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O apoio do governador Camilo Santana do PT ao candidato de Ciro Gomes, coligado com todos os partidos da direita golpista, deixa clara a manobra
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Camilo Santana e Ciro Gomes | Arquivo

A configuração das eleições em Fortaleza mostram bastante claramente como se constitui a manobra da frente ampla.

Já não deveria ser segredo para ninguém os principais objetivos da frente ampla. Uma manobra política, coordenada pelos setores tradicionais da direita golpista – PSDB, DEM, MDB – para colocar a esquerda a reboque de um candidato direitista em 2022. Para tanto, a principal tarefa dos articuladores da frente ampla é isolar o ex-presidente Lula, única personalidade popular no País e assim conseguir forçar entre setores da esquerda pequeno-burguesa, um apoio a um nome da direita tradicional, usando Bolsonaro como espantalho.

Dito em linhas gerais, a frente ampla é uma aliança da esquerda pequeno-burguesa com a direita golpista, sem Lula. A presença do ex-presidente inviabiliza tal operação pois sua popularidade “naturalmente” polariza a situação política para seu lado.

Nesse sentido também é parte da campanha dos que defendem a frente ampla a busca por neutralizar a polarização política no País. Uma operação complexa e em grande medida inócua já que a situação evolui para os dois polos políticos. Na realidade, fundamentalmente, a direita golpista quer aprofundar os ataques contra o povo, sem precisar apoiar um nome como o de Bolsonaro, um elemento de extrema-direita avulso.

Alguns analistas, cegos ou mal intencionados, afirmam que a frente ampla não existe, ou pelos menos,, que ainda não existe na prática. Nada poderia ser mais falso. Tais articulações acontecem a todo vapor e as eleições municipais têm sido um verdadeiro laboratório das manobras da burguesia visando à eleição presidencial.

Este Diário vem analisando cuidadosamente o caso de São Paulo, em que a candidatura de Guilherme Boulos – um defensor da frente ampla na esquerda – tem sido promovida como forma de isolar o PT e criar melhores condições para que o PSDB opere uma transferência de votos para o candidato Bruno Covas, usando o bolsonarista Celso Russomano como espantalho.

Mas um caso bastante exemplar da frente ampla está em Fortaleza. A própria imprensa anuncia que existe uma polarização política entre a candidata Luizianne Lins do PT, que já foi prefeita duas vezes, e o bolsonarista Capitão Wagner (PROS). Correndo “por fora” há o candidato do PDT de Ciro Gomes, José Sarto, numa coligação com PSDB, DEM, PSD, PSB, PP, PTB, PL, Cidadania e Rede. O candidato de Ciro Gomes conta ainda com o apoio do governador do Ceará, Camilo Santana, que mesmo sendo do PT, é mais cirista do que petista.

Ai está, diante de nossos olhos, a frente ampla constituída na prática e mais ainda, procurando cumprir, em Fortaleza, a função que pretende cumprir nacionalmente.

Não é segredo que Camilo Santana, embora formalmente do PT, é um aliado de Ciro Gomes. No PDT, Ciro é um dos grandes entusiastas da frente ampla, pleiteando ser o nome direitista que poderá unificar a direita golpista para as eleições presidenciais. Camilo Santana, da ala direita do PT, está entre os membros do partido que defende a política de frente ampla. Nesse setor se encontram também Fernando Haddad, Rui Costa, governador da Bahia, e outros.

O candidato do PDT em Fortaleza, portanto, unifica toda a direita procurando se tornar uma alternativa à polarização política, o que significa, na prática, que a manobra consiste em isolar a candidata petista e se apresentar como alternativa ao candidato bolsonarista. Dessa maneira, arrastando a esquerda atrás de um candidato da direita golpista, da frente ampla.

Esse é o desejo da direita golpista com a frente ampla. Colocar a esquerda a reboque de um candidato direitista, sem o PT, ou melhor dizendo, sem Lula.

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