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Falsificação da história
Perseguição ao comunismo agora é política oficial da União Europeia
Trata-se de uma distorção da história que demonstra a preocupação do imperialismo europeu com a crise, que tem levado à derrocada a “democracia” liberal e à polarização política
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Falsificação da história
Perseguição ao comunismo agora é política oficial da União Europeia
Trata-se de uma distorção da história que demonstra a preocupação do imperialismo europeu com a crise, que tem levado à derrocada a “democracia” liberal e à polarização política
O objetivo da UE é proibir o comunismo para conter o movimento operário. Foto: Mark Surman
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O objetivo da UE é proibir o comunismo para conter o movimento operário. Foto: Mark Surman

Na semana passada, o Parlamento Europeu publicou uma resolução na qual acusa a União Soviética, juntamente com a Alemanha nazista, de serem as culpadas pela deflagração da Segunda Guerra Mundial e iguala o stalinismo ao fascismo, em uma manipulação típica da direita e da burguesia com o objetivo de manipular a história para criminalizar o comunismo.

O documento leva em conta diversas resoluções e declarações anteriores de entidades europeias que condenam os “crimes dos regimes comunistas totalitários”, homenageiam as “vítimas do comunismo”.

Além disso, a resolução leva em consideração “fatos” históricos que fizeram com que o comunismo fosse proibido por lei em Estados-Membros da União Europeia. Esses fatos seriam, além das supostas atrocidades do stalinismo e dos Estados Operários no leste europeu (sempre superdimensionadas pela propaganda direitista), a assinatura do tratado de não-agressão germano-soviético, conhecido como Ribbentrop-Molotov. A resolução do Parlamento Europeu, portanto, afirma que a Segunda Guerra “foi resultado imediato” desse pacto e de seus protocolos secretos, “através dos quais dois regimes totalitários que partilhavam o objetivo da conquista do mundo dividiam a Europa em duas zonas de influência”.

Assim, a resolução “condena todas as manifestações e propagação de ideologias totalitárias, tais como o nazismo e o estalinismo, na União” e “expressa preocupação com a continuação da utilização de símbolos de regimes totalitários em espaços públicos e para fins comerciais e recorda que vários países europeus proibiram a utilização de símbolos nazis e comunistas”.

Trata-se de uma distorção da história que demonstra a preocupação do imperialismo europeu com a crise política e econômica no continente, que tem levado à derrocada a “democracia” liberal e à polarização política, com a ascensão de partidos de extrema-direita em diversos países e governos, por um lado, e também a tendência à mobilização da classe operária, por outro.

A distorção é clara quando o documento afirma que URSS e Alemanha nazista foram corresponsáveis pela Segunda Guerra, quando esta foi, na verdade, uma guerra provocada pelo imperialismo mundial a fim de salvar o sistema capitalista da gigantesca crise que se iniciou em 1929. Foi uma tentativa das burguesias dos diferentes países imperialistas (Alemanha, Inglaterra, EUA e França) de dominarem a economia mundial, uma delas fazendo uso do fascismo, mas onde em todos os países este não deixou de ser uma segundo opção para os capitalistas.

A União Soviética de Stálin apenas se defendeu da agressão que sofreu. Após trair a Revolução de Outubro e dizimar a vanguarda operária, a direção do Estado Operário degenerado atuou contra si própria ao castrar a URSS de sua maior força protetora, a classe trabalhadora organizada. Assim, adotou a capitulação diante do perigo que representava à sua soberania nacional o avanço das tropas nazistas sobre a Polônia e assinou o pacto de não-agressão com Hitler.

Mas a URSS foi a principal vítima da Guerra, com mais de 20 milhões de seus cidadãos morrendo durante o conflito. Isso, obviamente, o Parlamento Europeu esconde, em outra clara manipulação.

Tal invenção também serve para atacar o atual governo russo de Vladimir Putin. A resolução “Considera que a Rússia continua a ser a maior vítima do totalitarismo comunista e que a sua evolução para um Estado democrático será entravada enquanto o governo, a elite política e a propaganda política continuarem a «branquear» os crimes comunistas e a glorificar o regime totalitário soviético; exorta, por isso, a sociedade russa a confrontar‑se com o seu trágico passado” – uma clara intromissão nos assuntos da Rússia, que não pertence à UE.

Segundo esse relatório, existem “esforços envidados pela atual liderança russa para distorcer os factos históricos e para «branquear» os crimes cometidos pelo regime totalitário soviético, e considera que estes esforços constituem um elemento perigoso da guerra de informação brandida contra a Europa democrática com o objetivo de dividir a Europa, instando, por conseguinte, a Comissão a contrariar estes esforços de forma decisiva”.

A União Europeia distorce a história e acusa a Rússia de fazer isso. Ao mesmo tempo que utiliza essa falsificação para reprimir o movimento operário dentro de seu território, ela atribui à Rússia os seus próprios “podres”, para facilitar a agressão contra Moscou, que já vem sofrendo há anos os ataques do imperialismo europeu e norte-americano.