80 anos do “rei”
Pelé é maior expressão do futebol arte, o maior futebol do mundo
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Tri campeonato em 70. | Reprodução.

Os 80 anos completados por Pelé no último dia 23 abre a possibilidade para a discussão sobre o desenvolvimento do futebol brasileiro e consequentemente no mundo todo. O futebol não seria o que conhecemos hoje não fossem os brasileiros e a transformação operada por eles no esporte. Pelé é a maior expressão dessa história.

A história do futebol no Brasil é a história da luta do povo trabalhador, em particular o negro, para se afirmar nesse esporte, inicialmente uma exclusividade da burguesia e da classe média alta. É óbvio que o branco burguês não permitiria com facilidade, apenas com “boa vontade”, a presença do negro e do pobre. Em resumo, para ter o seu lugar no campo, nos clubes e nos campeonatos, o negro precisou mostrar a sua qualidade. Mas não qualquer qualidade. Precisou mostrar que com a bola nos pés era superior ao branco. Por essa necessidade, foi obrigado a desenvolver um futebol diferente, mais surpreendente, imprevisível, que é o que na gíria do esporte é conhecido como futebol malandro, futebol moleque.

É dessa necessidade que se criou o que é mundialmente conhecido como futebol arte.

Embora até hoje ainda haja tal luta, uma vez tendo conquistado seu espaço, que veio definitivamente por meio da profissionalização do futebol, o futebol brasileiro se consolidou como o melhor do mundo. Essa evolução encontrou seu auge em Pelé e sua geração.

Não que o Brasil ainda não tivesse, nas décadas anteriores, atingido seu auge no esporte, mas faltava a perfeição e, a partir dela, a consolidação final.

A vitória na Copa de 58, a afirmação na Copa de 62 e a definitiva dominação com o tri em 70, apagou qualquer dúvida. Ou deveria ter apagado, já que as dificuldades do futebol brasileiro são enormes, por se tratar de um País atrasado.

Do ponto de vista do futebol, Pelé é a síntese de tudo o que o brasileiro havia criado no esporte. Ele é a expressão máxima da arte de jogar bola.

Por isso, o aparecimento de Pelé e sua geração tem a importância de ter consolidado o futebol brasileiro como o melhor do mundo.

O negro brasileiro havia conseguido a sua consolidação no futebol brasileiro. Restava ao brasileiro consolidar o seu domínio internacional. Essa tarefa coube à geração de Pelé, sob a liderança deste.

O jornalista Mário Filho, principal historiador do futebol brasileiro, explica que depois da consolidação do Brasil campeão do mundo, o racista futebol italiano passou a querer ter o seu Pelé. E por não poder ter o próprio Pelé, queria ter um negro em seus times, qualquer negro que lembrasse Pelé em seu modo de jogar.

E assim, o futebol brasileiro dominou o mundo.

Mas o mundo, ao mesmo tempo que reconhecia a superioridade do futebol brasileiro, tratou de, por meio dos grandes monopólios imperialistas colocar um freio nesse domínio.

Nunca foi nem nunca será concebível para os imperialistas europeus que um País atrasado como o Brasil domine o esporte mais popular do mundo, e portanto, mais lucrativo do mundo. O Brasil se tornou a Seleção e ser derrotada e como no futebol seria difícil derrotar o Brasil, é preciso usar de outros métodos.

O principal deles é convencer o próprio brasileiro de que sua superioridade não é uma realidade. É preciso, para isso, promover o Europeu e detratar os brasileiros.

E por isso que, por maior que seja a genialidade de Pelé e dos jogadores brasileiros, há uma enorme pressão contra o jogador. Há uma incessante propaganda de que Pelé não seria o melhor de todos os tempos. Ideia que é, encoberta com argumentos esquerdistas, reproduzida pela esquerda pequeno burguesa que ao invés de defender as conquistas dos trabalhadores e do negro brasileiro diante do imperialismo, contribui para detratar o futebol brasileiro.

Pelé é uma vítima dessa campanha cujo significado é: “brasileiro, não tenha orgulho de suas virtudes, não tenha orgulho de ser brasileiro”. Não se trata aqui de um problema superficial de patriotismo, mas de um nacionalismo que, nos países atrasados, ganha forma de luta contra o imperialismo.

Se o brasileiro não tem orgulho de sua própria cultura, de seus personagens nacionais, ele será mais facilmente dominado pelo imperialismo.

Pelé não deve ser avaliado como um político, nem como um teórico da sociedade. Pelé deve ser avaliado naquilo que ele fez e naquilo que ele efetivamente representa: o futebol.

E nesse quesito, pode-se contrariar o óbvio, cada um é livre para falar o que quiser – há hoje no Brasil gente que fala que a terra é plana – mas nós, que não estamos dispostos a nos deixar levar por qualquer opinião, não contrariamos o óbvio: Pelé é o gênio da arte do futebol, arte criada pelo povo brasileiro e que se tornou a maior expressão de nossa cultura para o mundo.

Pelé é o gênio que transformou o futebol em poesia, como disse o grande cineasta italiano Pier Paolo Pasolini. E esse poeta, o maior poeta do mundo nessa arte de jogar bola, é negro e é brasileiro, contrariando toda a máquina do poder econômico imperialista. Nesse aspecto, Pelé é a revolução no futebol, e apenas por isso sua importância é histórica para os trabalhadores de todo o mundo.

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