Latifundiários da Cutrale fazem fortuna em terras griladas e perseguem integrantes do MST

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Há pouco mais de um mês, foi preso o integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de São Paulo, Willian Miranda Cabeçoni, por ser um dos responsáveis de diversas ocupações de latifúndios na região de Borebi, e em particular áreas de “propriedade” do monopólio do suco de laranja Cutrale.

A prisão esconde um grande esquema de grilagem de terras no interior do Estado de São Paulo, onde diversos latifundiários fazem fortuna à custa de terras públicas e exploração dos trabalhadores rurais sem-terra.

A empresa do agronegócio Cutrale, uma das maiores empresas de suco de laranja do mundo, se utiliza há décadas de milhares de hectares de terras da União para plantios de grande monocultura de laranja.

A região em questão possui mais de 50 mil hectares de terras de propriedade da União desde 1909, que seriam utilizadas para projetos de colonização e distribuídas para camponeses. O projeto de colonização não foi desenvolvido e, desde então grandes latifundiários tomaram conta destas terras, dentre eles a Cutrale.

O órgão federal responsável pela questão fundiária, o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) está na justiça há décadas para tomar posse das terras griladas por essas grandes empresas, onde sempre são barradas pela justiça burguesa para beneficiar os latifundiários.

Há nessa região cerca de 50 processos na justiça questionando a posse dessas terras, entre elas as da Cutrale e de uma grande empresa de celulose, Lwarcel Celulose, que já reconheceu que as terras são de propriedade da União e tenta realizar um acordo.

Fica evidente o grande esquema de grilagem de terras no interior de São Paulo que somente não é resolvido em favor dos trabalhadores por causa do interesse de grandes empresas do agronegócio e do latifúndio que pressionam a Justiça e o Estado para atuar contra os trabalhadores sem-terra. São mais de 50 mil hectares de terras públicas que estão nas mãos desses latifundiários.

Por isso, a perseguição contra os integrantes do MST e a prisão de Willian Miranda Cabeçoni, que denunciavam e pressionavam através de ocupações dessas terras um grande esquema de grilagem realizado por essas empresas.

É preciso denunciar a perseguição de integrantes do MST e a grilagem de terras na região. Para isso é necessário organizar novas ocupações de terra e fechamento de rodovias para exigir que essas terras sejam destinadas a reforma agrária e a liberdade de Wilian.