Ditadura militar
O livro “Vala de Perus: uma biografia” conta a história da vala clandestina encontrada no cemitério Dom Bosco, onde mil ossadas de mortos pela ditadura foram encontradas
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Arqueólogos trabalhando na Vala de Perus, um dos mais sombrios episódios da ditadura | Foto: Reprodução

A ditadura militar brasileira foi um dos períodos de maior repressão e perseguição à classe operária da sua história, e recorrentemente é alvo do revisionismo, ou melhor, da camuflagem da extrema direita que propaga o discurso de que a ditadura militar não foi extremamente violenta e que nem mesmo torturas e assassinatos ocorreram, como é o caso do presidente Jair Bolsonaro e a grande maioria das alas militares e da direita no País. Mas contra fatos não há argumentos e muito menos é possível esconder aquilo que foi feito contra a classe trabalhadora durante todos os anos do regime, e como forma de manter vivas todas as atrocidades realizadas pelos militares na época o Instituto Vladimir Herzog lançou nessa terça-feira (01) um livro intitulado “Vala de Perus: uma biografia”.

No livro em questão, o jornalista Camilo Vannuchi faz um resgate da história da vala clandestina descoberta há 30 anos, construída na década de 1970 no Cemitério Dom Bosco, em São Paulo, onde foram encontradas aproximadamente mil ossadas de desaparecidos e mortos durante a ditadura. Somente nesta vala foram encontradas mil ossadas, de militantes do Partido Comunista, jornalistas, entre tantos outros que se opuseram a uma ditadura que além de sanguinária foi prejudicial aos trabalhadores em diversas esferas sociais. Esse tipo de descoberta só demonstra o caráter fascista daqueles que estiveram no poder durante a ditadura e também daqueles que apóiam e tentam minimizar todas as barbaridades cometidas, justificando como “necessárias”, devido ao “perigo do comunismo” que assombrava o país, uma “ameaça” que nunca assombrou o país, mas que foi algo utilizado somente como desculpa para perseguir e matar aqueles que lutavam pelos direitos e pelas causas da classe operária.

Este não é o primeiro relato documentado daquilo que era realizado contra os militantes de esquerda durante a ditadura, temos outros exemplos como o filme Pastor Cláudio, em que o próprio ex delegado Cláudio Guerra, hoje pastor evangélico, que trabalhou para o DOI-CODI do Rio de Janeiro, conta em uma entrevista como foi convidado para participar da Operação Radar, onde 19 militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB) foram assassinados, além de relatar como ficou encarregado pela incineração de corpos de pessoas mortas pelos militares em uma usina na cidade de Campos, também no estado do Rio de Janeiro, revelando até mesmo não se saber o número exato de pessoas que foram vítimas da ditadura, número que pode ser muito maior.

Toda a memória documentada da época sombria da ditadura militar serve para que estas sejam preservadas e também nos colocam o alerta do perigo que representam os governos de extrema direita e suas ditaduras, e daqueles que defendem esse tipo de regime, como é o caso do atual presidente Jair Bolsonaro, que nunca foi tímido ou de meias palavras ao defender abertamente os militares (que ocupam a maioria dos cargos no seu governo), a tortura e o assassinato de militantes progressistas, principalmente os comunistas. Livros, filmes, documentários, reportagens e tantos outros recursos utilizados para manter a memória daqueles que foram assassinados e perseguidos também servem para denunciar o mau caratismo daqueles que tentam relativizar a verdadeira história da ditadura, tentando camuflar assim o seu caráter fascista. A verdade sobre a ditadura militar brasileira deve ser amplamente divulgada e o seu revisionismo combatido e denunciado, em memória daqueles que lutaram por uma sociedade mais justa e pela liberdade dos trabalhadores diante de um regime golpista e ditatorial.

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