Perseguição aos sem terra: militar determina que nenhuma unidade do INCRA atenda movimentos sociais

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Da redação – O coronel do Exército, João Miguel Souza Aguiar, empossado como ouvidor agrário nacional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) enviou um memorando para que todas as superintendências regionais do órgão em todo o País não recebam mais entidades “que não possuam personalidade jurídica” ou que “sejam invasores de terras”.

Ainda afirma que para os invasores de terra “estes devem ser notificados conforme a lei”. A ouvidoria agrária do INCRA é utilizada para atuar em mediações de conflitos entre latifundiários e sem-terra em todo o País numa tentativa de aumento da violência.

A medida é um ataque direcionado para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), mas atinge todos os movimentos sociais de luta pela terra em todo o País, incluindo posseiros, quilombolas e indígenas.

O militar ainda afirma que a decisão está em consonância com o presidente do INCRA, o general João Carlos de Jesus Corrêa, e é um sinal claro para que os latifundiários e suas milícias de pistoleiros atuem da maneira mais violenta para expulsar os sem-terra, posseiros, quilombolas e indígenas em todo território nacional. É a carta branca para os pistoleiros.

É mais um sinal claro do governo ilegítimo de Bolsonaro para os trabalhadores sem-terra e comunidades tradicionais, em especial ao MST, do que vem pela frente: perseguição política e muita violência.

Diante dessas medidas as organizações de luta pela terra precisam se preparar para o que vem pela frente e organizar comitês de autodefesa em todos os acampamentos, assentamentos e comunidades no campo contra a violência dos bolsonaristas.

É preciso iniciar imediatamente uma grande mobilização contra essas medidas do governo e colocar a palavra de ordem de “Fora Bolsonaro e todos os golpistas” nas ruas.