Novo golpe na America Latina
Nesta quinta-feira, 12, milhares de peruanos tomaram as ruas em várias partes do país para expressar profunda recusa ao governo Merino, que assumiu a presidência depois do golpe
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Maifestantes saem às ruas no Peru contra o golpe | Sebastian Castaneda/Reuters

Os golpes de Estado estão a pleno vapor na América Latina. Nesta quinta-feira, 12, milhares de peruanos tomaram as ruas em várias partes do país para expressar profunda recusa ao governo Merino, que assumiu a presidência depois do golpe realizado pelo Congresso contra Martín Vizcarra na última segunda-feira, 9. Marchando com faixas e cartazes dizendo: Merino não é meu presidente”, “Congresso usurpador”,  a população tomou a Plaza San Martín, no centro histórico da capital, Lima, onde foi atacada pelas forças repressoras do Estado peruano. As manifestações se deram em pelo menos outras 15 cidades.

Após a dura repressão do governo golpista, os cidadãos usaram as redes sociais para denunciar a forma “brutal” como os golpistas costumam tratar os que não aceitam golpes. Os relatos podem ser confirmados por vídeos onde bombas de gás lacrimogêneo foram disparadas de um helicóptero. “Eles usaram bloqueadores de celular para isolar as pessoas. Tiros diretos no corpo. Uso de armas por policiais em trajes civis, pessoas detidas e desaparecidas. E a TV peruana nada”, denunciou uma manifestante no Twitter.

A repressão foi tamanha que, para evitar uma escalada sem controle, a Ouvidoria exigiu que a Polícia “cesse imediatamente” o uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os cidadãos.

Ao todo, como saldo da completa rejeição da população quanto ao novo presidente Manuel Merino, muitos manifestantes saíram feridos, detidos e alguns encontram-se desaparecidos. A Anistia Internacional chegou a pedir às autoridades que “respeitem os direitos humanos no centro de sua resposta imediata e de suas políticas públicas”.

Semelhante ao ocorrido com Dilma Rousseff em 2016, o impeachment de Vizcarra foi um “golpe brando”, isto é, dado institucionalmente através do “regime democrático” burguês dos países atrasados. Vizcarra, no que lhe concerne, fora retirado do poder pelo Parlamento com 105 votos por “permanente incapacidade moral” e substituído por Merino, um aliado do impiedoso Alberto Fujimori, presidente do Peru durante a década de 1990; um lacaio do imperialismo, responsável pelo esmagamento do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso. A crise no Peru tem se avolumado e não é de hoje; o País vive uma crise política gigantesca há pelo menos uns 5 anos, quando Ollanta Humala, um presidente de esquerda, sofreu um processo de perseguição política por suposta corrupção e envolvimento com a Odebrecht, sendo substituído por Pedro Pablo Kuczynsky, com menos apoio popular e, por conseguinte, derrubado por um impeachment. Não tardou e Vizcarra entrou na alça de mira dos golpistas. Trata-se, nesses últimos casos, de brigas internas da burguesia com grandes chances de ingerência do imperialismo. No caso de Vizcarra, os golpistas se adiantaram em limitá-lo às circunscrições peruanas. Nesta sexta-feira, 13, a juíza María Álvarez deu mais um passo no aprofundamento do regime golpista ao anunciar publicamente que: “Determina-se o impedimento de saída do país contra o investigado Martín Vizcarra; a medida terá a duração de 18 meses”.

No entanto, a população tem mostrado disposição para avançar contra as manobras da direita no subcontinente. Como podemos ver, na América do Sul a população está cansada de arcar com as crises provocadas pelos capitalistas e que – ao fim e ao cabo – recai sobre os ombros da classe trabalhadora. A tomada das ruas, a valer, tem sido o caminho acertado para barrar as ofensivas da direita golpista. As mobilizações no Equador, Bolívia, Chile etc., comprovam um fundamento importante na luta de classes: a burguesia cede com a pressão das massas enfurecidas nas ruas. Nesse sentido, pode se dizer que os golpes na América Latina estão em crise devido à mobilização popular.

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