MST
PE: militantes acampam em defesa do centro Paulo Freire
No início de setembro, um juiz da 24ª Vara Federal de Caruaru ordenou que o Centro Paulo Freire fosse despejado. Em resposta, o MST montou um acampamento no local.
Normandia
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PE: militantes acampam em defesa do centro Paulo Freire
No início de setembro, um juiz da 24ª Vara Federal de Caruaru ordenou que o Centro Paulo Freire fosse despejado. Em resposta, o MST montou um acampamento no local.
Acampamento no terreno do Centro de Formação Paulo Freire. Foto: Diário Causa Operária
Normandia
Acampamento no terreno do Centro de Formação Paulo Freire. Foto: Diário Causa Operária

Maior escola destinado à formação política do MST no Nordeste, o Centro Paulo Freire se encontra a poucos dias da data limite para que seja despejado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que se encontra sob o comando do governo Bolsonaro. A ordem de despejo, autorizada por um juiz da 24ª Vara Federal de Caruaru, se baseia em uma ação protocolada em 2008 pelo Incra e prevê o uso de força policial para garantir a reintegração ao instituto bolsonarista. Diante da ameça iminente da reintegração de posse, o MST decidiu montar um acampamento no terreno do Centro Paulo Freire e convocar toda a militância da luta contra o golpe para impedir que o Incra tenha sucesso em mais um ataque contra os trabalhadores do campo.

O Centro Paulo Freire fica em um dos mais importantes terrenos conquistados pelo MST na década de 1990: o assentamento de Normandia, que possui cerca de 569 hectares e fica na cidade de Caruaru, no Agreste Pernambucano. No dia primeiro de maio de 1993, quando estava sendo celebrado mais um dia do trabalhador, o MST liderou a ocupação da antiga Fazenda Normandia. Em 1997, a ocupação se tornou assentamento. Em 199, era erguido o Centro Paulo Freire, em um terreno com um total de 15 hectares – terreno esse que está sofrendo o risco de ser apropriado pelo Incra bolsonarista.

A escolha do Centro Paulo Freire como alvo do Incra é um ataque estratégico por parte do governo Bolsonaro. Ao atacar o centro, a direita está atacando o MST e um de seus princpais assentamentos, atacando o trabalho de formação política feito pela esquerda aos longos dos anos no local e a própria memória de Paulo Freire, sistematicamente atacada pela direita golpista. Segundo relatos, o funcionário que veio notificar o MST sobre a ordem de despejo teria dito: “agora vai acabar a formação desses comunistas”.

O acampamento erguido no terreno do Centro Paulo Freire, que teve início no dia 14 de setembro, vem reunindo militantes de todo o Estado e até mesmo de outras partes do país. Figuras como João Pedro Stédile, da direção nacional do MST, e Fernando Ferro, membro histórico do Partido dos Trabalhadores, já estiveram no acampamento discutindo com os militantes ali presentes. No dia 27 de setembro, uma plenária pela liberdade de Lula atraiu militantes de todo o Nordeste para o acampamento.

Os militantes do PCO também estão presentes no acampamento no Centro de Formação Paulo Freire, impulsionando a campanha pela liberdade de Lula e pela derrubada do governo Bolsonaro, convocando o ato nacional em Curitiba no próximo dia 27 e se colocando à disposição para a defesa, até as últimas consequências, do terreno. No próximo sábado (5), o acampamento receberá a “Escola Marxista” do PCO, que realizará o curso sobre o programa para a revolução socialista nos dias de hoje.

Veja abaixo as fotos do acampamento no Centro de Formação Paulo Freire: