Perseguição a Battisti alerta para o perigo contra toda a esquerda

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Não precisa ser nenhum conhecedor profundo da Constituição e das leis brasileiras para perceber que o regime golpista no país está numa escalada crescente rumo a uma ditadura aberta contra a população.

A campanha de perseguição, difamação e condenação de dirigentes do PT pelo Judiciário com o “mensalão” já era o terreno em que os golpistas preparavam a derrubado do governo do PT, fato que veio a se confirmar com o impeachment absolutamente fraudulento de 2016.

Vencida essa primeira etapa, os golpistas trataram de tirar da cena política o maior líder popular do País em uma nova operação tão ou mais fraudulenta do que o impeachment. A Constituição foi literalmente rasgada em um cláusula pétrea (aquela que só pode ser alterada por uma nova constituinte) ao se negar o direito de Lula e outros presos políticos responderem a processos criminais em liberdade até o trânsito em julgado da sentença.

A operação Lava Jato foi criada sob medida para condenar Lula, perseguido, caluniado e preso sem nenhuma prova material de que houvesse praticado algum crime. A condenação valeu-se apenas de “delações premiadas”. Um instrumento de coerção e tortura para fazer com que indivíduos prestassem depoimentos de acordo com “scripts” montados por procuradores do MPF e juízes do Paraná, especialmente treinados para garantir a condenação de Lula e a sua proscrição política.

Vitorioso em mais esse intento, o golpe avançou para a sua terceira fase e acabou de impor pela fraude a sua versão extrema-direita para governar o país. Bolsonaro ainda nem assumiu, mas o cerco às já parcas liberdades democráticas está cada vez mais intenso ataque.

Sem contar o próprio Lula, que teve mais uma vez negado o pedido de Habeas Corpus numa nova manipulação por parte dos militares e do lacaio presidente do STF, os assassinatos de sem-terra se intensificaram e a ameaça real de criminalização do MST e do MST como organizações terroristas.

Uma outra perseguição feroz em curso e que reveladora dos propósitos dos golpistas é a do italiano e ex-militante político de esquerda Cesare Battisti.

Battisti, que teve reconhecido pelo ex-presidente Lula o direito de asilo político no Brasil em 2010, está sendo cassado por todo o país por uma grande frente de repressão que envolve a Polícia Federal, a Justiça, todas as polícias, o Executivo Federal (de Temer e de Bolsonaro) em conluio com o governo de extrema-direita italiano. Ele é tratado como um bandido, criminoso, terrorista. Sendo que as acusações são muito frágeis e o processo tem muitas debilidades. Na verdade, Battisti não cometeu homicídio, trata-se de uma perseguição política porque era militante de esquerda.

Pela ótica do golpe, como quem defende “terrorista” pode ser considerado como terrorista também, a Polícia Federal aproveitou o “espírito” dos seus senhores para promover uma nova “visita” ao jornalista Eduardo Guimarães, para solicitar “explicações” por parte do jornalista por matérias publicadas em defesa de Battisti.

Para quem não se lembra, Eduardo Guimarães, editor do Blog da Cidadania, já havia sido conduzido coercitivamente pela Polícia Federal para depor sobre reportagem que publicou em fevereiro de 2016, denunciando que o ex-presidente Lula seria alvo da operação Lava-Jato. Em 2017, novamente teve que prestar novo depoimento para esclarecer “denúncias” do, então, juiz Sérgio Moro de que estaria sendo perseguido pelo jornalista.

Todos esses elementos não deixam dúvidas, que nessa fase do golpe está inaugurada a perseguição política aberta e escancarada contra qualquer cidadão de esquerda. Se a direita, os golpistas, foram capazes de perseguir, condenar e prender uma figura pública da envergadura de um Lula, não é difícil projetar o que estar por vir contra militantes dos partidos de esquerda, sindicalistas, dirigentes de organizações populares.

A esquerda tem de entrar em estado de alerta. Uma condição para que o golpe imponha o desmonte do País a favor do imperialismo e do grande capital nacional a ele associado, passa, necessariamente, pela neutralização da resistência popular e para isso a repressão das direções políticas dos trabalhadores estará e já está na ordem do dia.