Boulos x Augusto Nunes
Pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PSOL decidiu processar Augusto Nunes por chamá-lo de “estuprador do direito de propriedade”
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Augusto Nunes | Foto: Reprodução/Jovem Pan

Na tarde desta terça-feira (11), o pré-candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, anunciou, por meio das redes sociais, que irá processar o jornalista Augusto Nunes. Essa é a segunda vez que Boulos processa o colunista da Revista Veja e comentarista da Jovem Pan.

O primeiro processo de Boulos contra Augusto Nunes foi ganho em 2019. Na época, o jornalista teve de pagar R$19,8 mil reais por ter difundido “fake news” contra o coordenador do MTST. Augusto Nunes havia dito que Boulos “cobrava aluguel” nas ocupações de sem teto. Dessa vez, Boulos prometeu processar Augusto Nunes por ter lhe chamado de “estuprador do direito de propriedade”.

É público e notório que Augusto Nunes é um fascista. Um dos jornalistas de extrema-direita mais raivosos durante a campanha da direita a favor do golpe de 2016. Não bastasse sua campanha intensa, inclusive na televisão, pela criminalização do PT e da esquerda em geral, Augusto Nunes chegou a agredir Glenn Greenwald, conhecido por divulgar uma série de mensagens comprometedoras sobre a Operação Lava Jato. No entanto, cabe perguntar: o que, efetivamente, a esquerda tem a ganhar processando um jornalista de extrema-direita?

A resposta é simples: absolutamente nada. No primeiro caso, Boulos ganhou alguns milhares de reais. Bom para ele, inútil para os trabalhadores. E pior ainda: o processo foi contra a liberdade de expressão do comentarista — a condenação por “fake news” aparece apenas como uma maneira de encobrir o caráter reacionário dessa posição de Boulos. Ora, se Boulos deu aval para a Justiça sair censurando as pessoas pelo que falam, acabou de dar motivos para que Augusto Nunes processe este diário por chamá-lo de fascista, por exemplo. Ou seja, a indenização de Boulos, que é inferior a um salário de um colunista da imprensa burguesa, terminou saindo bem barato para Augusto Nunes, mas poderá sair bastante caro para a esquerda e para o movimento operário.

O segundo processo, inclusive, é ainda pior do que o primeiro. Afinal, o julgamento sobre Boulos cobrar ou não aluguéis é algo concreto, trata-se de um fato: se Augusto Nunes conseguir levantar provas de que ele cobra aluguéis, está provado um crime — estelionato —, se ele não conseguir, a acusação, por falta de provas, perde sua validade. No segundo caso, já não estamos mais discutindo fatos, mas apenas uma caracterização — tipicamente fascista — de como Augusto Nunes enxerga o movimento sem teto. Quantas e quantas declarações de dirigentes da esquerda e do próprio Boulos não poderiam ser enquadradas, sob esse critério, em declarações criminosas?

Quais as conveniências de Boulos para processar Augusto Nunes, não sabemos. Mas podemos afirmar tranquilamente que essa política favorece apenas o Estado, que aumenta seu poder de censura. E como o Estado é dominado pela burguesia, isso será utilizado, inevitavelmente, contra o povo e suas organizações.

Se o objetivo de Boulos é combater o fascismo, há uma maneira muito mais eficaz: mobilizar os trabalhadores para varrer a extrema-direita das ruas. Isso, curiosamente, Boulos não quis fazer. Pelo contrário: sua participação nos atos pelo Fora Bolsonaro se deu para dispersar os atos, dando-lhes um caráter confuso e direitista que acabou por enterrar o movimento das torcidas organizadas.

Esse fato mostra que o que Guilherme Boulos quer, no final das contas, não é combater o fascismo. E isso não é uma questão moral: Boulos, pela posição que ocupa, é um representante da esquerda na “frente ampla”. Isto é, integra um setor da esquerda que, pressionado pela situação política, parte para uma política de colaboração direta com o regime político. Justamente por ser um elemento avulso, pouco vinculado à classe operária, Boulos assinou uma série de manifestos e participou, até mesmo, de “atos” junto da direita golpista. Como um típico representante da esquerda pequeno-burguesa, não vê outra via para confrontar a extrema-direita que não sejam as instituições burguesas.

Da mesma maneira que a Justiça irá utilizar o poder de censor para perseguir a esquerda, os golpistas com quem Boulos se alia — como Fernando Henrique Cardoso — não perderão a oportunidade de atacar os trabalhadores em favor dos predadores capitalistas. É por isso que a luta contra o fascismo só pode se dar nas ruas, sem qualquer aliança com a direita. A extrema-direita deve ser combatida nas ruas, pelas mãos da classe operária organizada, por meio de sua mobilização independente. À palavra de ordem de “frente ampla”, é preciso responder com a palavra de ordem de “frente única” da esquerda e das organizações do povo para esmagar o fascismo, e não processá-lo judicialmente.

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