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Pernambuco: enquanto PCdoB pinta o governo do PSB de cor-de-rosa, PT descarta aliança com golpistas

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Em 2016, um golpe de Estado depôs a presidenta da República eleita por mais de 50 milhões de brasileiros, a petista Dilma Rousseff. O golpe, no entanto, foi o resultado de uma iniciativa do imperialismo, que não conseguia, diante das contradições existentes dentro do governo do PT, aprovar o pacote de medidas de massacre da população.

Apesar de o golpe ter partido única e exclusivamente do interesse do imperialismo, a imprensa golpista sempre culpou o PT por tudo o que aconteceu com ele. Assim, independente de o PT contra-atacar ou não, de tentar fazer algum acordo no parlamento ou não, de incentivar alguma reação violenta ou não, a burguesia sempre culpou o PT pela “alta temperatura” e por tudo o que estava acontecendo no país. Segundo a imprensa burguesa, o problema do país é que o PT é radical demais e não quer fazer uma autocrítica – isto é, tornar-se tão manso quanto o PSOL.

Em menos de uma ano após o golpe, que expulsou o PT do governo, que criou condições cada vez maiores para a prisão de Lula, que está promovendo um verdadeiro esmagamento nos sindicatos (sendo que a maioria dos sindicatos estão ligados ao PT) e que já aplicou uma quantidade absurda de multas ao Partido dos Trabalhadores, a imprensa burguesa começou a apontar o PSB como um partido “arrependido”. Isto é, o fato de o PSB não ter defendido Dilma durante o processo de impeachment teria sido um mero detalhe, um equívoco que seus caciques teriam cometido.

Essa versão, no entanto, nunca se sustentou. O PSB nunca se arrependeu do golpe – afinal, nunca fez qualquer campanha pela anulação do impeachment, sequer fez campanha contra a prisão do ex-presidente Lula. Pintou sua pomba de verde e amarelo e tentou, com todas as suas forças, tirar o vermelho das manifestações pelas “Diretas Já!”. Toda essa campanha direitista, obviamente, recebeu o maior apoio da imprensa burguesa, que criticava os atos da esquerda por serem “partidários”, entre outras sandices.

Com uma relativa aproximação das possíveis – embora improváveis eleições de 2018 –, tem sido feita uma pressão cada vez maior, em todo o país, para que o PT se alie ao PSB. Em Pernambuco, a pressão e a especulação é diária. Já houve até jornalista que dissesse que Paulo Câmara, atual governador de Pernambuco, estaria sendo cotado para ser o vice-presidente da República em uma capa encabeçada por Haddad. Contudo, os boatos mais frequentes são os de que o PT apoiaria a candidatura de Paulo Câmara à reeleição, enquanto o PSB apoiaria um candidato do PT ao senado.

A pressão e a especulação da imprensa, entretanto, não é o suficiente para que a burguesia convença o PT de Pernambuco a se aliar aos golpistas. É necessário convencer a base de que se aliar com o PSB seria uma aliança “contra Temer”. Para isso, os golpistas lançaram mão do PCdoB – o partido dito comunista, mas que defende aliança até com o PSDB.

O PCdoB tem sido um defensor muito fiel do PSB em Pernambuco. Não era para menos – o partido ocupa a vice-prefeitura da capital, comandada pelos golpistas. Na vinda de Manuela D’Ávila para Recife, governador e prefeito prepararam uma recepção calorosa para ela. Assim, com uma face mais esquerdista, o PCdoB também vem pressionando o PT para que não lute contra o golpe e ande de mãos dadas com os golpistas.

Apesar de toda essa pressão, o PT não demonstra qualquer tendência em se aliar com o PSB. Em recente entrevista à CBN, o presidente estadual do partido, Bruno Ribeiro, foi bem claro: o PT, em Pernambuco, tem uma posição reafirmada em não se aliar com o PSB.

O maior líder popular do país, eleito duas vezes presidente e principal figura pública do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, está na iminência de ser preso. A única forma de impedir isso é através de uma aliança com a classe trabalhadora e com os setores democráticos, organizados em comitês de luta contra o golpe, e não com partidos burgueses e oportunistas. Por isso, é necessário criar milhares de comitês pelo país, centrados nas palavras de ordem de “Não vai prender” e “Abaixo a intervenção militar no Rio de Janeiro”.

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