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maes de maio
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Doze anos depois da onda de violência e assassinatos que atingiu São Paulo, pesquisadores da Unifesp revelam no estudo “Violência de estado no Brasil: uma análise dos Crimes de Maio de 2006”, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), reafirma evidências de execução sumária em 60 assassinatos – 53 civis e 7 agentes de segurança – ocorridos de 12 a 20 de maio de 2006, na Baixada Santista aquilo que todos já sabiam: não apenas houve conivência da policia, como os próprios agentes teriam participado ativamente das execuções ocorridas. O estudo foi realizado por uma equipe multidisciplinar do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) da Universidade, e analisou 60 mortes ocorridas na baixada santista.

Cabe ressaltar que as mortes analisadas são apenas uma parte dos homicídios que ocorreram em São Paulo entre os dias 12 e 21 de maio de 2006, e que em grande medida não foram solucionados. O estudo indica que a maior parte das vítimas era de civis e que as evidências apontam que a intenção dos autores era mesmo executar as vítimas.

Segundo o professor Javier Amadeo, coordenador da pesquisa, “Há fortes evidências de que agentes públicos participaram dos grupos de execução e de, pelo menos, conivência do poder público com tudo que aconteceu – não houve nenhum interesse verdadeiro da Polícia Civil, do governo do estado ou do Ministério Público de investigar. Os casos foram encerrados antes da investigação.”. A versão oficial da polícia é de que os crimes teriam sido cometidos apenas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa muito atuante em São Paulo, mas o estudo deixa claro que as forças policiais são tão criminosas e tão responsáveis pelas execuções quanto o PCC. A polícia alegou à época que muitos mortos teriam resistido ou mesmo atacado as forças policias, mas o estudo indica que as vitimas apresentavam claros sinais de execução, muitos com tiros na cabeça.

A pesquisa contou com o apoio do Movimento Mães de Maio, que organiza familiares e amigos dos mortos na onda de crimes de 2006. Vale ressaltar que a maior parte das vítimas eram indivíduos negros e pobres moradores das favelas, justamente aqueles mais suscetíveis a violência policial e que sofrem cotidianamente com a ação brutal da polícia militar dos aparelhos de repressão do Estado.

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