas se retratou para não perder audiência. Por outro lado, aceitar a histeria coletiva em torno de uma produção artística é ser conivente com a censura. Censura que ataca não só a classe artística, mas toda a liberdade de expressão de quem critica os valores moralistas e discriminatórios da sociedade capitalista.

Aqui não se trata de dizer que o filme é bom ou ruim, mas sim, destacar o absurdo que esta petição representa. A histeria vem tomando conta da pequena burguesia, que justifica suas ações violentas de proibição e censura em nome da “moral e dos bons costumes”. Em épocas reacionárias, em que tudo era considerado “ofensa à sociedade”, não seria nenhum absurdo essa proibição.

Na opinião do crítico brasileiro Maurício Costa, o filme foi uma grande surpresa, porque tem várias camadas de interpretação. Fala sobre o amadurecimento e a chegada à puberdade de uma garota em meio ao acesso precoce a determinado tipo de informação que essa geração tem. Mas, sobretudo, o filme retrata o conflito entre a tradição e a modernidade, “algo comum na primeira geração de migrantes em todos os lugares, já que o que emigra quer que seu filho siga determinadas tradições”.

Temos que combater qualquer forma de censura, ainda mais travestida de valores morais por uma burguesia que defende sistematicamente a mercantilização de tudo.

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