Especial Pelé 80 anos
Os feitos do negro Pelé, que tornaram o futebol brasileiro tri campeão mundial e elevaram a auto estima de povos negros no Brasil e pelo mundo aforane
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Rei Pelé | temas.folha.uol.com.br

O Atleta do século, Edson Arantes do Nascimento, nasceu na pequena cidade de Três Corações no dia 23 de outubro de 1940, para coloca-la aí no mapa do mundo. Filho de Dondinho, ex jogador de futebol e de Dona Celeste, Pelé teve a infância difícil como os brasileiros pobres de sua época, especialmente quando seu pai, logo após ser contratado pelo Clube Atlético Mineiro, em seu primeiro jogo teve uma grave lesão de joelho que o retirou para sempre do futebol, mas sua arte, anos depois se refletiria também no filho.

Nessa época Pelé e os irmãos usavam roupas de segunda mão e as vezes roupas costuradas de sacos de estopa de carregar farinha. Não tinham dinheiro para sapatos. Havia dias em que sua família tinha uma única refeição, que Dona Celeste fazia, pão com uma fatia de banana, complementada com arroz e feijão que um tio trazia. Sempre havia a preocupação sobre de onde viria a próxima refeição. No entanto, Pelé sempre enfatizou, “não passamos fome”.

A dura vida da família melhorou um pouco, quando seu pai conseguiu emprego em Bauru, em um armazém do dono do clube de futebol da cidade, o Bauru Atlético Clube e para o interior de São Paulo se mudou com toda a família.

Tal introdução vem com a intenção de demonstrar que o maior atleta de todos os tempos, assim como a escola do futebol arte brasileiro, escrita por milhares de outros artistas da bola, negros, pobres, humildes não vieram das belas casas da classe média abastada, nem da burguesia, vieram dos dribles, fintas, rodopios, chapéus, bicicletas que essa juventude sempre teve de dar na dura realidade humana do país.

Esta segunda parte do texto “Pelé, reconhecido no mundo, atacado no Brasil”, vem descrever a obra esportiva deste gênio da bola, através de fatos e citações de quem viveu esta época. Atleta e ídolo que elevou a auto estima de milhões de pessoas pobres como ele em sua infância e adolescência, em todo o mundo, especialmente nos países oprimidos pelo imperialismo em todo o mundo.

Além do Santos futebol Clube, Pelé também vestiu as camisas da Seleção Brasileira, do New York Cosmos, Vasco da Gama e do Clube de Regatas Flamengo, em amistosos, e a da seleção da Nigéria, quando promovia uma excursão do Fluminense no país africano, em 1978. Este fato é reconhecido até hoje por vários povos africanos, que tem em Pelé o reconhecimento da força de seus povos.

Essa devoção mundial começou na Copa de 1958, onde após surgir no Santos Futebol Clube, dois anos antes e no campeonato Paulista de 1958 marcar 58 gols em 38 partidas. A Copa realizada na Suécia iria ver pela primeira vez um país de outro continente vencer na Europa, algo inimaginável e abominável para a burguesia europeia. Ali, começaria o reinado do maior jogador de futebol de todos os tempos, o negro, Pelé.

Negritude que Pelé, em filme feito em sua homenagem, “Pelé Eterno” fez questão de enfatizar, o orgulho de ser negro, de ter nascido em uma família de negros.

Esse laço como um ídolo de povos negros começou na Copa da Suécia, que foi disputada por 12 seleções europeias, quatro sul americanas e nenhuma dos demais continentes.

O Brasil começou aquela Copa, em jogos sem muitos brios, mas a partir do meio da competição e de uma rebelião dos jogadores contra o técnico da seleção, as coisa começaram a mudar, antes fora da equipe titular da seleção alguns dos maiores jogadores daquela equipe, negros, como Didi, Garrincha e Pelé entraram na equipe e a partir de então comandaram o espetáculo na monarquia sueca, com jogos e goleadas memoráveis, como a vitória por 2×1 sobre o chamado futebol científico da URSS, do grande goleiro Yashin, a goleada da semifinal contra a poderosa França, do artilheiro da copa Just Fontaine, um sonoro 5×2 e pra finalizar novo 5×2 contra a seleção da casa, a Suécia, com estádio lotado e na presença do Rei Sueco Gustavo Adolfo. Esse foi o primeiro ato de quatro Copas, levando o Brasil em 1970 ao tricampeonato mundial.

Além disso a magia de Pelé andou pelos campos do Brasil e do exterior com o manto do Santos FC, bi campeão mundial em 62 e 63 destronando os maiores clubes europeus.

Esta história de maravilhas encantou milhões de pessoas e personalidades mundo afora, a seguir um pequeno levantamento de todo este período, com fatos e falas.

Quando em 1958 o Brasil conquistou seu primeiro título mundial de futebol, Pelé, o menino franzino de 17 anos, recebeu o cumprimento do rei Gustavo Adolfo, da Suécia. Não se constrangia diante de cabeças coroadas: “Um verdadeiro rei-embaixador”, diziam os cronistas.

Em 1969, uma guerra no Congo Belga parou temporariamente para ver um jogo do Santos de Pelé durante uma excursão ao país. Os conflitos entre forças das cidades de Kinshasa e Brazzaville ficaram em segundo plano. E a equipe santista foi obrigada a jogar nas duas cidades que se encontravam em cessar fogo, por conta da visita da equipe de Pelé.

Em 1972 o chanceler do governo militar brasileiro, Gibson Barbosa em viagem diplomática pela África pode constatar a força da imagem de Pelé, um nome mágico em todo o Continente, tão conhecido no Zaire, por exemplo, quanto o todo poderoso presidente Mobuto Sesse Seko. Em alguns países, como o Congo Brazzaville, é mais popular que seus governantes.

Em 1967, quando o Santos fez uma excursão pela África, um correspondente internacional assim descreveu a passagem de Pelé pelo Congo: “Dos 100 mil habitantes de Brazzaville, 60 mil estavam no Estádio da Revolução e os demais se colocaram junto aos aparelhos de televisão. O presidente da República, Alfonso Massamba Debat e seus ministros estavam nas tribunas. Boa parte da multidão não conhecia nem o presidente nem os outros. A Pelé, sim. Afinal, estavam todos lá exclusivamente para vê-lo.

O famoso “Gol de placa” aconteceu no Maracanã, diante do Fluminense, em 1961, quando Pelé driblou seis adversários. Pelo feito, o camisa 10 ganhou uma placa de bronze no estádio. A frase “Gol de placa” foi cunhada pelo jornalista Joelmir Beting, que estava presente no estádio. Ele decidiu que aquele gol merecia uma placa. Ele mesmo mandou confeccioná-la, de bronze, pagou do seu bolso e foi levá-la ao estádio, em nome do jornal em que trabalhava.

Em 1970, a revista Placar criou o prêmio Bola de Prata para os melhores jogadores do Campeonato Brasileiro. No entanto, Pelé foi excluído da premiação, sendo considerado hour concours.

Em 1961, Pelé fez 110 gols em 75 partidas pelo Santos. Neste ano, o futebol, a cidade e os atletas do Santos ficaram conhecidos no mundo inteiro. Era o auge do Santos e Pelé e seus companheiros impunham contagens humilhantes aos adversários: 9 a 1 contra o Bayer de Munique (Pelé fez três), 10 a 1 contra o Berschot (cinco de Pelé), 7 a 3 contra o Real Madrid de Puskas.

Um dos lances de homenagem mais espontânea a Pelé aconteceu na Cidade do México, na copa de 1970: “Hoje não trabalhamos. Vamos ver Pelé”, diziam os cartazes pregados nas ruas.

O meia-direita Amâncio, do Real Madrid, um dos jogadores mais famosos da Europa, expressou seu inconformismo com a despedida de Pelé dos campos de Futebol em 1972, desta forma: “Não pode ser, aos 32 anos, Pelé ainda está em grande forma para continuar sua carreira. Se ele desistir morrerá muito do futebol mundial”.

Outra declaração da época veio de Kubala, ex-jogador da seleção espanhola: ”É uma verdadeira lástima, porque Pelé não é apenas um maravilhoso jogador, mas também um símbolo. Se seu afastamento se consumar definitivamente todos quanto amamos o futebol sentiremos enorme tristeza. Além disso, Pelé sempre foi amigo de todos”.

A seguir declarações de personalidades e outros grandes atletas do passado e do presente:

“Posso ser um novo Di Stéfano, mas não posso ser um novo Pelé. Ele é o único que ultrapassa os limites da lógica”. Johan Cruyff ex-jogador holandês, vice campeão do mundo em 1974

“Você, meu grande Pelé, é um gênio completo, porque o seu futebol representa um reflexo imediato de sua cabeça nos seus pés. Eu não sou gênio, não. Eu tenho que pensar um bocado para que a mão transmita direito o que a cabeça lucubrou. Meus gols são mais raros que os seus. Você é com justa razão chamado o Rei. Quanto a mim, que rei sou eu?” – Vinicius de Moraes, poeta e compositor, em 1966, durante condecoração de ambos pelo governo francês.

“O maior jogador de futebol do mundo foi Di Stefano. Eu me recuso a classificar Pelé como jogador. Ele está acima de tudo”. Ferenc Puskas (1927-2006), ex-jogador húngaro, um dos dez melhores da História.

“Somos os maiores do mundo”. Muhammad Ali, o maior boxeador da História para Pelé.

“O difícil, o extraordinário não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé”. Carlos Drummond de Andrade, falecido, grande poeta brasileiro

“Íamos jogar na África, por exemplo. Aí descia o Pelé primeiro. Vinha uma multidão por todo lado, ficávamos esperando, aí descia todo o resto” – Zito, ex-jogador do Santos e da Seleção Brasileira.

“Ele devia ter uma estátua em cada estado do Brasil. O maior exemplo que tive na minha vida foi esse homem”. Rivellino ex-jogador do Corinthians, Fluminense e seleção brasileira

“O maior gol da minha vida eu marquei em tabelinha com Celeste: se chama Edson Arantes do Nascimento, Pelé”. Seu Dondinho falecido em 1996, pai de Pelé

“Foi o jogador mais completo que eu já vi” – Frans Beckenbauer, ex-jogador e craque alemão, jogou com Pelé no Cosmos de Nova York.

“Se Pelé não tivesse nascido homem, teria nascido bola”. Armando Nogueira falecido em 2010, jornalista e cronista esportivo

“Como se soletra Pelé? G-O-D”. The Sunday Times, jornal inglês

“Às vezes fico com a sensação de que o futebol foi inventado para esse jogador fantástico”. Sir Bobby Charlton, ex-jogador inglês capitão da seleção inglesa campeã do mundo em 1966

“No momento que a bola chega aos pés de Pelé, o futebol se transforma em poesia”. Pier Paolo Pasolini, cineasta italiano

“Como pessoa, não posso falar de Pelé, porque não o conheço e tudo o que sei dele é o que todos sabem. Mas é uma grande pessoa pelo que fez no futebol. Um dos maiores”. Messi, jogador do Barcelona da Espanha e da seleção Argentina

“É um menino, um garoto. Se quisesse entrar num filme da Brigitte Bardot seria barrado, seria enxotado. Mas reparem: é um gênio indubitável. Digo, e repito. Pelé podia virar-se para Michelangelo, Homero ou Dante e cumprimentá-los com íntima efusão: como vai, colega?” Nelson Rodrigues, escritor e jornalista, em 1958.

“O que se pode fazer é procurar quem é o segundo maior da história, pois Pelé está acima de todos”. Zico ex-jogador Flamengo e seleção Brasileira

“Esperamos em Londres a visita do incomparável Pelé” – Rainha Elizabeth II que o condecorou em 1997 como Cavaleiro do Império Britânico

“Quando vi o Pelé jogar, fiquei com a sensação de que eu deveria pendurar as chuteiras”. Just Fontaine, ex-jogador da seleção francesa em 1958, derrotada por 5×2 pela seleção canarinho de Pelé

“Quando o Pelé chegou no Santos, falaram que seria o melhor jogador do Brasil. Erraram, foi do mundo”. Pepe ex-jogador do Santos FC e da Seleção brasileira.

Tamanhos feitos que elevaram a auto estima de um povo, dos negros, dos pobres e de uma classe trabalhadora sofrida, tida internacionalmente antes de 1958, como uma nação sem feitos que merecessem reconhecimentos, devem ser lembrados e reconhecidos.

Salve Pelé!

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