80 anos do “Gênio da Bola”
Pelé é a ponto mais alto da evolução do futebol, o jogador que melhor refletiu o melhor futebol do planeta, o brasileiro, que transformou o esporte em uma arte
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Pelé, o maior jogador da história | Foto: Arquivo Santos FC

No dia de hoje, 23 de outubro, Edson Arantes do Nascimento, o nosso Pelé, completa 80 anos de idade. Pelé foi o ponto mais alto da evolução do futebol arte, o maior representante do melhor futebol do mundo, um esporte que tomou sua forma atual na Inglaterra no final do século XIX.

Pelé foi o comandante da campanha do Tricampeonato Mundial de Futebol, trazendo a Copa do Mundo de 1958, 1962 e 1970, o que fez com que a Taça Jules Rimet ficasse em definitivo no Brasil. Foi o maior goleador de todos os tempos, marcando 1281 gols em 1363 jogos numa carreira que se iniciou em 1956 e foi encerrada em 1977.

Infância pobre

Pelé nasceu em Três Corações, Minas Gerais em 1940, filho de João Ramos do Nascimento, o Dondinho, jogador do Fluminense e Celeste Arantes. A família se mudou para Bauru, interior de São Paulo, em um ambiente de muita pobreza. Como não tinham dinheiro para comprar uma bola de verdade Pelé costumava jogar com uma meia recheada de jornais e amarrada com uma corda.

Ele ganhou seu apelido por causa da forma como pronunciava o nome de seu jogador favorito, Bilé, do Vasco da Gama. Após passar por várias equipes amadoras foi para o Santos Futebol Clube, levado pelo treinador Waldemar de Brito, que declarou para a diretoria do clube que o jogador de 15 anos seria “o maior jogador de futebol do mundo”. Pelé assinou seu contrato com o clube em junho de 1956.

Seu primeiro jogo pelo time ocorreu em 7 de setembro de 1956, contra o Corinthians de Santo André, marcando seu primeiro gol na vitória por 7 a 1. Na temporada de 1957 Pelé já era titular e com 16 anos de idade se tornou o artilheiro do campeonato. Apenas dez meses após se tornar profissional foi convocado para a Seleção Brasileira. No Campeonato Paulista de 1958 ele foi o artilheiro da competição com 58 gols, um recorde até hoje.

Pelé na Seleção

A primeira Copa do Mundo após a Segunda Guerra Mundial foi realizada em 1950, que foi a primeira a ser sediada no Brasil. Nesta ocasião o Brasil poderia ter sido o campeão, não fosse a traumática derrota na final para o Uruguai, em pleno Maracanã, por 2 a 1, um jogo que ficou marcado na história como o “Maracanaço”. Por esta época o Brasil já tinha o melhor futebol do mundo, mas foi atrapalhado por pressões políticas.

Na Copa de 1958 a equipe brasileira, dirigida pelo treinador Vicente Feola, já demonstrava toda a sua técnica e estilo tipicamente brasileiro, contra a truculência e a violência de times como o da União Soviética, famosa pelo seu preparo físico excepcional. A equipe brasileira contava com craques como Garrincha, Vavá, Bellini, Nilton Santos, Didi e o jovem Pelé. Por conta de uma lesão no joelho, Pelé estreou na Copa do Mundo apenas no terceiro jogo, justamente contra a União Soviética. Nessa partida ele deu uma assistência ao segundo gol de Vavá, sacramentando a vitória por 2 a 0. Pelé marcou o único gol da vitória contra o País de Gales nas quartas de final e marcou dois gols na final contra a França, onde o Brasil venceu por 5 a 2. O seu primeiro gol nesta partida, em que deu um chapéu em um zagueiro antes de chutar no canto da rede, se tornou um dos gols mais bonitos da história das Copas, visto e revisto por todos os fãs do esporte. A vitória do Brasil na Copa do Mundo de 1958 apenas consolidou aquilo que todos já tinham entendido: o futebol brasileiro não tinha concorrentes, sua superioridade era evidente para todos.

A imprensa proclamou Pelé a maior revelação da Copa, recebendo a Bola de Prata como o segundo melhor jogador do torneio, apenas atrás de Didi.

De volta ao Santos, Pelé continuou marcando muitos gols e ganhando títulos. Ele se tornou campeão da taça Libertadores da América em 1962 com o Santos, o primeiro clube brasileiro a conseguir essa façanha, vencendo na final o Peñarol do Uruguai. Nesse mesmo ano o Santos venceu a Taça Brasil e o Campeonato Brasileiro com 37 gols do craque.

A Copa de 1962

Na Copa do Mundo de 1962 Pelé já era considerado o melhor jogador do mundo. O Brasil venceu o México na estreia por 2 a 0 com um grande gol de Pelé, que driblou toda a defesa mexicana antes de derrotar o goleiro Carbajal. No segundo jogo, contra a Tchecoslováquia, Pelé acaba se contundindo após tentar um chute de longa distância. Infelizmente isso deixou o craque de fora do resto da competição. Seu substituto foi Amarildo. O grande craque da competição foi Garrincha, ajudado por outros grandes craques como Vavá, Zito, Nilton Santos, Djalma Santos, Didi, Zagallo e Pepe.

A Copa do Mundo de 1966 ficou marcada pela extrema violência dos times adversários como forma de parar o futebol arte brasileiro. A Seleção Brasileira foi eliminada na primeira fase após perder para Hungria e Portugal. Pelé foi o alvo principal dos adversários, que acabou se lesionando após duas entradas violentíssimas do português Morais, que não recebeu nem mesmo uma advertência pelo juiz inglês George McCabe.

Na ocasião o presidente da CBF, João Havelange, denunciou que dos 9 árbitros das três partidas (três juízes e seis bandeirinhas), sete deles eram britânicos, e que deliberadamente não coibiram a violência explícita contra os jogadores brasileiros, que contundiu cinco brasileiros em apenas três partidas. Obviamente a Copa de 1966, disputada na Inglaterra, teria que ficar com o anfitrião, por todos os meios possíveis. Outra prova é que as outras seleções latino americanas como a Argentina e o Uruguai também foram eliminadas nas primeiras fases com arbitragens polêmicas, deixando livre o caminho para a conquista da Copa pelo país imperialista.

O triunfo brasileiro em 1970

Com o fracasso na Copa de 1966 a Seleção Brasileira voltou a participar das eliminatórias para o torneio de 1970. Disputou uma das três vagas da América do Sul com a Colômbia, Venezuela e Paraguai, que estavam no grupo B do torneio. A participação brasileira foi impecável, vencendo todas suas seis partidas e marcando 23 gols e tomando apenas dois. A Seleção estava sendo dirigida por João Saldanha, um comunista declarado. Esta sua posição política acabou sendo um fator de atrito com o regime militar que dominava o governo brasileiro. Mesmo com a campanha irretocável do time nas eliminatórias ele acabou sendo sacado da Seleção apenas alguns meses antes do início da Copa.

A Seleção, mais uma vez, se colocava sob a pressão dos políticos e da imprensa burguesa, o que levou o cronista Nelson Rodrigues a pedir que a Seleção fosse embora logo fazer sua preparação no México, para ficar longe dessas pressões.

A Copa de 1970 trouxe a consagração definitiva do futebol brasileiro. Esta Copa foi disputada no México e trouxe uma nova geração de jogadores como Roberto Rivelino, Jairzinho, Carlos Alberto Torres, Gérson, Tostão e Clodoaldo, que junto com o agora veterano Pelé, se consagrou como o maior time de futebol de todos os tempos. O Brasil venceu todas as suas partidas, coroando o título batendo a Itália na final por 4 a 1. Pelé recebeu a Bola de Ouro como o maior jogador do torneio.

Antes disso, em 19 de novembro de 1969, Pelé cravou definitivamente seu nome nos livros de história, marcando o milésimo gol de sua carreira. O espetáculo aconteceu no Maracanã, no jogo do Santos contra o Vasco da Gama, onde o Santos venceu por 2 a 1. A vítima foi o goleiro Andrada, que não conseguiu defender o pênalti cobrado pelo rei do futebol. Pelé foi ovacionado pelo público presente e ao final da partida fez uma volta olímpica pelo estádio.

Pelé se despediu da Seleção Brasileira em 18 de julho de 1971 jogando contra a Iugoslávia no Rio de Janeiro. Com a Seleção ele conseguiu 67 vitórias, 14 empates e 11 derrotas. E a Seleção nunca perdeu um jogo com Pelé e Garrincha presentes em campo. Tudo isso realizado por uma seleção de um país de desenvolvimento capitalista atrasado, que teve extremas dificuldades para lutar contra o imperialismo que tentou de todas as formas esmagar este que se tornou o esporte mais popular do planeta.

Além de se tornar um tricampeão mundial jogando pela Seleção Brasileira Pelé acumulou também dois títulos da Libertadores da América e o campeonato mundial (em 1962 e 1963), cinco títulos da Taça Brasil (61 a 65), Taça Roberto Gomes Pedrosa (1968), cinco vezes campeão do Torneio Rio-São Paulo (59, 63, 64, 66, 68) e dez vezes campeão paulista (58, 60, 61, 62, 64, 65, 67, 68, 69, 73), um total de 59 títulos em 21 anos de carreira, um feito nunca repetido por nenhum outro jogador.

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