Pesquisa Atlas Político é uma grande fraude: povo apoiaria Bolsonaro e o roubo da Previdência
Presidente-Jair-Bolsonaro
Pesquisa Atlas Político é uma grande fraude: povo apoiaria Bolsonaro e o roubo da Previdência
Presidente-Jair-Bolsonaro

O jornal imperialista espanhol El País divulgou nessa quinta (4) uma pesquisa de opinião política elaborada pelo site Atlas Político, de seu articulista Andrei Roman. Segundo a enquete, Sérgio Moro – o Mussolini de Maringá – teria boa aprovação popular (61,5%), assim como a reforma da previdência (44%). Já o fascista Jair Bolsonaro, teria uma imagem positiva para quase metade da população. Para coroar o viés direitista dessa peça de propaganda travestida de ciência, a matéria apresenta um dado sem qualquer conexão com os demais: metade da população seria contra a ampliação do porte de armas.

Trata-se, evidentemente, de uma manipulação grosseira a serviço do golpe. A mentira é filha bastarda da imaginação. Numa análise, quanto maior a desconexão do objeto e mais foco nos métodos e instrumentos de representação, maior a tendência ao engano. O cientista político romeno Andrei Roman – como Moro ou Dallagnol – é cria de Harvard, entusiasta dos atos direitistas de 2013, considera a Venezuela uma ditadura e vive de papaguear em suas colunas a linha política do Partido Democrata norte-americano como se fosse sinal de progressismo. O próprio Atlas Político tem a feição daqueles que procuram se apresentar como representantes da “nova forma de fazer política” – uma proposta que vai de Sâmia Bonfim (Psol-SP) a Jair Bolsonaro, passando por Macron e pelo Podemos – tanto o original espanhol quanto o antigo PTN brasileiro: abundantes gráficos, textos curtos e grandes, cores fortes.

A mentira central contrabandeada nessa verdadeira farofa estatística seria a ampla aprovação do governo fascista de Jair Bolsonaro. Mesmo nas eleições fraudulentas de outubro, os golpistas não se atreveram a conceder ao militar mais de um terço dos votos. É sabido que seu governo é desastroso, anti-povo, incapaz de prestar contas mesmo sobre suas pautas conservadoras. Após a apresentação de uma versão ainda mais brutal de reforma da previdência – adotando o modelo privatista chileno – a popularidade de Bolsonaro foi ao fundo do poço. Isso pode ser visto nas redes sociais, na imprensa, nas ruas. No carnaval, não houve quem levantasse a voz para defender o governo golpista, enquanto em todos os blocos de rua estava sempre presente o coro de Fora Bolsonaro – e outras versões mais agressivas dessa palavra de ordem.

Se restava qualquer credibilidade política a Sérgio Moro – o Mazzaropi da Odebrecht –, ela há muito caiu por terra quando o juiz que foi o principal artífice da perseguição, criminalização, encarceramento e impedimento político de Lula, assumiu um Ministério em paga pelos bons serviços prestados à direita golpista, principalmente, a condenação, sem crime e sem provas e a prisão ilegal do ex-presidente Lula.

Desnecessário pontuar que a “reforma” da Previdência só é popular entre banqueiros, empresários e entidades patronais. Creditar qualquer tipo de aprovação dos trabalhadores a esse ataque frontal é tratar a população brasileira por imbecil e suicida.

E é justamente essa a segunda grande mentira contrabandeada nessa peça de propaganda: a de que o povo é inepto, incapaz de votar, incapaz de saber o que é melhor para si, incapaz de se armar para se defender do Estado a serviço da burguesia. A conclusão dessa campanha de enganação, quer venha ela de fontes abertamente conservadoras, quer venha de pretensos progressistas, é de que só podemos ser governados pela a classe dominante, supostamente culta e bem preparada, preferentemente formada em Chicago ou em Harvard, como Paulo Tchutchuca Guedes. A inépcia de Guedes, Ricardo Vélez, Ernesto Araújo et caterva demonstra o contrário.

Na verdade, o povo sempre soube muito bem escolher seus desígnios. Prova disso é a ampla e crescente adesão às palavras de ordem Fora Bolsonaro e Liberdade para Lula – o presidente que a população queria eleger e não pôde, graças a lumiares como Sérgio Moro ou Jair Bolsonaro.