PDT não é de esquerda: irmão de Ciro ataca o PT e candidatos apoiam Bolsonaro

Presidential candidate Ciro Gomes of the Democratic Labour Party (PDT), casts his vote in Fortaleza

O golpe de Estado de 2016 permitiu que os trabalhadores enxergassem com maior clareza quem são seus aliados e quem são os oportunistas e demagogos que pretendem submeter o movimento operário aos interesses da burguesia. Pouco a pouco, foi se formando, no interior do Regime Político, um grupo de elementos que querem acabar com todos os diretos trabalhistas e escravizar a população e outro que, mais ou menos consciente dos ataques, procurou resistir.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) perceberam a ofensiva direitista e se mobilizaram antes mesmo de o golpe acontecer, defendendo o Governo eleito democraticamente. Outros setores de menor protagonismo na luta política também procuraram se somar à mobilização contra o golpe de Estado.

Houve setores, no entanto, se infiltraram na esquerda como verdadeiros sanguessugas. Ciro Gomes, Humberto Costa, Kátia Abreu, Renan Calheiros, Armando Monteiro e muitos outros fizeram o que estava a seu alcance para submeter as organizações de esquerda aos seus interesses mesquinhos.

A tendência natural dos trabalhadores e dos demais explorados é, na medida em que o golpe se intensifica e os inimigos de classe são desmascarados, pôr abaixo o Regime Político. O Judiciário, a Polícia Federal, o Ministério Público, a Polícia Militar – tudo que diz respeito ao Estado, em resumo, é controlado pela burguesia e não merece sobreviver. E a função desses oportunistas tem sido justamente impedir que as massas efetivamente se choquem com o Regime.

O Partido Democrático Trabalhista (PDT) tem sido um dos atores mais importantes na sabotagem da luta contra o golpe. Supostamente apoiador dos governos petistas, o partido só votou contra o impeachment de Dilma Rousseff porque fez uma série de exigências às lideranças do PT. Em nenhum momento, o PDT esteve de fato preocupado com o golpe de Estado: seus membros votaram contra o impeachment apenas para manter alguns cargos e para ganhar algum prestígio popular.

Quando a luta contra o golpe demandou, de maneira mais explícita, a mobilização dos trabalhadores – que é a única ferramenta efetiva capaz de barrar a direita -, o PDT sempre se opôs. Quando os trabalhadores sentiam confiança na liderança de Lula e estavam dispostos a lutar até as últimas consequências pelos seus direitos, o PDT sempre veio criticar a “polarização política” e procurou arrefecer a situação, exigindo um diálogo entre “direita e esquerda”.

O oportunismo do PDT se tornou ainda mais evidente quando este foi tomado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes. Representantes antigos da burguesia, os irmãos Gomes conduziram o PDT a uma série de decisões profundamente direitistas. Entre elas, a aprovação da intervenção militar no Rio de Janeiro.

Ciro Gomes, uma vez candidato a presidente, decidiu militar, dia e noite, contra o ex-presidente Lula. Cada vez mais agressivo em suas falas, Ciro Gomes terminou sua campanha culpando Lula por praticamente todos os problemas do Brasil. Ao perceber que não teve votos para o segundo turno, Ciro viajou para a Europa, de modo que pôde dar uma “desculpa” para não apoiar o candidato petista, Fernando Haddad.

Cid Gomes também se dedicou a atacar o PT. Em um comício, o irmão de Ciro Gomes insistiu em criticar o PT e ainda ridicularizou o fato de a maior liderança petista ser um preso político.

As atitudes dos irmãos Gomes já seriam suficientes para demonstrar que o PDT é um partido inimigo dos trabalhadores, sabotador da luta contra o golpe. Contudo, um acontecimento dessa semana reforçou ainda mais o caráter completamente reacionário desse partido: em três Estados, o PDT decidiu apoiar a candidatura de Bolsonaro.

O PDT é um bom exemplo de que não há qualquer viabilidade de uma “frente democrática” entre os trabalhadores e setores da burguesia. A luta cotra o golpe precisa ser dirigida pela classe operária, isto é, a única verdadeiramente interessada em romper com os golpistas. Liberdade para Lula! Fora Bolsonaro! Abaixo o golpe!