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PDT vota a favor do trabalho escravo
CIRO GOMES EM BELÉM.
CIRO GOMES EM BELÉM.

Mais um ataque vil e devastador aos trabalhadores brasileiros e à legislação trabalhista em vigor no país foi levada a efeito pela “casa do povo”, o covil de bandidos com “anel de doutor” que atende pelo nome de Câmara dos Deputados. Na última terça-feira, dia 13 de agosto – dia nacional de protesto e luta em defesa da Educação e pelo “Fora Bolsonaro” – o plenário da Câmara Federal votou o texto da Medida Provisória (MP) da “Liberdade Econômica”, um conjunto de medidas que, na prática, são complementares à reforma trabalhista do vice golpista Michel Temer, promulgadas em novembro de 2017.

Objetivamente, a MP da “Liberdade Econômica” se coloca como uma nova minirreforma, pois aprofunda os ataques e a ofensiva do governo e dos exploradores ao conjunto de direitos e conquistas assegurados na CLT, violando abertamente os dispositivos legais que garantiam ao trabalhador, ainda que só formalmente, conquistas arrancadas aos patrões em lutas históricas da classe trabalhadora brasileira.

No plenário, os mesmos criminosos que há cerca de 1 (um) mês surrupiaram a previdência pública e a aposentadoria de milhões de brasileiros, quando aprovaram o texto base da “reforma”, numa das maiores operações de rapina e de transferência da poupança pública para o bolso dos capitalistas, os banqueiros que, a partir de agora, passarão a dizer com quanto cada aposentado e pensionista do país irá sobreviver. Isto é, se a maioria conseguir sobreviver, depois de tamanho assalto.

No que diz respeito aos posicionamentos em plenário, o Partido Democrático Trabalhista (PDT), depois de colaborar com os carrascos golpistas entregando a previdência pública aos banqueiros, proporcionou mais um espetáculo digno das piores quadrilhas que dominam há décadas a política nacional. O partido do ex-presidenciável Ciro Gomes e da deputada federal Tábata “Lemann” Amaral novamente se associou às máfias parlamentares da direita congressual para desfechar mais um golpe nos trabalhadores.

E desta vez o PDT nem mesmo para fazer demagogia se prestou, pois sequer orientou a bancada a votar contra a MP, ainda que saibamos que entre os “esquerdistas” do PDT cada parlamentar faz o que bem entende e quer. Dos seus 23 deputados – todos presentes em plenário – nada menos do que 15 votaram a favor da famigerada MP, que prevê, dentre outros ataques à legislação trabalhista, a liberação do trabalho aos domingos, fazendo recrudescer, na prática, o trabalho escravo no país. Há dispositivos também na tal MP que cria dificuldades na fiscalização de abusos no trabalho, favorecendo abertamente a patronal. Isso sem falar em outros pontos que representam um brutal ataque aos direitos e conquistas dos trabalhadores.

A conduta da bancada pedetista em mais essa ofensiva da direita, da burguesia golpista e do imperialismo contra o que ainda resta de direitos dos trabalhadores joga definitivamente o partido na vala comum do que há de pior e mais nefasto na política burguesa nacional. A postura do PDT em nada se diferencia, antes se iguala aos inimigos e verdugos dos trabalhadores brasileiros, da população pobre e explorada do país, neste momento completamente a mercê de todos os ataques e vilanias dos golpistas e do regime burguês contra as suas mais elementares condições de vida.

O que aconteceu terça-feira, dia 13, no plenário da Câmara Federal deve servir como reflexão para (re)orientar a política da esquerda nacional, neste momento completamente desorientada sobre qual o caminho a ser seguido na luta contra o governo Bolsonaro. A “frente progressista”, que vem sendo ensaiada pelo ex-candidato presidencial Fernando Haddad como estratégia para enfrentar Bolsonaro e os golpistas, não abre qualquer mínima perspectiva de êxito, não só porque se trata de uma “frente” puramente eleitoral, criada para disputar as eleições de 2022, mas principalmente porque engloba representantes dos partidos que estão endossando todas as mais reacionárias medidas de Bolsonaro e Paulo Guedes contra o país e os trabalhadores. O PDT e também o PSB, convidados de Haddad para a “frente”, entregaram votos tanto para a “reforma” da Previdência quanto agora para a MP da “Liberdade Econômica”, deixando claro o seu papel de força auxiliar, uma espécie de “puxadinho” da direita e da extrema direita parlamentar.

A luta contra o governo natimorto do ex-capitão fascista somente poderá ser exitosa se estiver orientada por uma estratégia que priorize a ação de massas, a luta popular, as mobilizações, a ocupação das ruas em todo o país e não à adaptação ao calendário institucional da burguesia, do regime político burguês dominado pelos golpistas, pela extrema direita, pelos militares reacionários e pelo imperialismo.