Burguesia admite genocídio
Levantamento de dados de 2020 aponta que os transportes públicos lotados, pelos trabalhadores que foram forçados a trabalhar, são os principais centros de contaminação do COVID-19
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Forçado a trabalhar, o povo se contamina nos transportes lotados | Foto: Reprodução
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Forçado a trabalhar, o povo se contamina nos transportes lotados | Foto: Reprodução

Inevitavelmente, em escalas catastróficas, a verdade transborda. Agora, a própria burguesia, pelos seus veículos, revela ser a principal responsável pela morte de mais de 230 mil brasileiros. Um levantamento do laboratório de visualização urbana MedidaSO, citado pelo próprio Estadão, em conjunto com diversas outras pesquisas, constata que a quarentena não existiu para a classe trabalhadora. Ora, o home office foi restrito para uma pequena parcela da classe média. Os trabalhadores, muitos dos quais nem internet possuem, foram forçados a trabalhar e se contaminar nos transportes públicos lotados.

As pesquisas apontam tudo que o Partido da Causa Operária denuncia há mais de um ano por meio deste Diário e por sua imprensa: para o povo, nunca existiu quarentena ou qualquer medida concreta de combate ao vírus. Logo no começo da pandemia, a população já foi obrigada a sair de casa para não morrer de fome, e os transportes públicos, principais meios de contaminação, tiveram sua frota diminuída ao invés de aumentada. A defesa da demagogia do “Fique em casa”, assim como a nova “campanha” de vacinação de Doria, são uma fraude completa.

Na realidade, a burguesia tenta descaradamente enganar a população com essa demagogia “científica”, enquanto a envia para centros urbanos de infecção e morte. Esses são, principalmente, os locais de trabalho e os transportes públicos. 

Para aqueles que precisam pegar um ônibus, o levantamento, com dados de todo 2020, mostra que linhas das zonas leste e sul estão com um número de passageiros próximo ao pré-pandemia. Em uma linha que vai do distrito da Pedreira até a Estação Jurubatuba, da CPTM, na zona sul, a quantidade de passageiros até superou a do período anterior à pandemia. Bernardo Loureiro, criador do MedidaSP, que organizou esses dados, explicou que o isolamento de passageiros de ônibus chegou a quase 70% no início da pandemia, mas ficou em 26% em dezembro. Isso atingiu, segundo ele, especialmente a periferia.

O urbanista ressaltou que isso ainda tem mais destaque porque o transporte coletivo segue com redução de veículos em circulação (cerca de 88% do total em dia útil). Ou seja, o rápido período da suposta quarentena, que acabou subitamente com a reabertura comercial imposta pelos governadores golpistas, serviu apenas para criar espaço político para lotar ainda mais o transporte público.

“Se está mais ou menos a mesma quantidade de pessoas do que era antes da pandemia e a frota está menor, então vai estar mais lotado.”, relatou o assistente financeiro Igor Esteves de Jesus, de 28 anos, que pega ônibus, trem e metrô para ir de São Miguel Paulista, na zona leste, até o trabalho, na Avenida Faria Lima, zona oeste. “Parece que o coronavírus só não existe para quem está de home office ou tem muito dinheiro.”

O cidadão, revoltado, chegou a postar imagens nas redes sociais de um vagão de trem em que os passageiros ficavam comprimidos. “O espaço em que caberia uma pessoa vai cinco. Em Itaquera, tem de entrar empurrando, não tem como se mover. Eu me sinto bem impotente, não acho justo. Não tive covid por sorte”, disse ao jornal golpista. Seu caso, como explicitado, não é um caso isolado. Com a burguesia cada vez mais assassina, fica impossível esconder a realidade nefasta de seu regime. 

Outra pesquisa, realizada em setembro de 2020 pela Rede Nossa São Paulo com Ibope Inteligência, mostra que a população com mais de 16 anos gasta 1h56 no transporte coletivo. No caso da analista contábil Mariza Santos, de 32 anos, são 2h30 do distrito de Parelheiros, no extremo sul, até as imediações do Aeroporto de Congonhas, como “qualquer horário é horário de pico”, ela precisa passar álcool freneticamente e rezar por um milagre para não se contaminar. “Chego ao trabalho e já vou lavar as mãos e trocar de máscara.”

A Pós-doutoranda em Ciências Atmosféricas na USP, Milena Ponczek, destaca que “não importa ter recirculação de ar, janela aberta, se estiver superlotado”. Ela defende que os passageiros estejam em assentos intercalados e que haja troca de ar, e está correta, entretanto é necessário um aumento considerável na frota de transportes coletivos, e ainda, a suspensão de todos os serviços que não forem essenciais. Essas, e outras medidas fundamentais para a sobrevivência e para a qualidade de vida da classe trabalhadora, nunca serão admitidas pelos golpistas.

Seus grandes feitos em relação à situação em São Paulo são as recomendações para os internautas para que evitem utilizar esse meio de locomoção, como indica o site da Câmara de São Paulo. Já os protocolos da Prefeitura preveem o estímulo à mobilidade a pé e com bicicleta e indicam, dentre outros pontos: evitar comer e conversar dentro do ônibus, aguardar veículo com menos passageiros e dar preferência para o uso fora dos horários de pico (especialmente idosos).

Mas um trajeto de quase 2h de ônibus pode ser facilmente substituído por uma bela caminhada na madrugada pelas ruas paulistanas? Claro que não. É tamanho o absurdo, que a Prefeitura não tem vergonha, ela chegou a afirmar que a oferta está acima da demanda! Pois bem, como se não fosse ela a responsável pela campanha mortífera da reabertura econômica e, em conjunto com o governo Bolsonaro, culpada pela ausência completa de combate à pandemia e pelas doações trilionárias aos bancos e às empresas durante a pandemia. É por isso, e não pelas festas e bebedeiras dos cidadãos, que a situação está como está, um desastre. 

A Prefeitura ainda afirmou que no levantamento municipal não haveria relação do uso de transporte e o contágio da COVID-19. Essa é a campanha de reabertura e de morte, e suas consequências previsíveis, amplamente denunciadas pelo PCO, precisam ser combatidas. A burguesia sempre obrigou, mesmo nos piores momentos da pandemia, os trabalhadores a irem trabalhar, a se aglomerarem nos ônibus e metrôs. Mas o cinismo da política burguesa diz que a culpa é do próprio povo afirmando que não se pode ir aos bares, baladas, festas de final de ano, porque seria ali que as pessoas estariam pegando o vírus. Canalha, cínica e mentirosa, a burguesia mostra o quão ela é genocida e a culpada pelos mais de 230 mil mortos.

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