Cai governo golpista
A crise no Peru mostra que a saída é a mobilização popular, com a finalidade de derrubar os governos golpistas
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Presidente golpista do Peru que renunciou ao cargo neste domingo (15), Manuel Merino | Foto: Reprodução

Nesta última semana, todos puderam assistir à escalada na crise política no Peru. Na segunda-feira (9), o congresso peruano apoiou o impeachment do presidente Martin Vizcarra, com 105 votos de um total de 130 deputados, sendo substituído por Manuel Merino. Logo em seguida, o povo peruano saiu às ruas na capital Lima e em muitas outras cidades para protestar contra este que foi mais um golpe de estado realizado em um país da América Latina com apoio da burguesia, da direita e do imperialismo.

No sábado (14), a crise alcançou níveis ainda mais dramáticos, com a notícia de dois mortos nos protestos. Ambos os assassinatos ocorreram por tiros de armas de fogo letais, na capital Lima. Ainda não se sabe dizer com precisão a autoria dos disparos, no entanto, houve notícias de que a polícia peruana estava usando agentes à paisana chamados Grupo Terna e que procuravam reprimir as manifestações com armas de fogo. Em suma, vinham realizando o serviço sujo para a polícia, que não podia aparecer atirando contra manifestantes.

No domingo (15), após a imensa quantidade de protestos extremamente radicais, que exigiam a saída imediata do golpista Manuel Merino, a renúncia de metade de seus ministros e a exigência do presidente do Congresso peruano, Luis Valdez que ele renunciasse ao seu cargo, Merino anunciou sua renúncia. Milhares de pessoas saíram às ruas no Peru para celebrar este fato.

É importante destacar que a crise no política atinge no momento o seu ápice, mas que ela vem se desenvolvendo há pelo menos cinco anos. Tudo começa com a perseguição política ao ex-presidente Ollanta Humala, um dos principais representantes do nacionalismo burguês peruano, e que governou o país entre 2011 e 2016. Ao fim de seu mandato, ele sofre uma acusação persecutória promovida por investigações da Lava Jato, de que teria recebido 3 milhões de dólares das construtoras OAS e Odebrecht, o que levou à prisão de sua esposa e à decomposição de seu partido.

Posteriormente, Pedro Pablo Kuczynsky, seu sucessor é derrubado por um impeachment e sucedido por Vizcarra, que também sofreu um golpe de estado do congresso. A justificativa é sua “incapacidade moral” de se manter no cargo. Ele tem contra si uma investigação por corrupção em um caso envolvendo as construtoras brasileiras OAS e Odebrecht.

É possível enxergar neste processo de perseguição política e sucessivas substituições forçadas, golpes e impeachments, uma tendência do regime político a ir sempre mais para a direita. A crise começa com a perseguição a um político do nacionalismo burguês e, cada novo governante se mostra mais direitista do que seu antecessor, sempre derrubado por algum golpe.  A radicalização das manifestações de rua também é digna de nota, a população exige a saída do sucessor golpista de Vizcarra e mais da metade de seus ministros já renunciou ao cargo. 

O que está colocado na situação peruana é a tendência do imperialismo a acabar totalmente com o nacionalismo burguês, que governou uma boa parte dos países da América do Sul nas últimas duas décadas, sendo um de seus principais representantes o ex-presidente Lula no Brasil. Em todos os países onde houve golpes de estado neste último período, realizados todos pelo imperialismo, o que ocorria era a derrubada de algum representante desta política. No Peru, não foi diferente. Inclusive, com uma investigação realizada pela própria Lava Jato, que possibilitou o golpe de estado no Brasil e a perseguição criminosa de Lula.

No Peru, também houve o caso do ex-presidente Alan García, que devido à intensidade da perseguição política criminosa realizada contra ele, acabou por cometer suicídio em 2019, após sua condenação à prisão, também no caso Odebrecht, o mesmo que foi usado para perseguir Martin Vizcarra. Na época, Lula havia acabado de ter sido preso aqui no Brasil, no entanto, conseguiu sua liberdade por ser um líder com grande apoio da população, que iniciou uma mobilização para exigir sua soltura, a partir da iniciativa do PCO, dos Comitês de Lula, de setores de base do PT etc.

Contra essa ingerência do imperialismo nos países latino-americanos, é preciso procurar uma saída verdadeiramente revolucionária para a crise. A  mobilização da população peruana já contribuiu para a saída do presidente interino golpista, colocado ali por um impeachment. A mobilização deve continuar, no entanto, para derrubar o regime golpista de conjunto. O nacionalismo burguês se mostra incapaz de desenvolver uma política de enfrentamento ao imperialismo e deve ser substituído por uma organização autônoma da classe operária. Somente um partido revolucionário e liderado pelo proletariado pode dar consequência à luta dos explorados para enfrentar e impor uma derrota  definitiva aos golpistas.

A classe trabalhadora dos outros países da América Latina que foram vítimas de golpes de estado devem seguir o exemplo peruano e colocarem seu povo na rua, procurando derrubar os governos golpistas. O imperialismo e a burguesia golpista detêm o controle das instituições, mas a esquerda tem ao seu lado a classe operária, que pode radicalizar a situação à esquerda com sua saída às ruas. Apenas a população mobilizado pode colocar os regimes golpistas em xeque.

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