PCO retira candidatura própria para apoiar Lula

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No último sábado, 12 de maio, durante a análise política da semana, o companheiro Rui Costa Pimenta, presidente Nacional do Partido da Causa Operária, explicou os motivos da decisão do partido em apoiar integralmente a candidatura do ex presidente Lula, pelo Partido dos Trabalhadores. Realizou também um chamado para todos que apoiam a candidatura de Lula a participar da Conferência Nacional Aberta para definir os rumos de ação em apoio à candidatura do PT.

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“A segunda questão que eu queria destacar aqui tem a ver com o nosso próprio partido, o Comitê Central do Partido da Causa Operária, o Comitê Central Nacional se reuniu no domingo passado para analisar a situação política nacional fez uma reunião ampliada com cerca de 40 companheiros, ou seja os membros do comitê central e lideranças regionais de aproximadamente de 15 estados do país, e tomaram uma decisão importante do ponto de vista geral não é nenhuma surpresa mas é uma decisão importante, formalizando a decisão de que o PCO não vai lançar candidato a Presidência de República, como nós fizemos nas últimas quatro eleições e vamos apoiar a candidatura do ex presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva. Sobre esse apoio nós precisamos esclarecer duas ou três coisas, primeiramente que o apoio é incondicional da parte do PCO, o que significa isso? Significa que nós não vamos exigir nem do PT nem do ex presidente da República nada para apoiá-lo, nós vamos apoiá-lo e ponto. Por exemplo o PT vai escolher um vice em algum momento para a candidatura do Lula, nós vamos ser favoráveis a esse vice? Possivelmente não, mas nós não vamos exigir que o Lula tenha um vice A, B ou C pra que nós o apoiemos, não vamos exigir que o Lula tenha nem total, nem parcialmente nosso programa para apoiá-lo. Quer dizer nesse sentido é um apoio que vem sem condições. Por outro lado, para algumas pessoas pode parecer meio paradoxal mas é perfeitamente lógico, o nosso apoio é um apoio crítico, quer dizer nós não apoiamos o candidato a presidente do PT, apoiando tudo aquilo que ele faz. Nós temos inúmeras divergências com o PT, com o próprio Lula e nós vamos deixar essas divergências patentes, lógico que de acordo com a oportunidade, não vamos fazer como determinadas pessoas que falam que vão apoiar alguém e na verdade aproveitam o apoio simplesmente para lançar aquela enxurrada de críticas contra o suposto apoiador, que é o apoio do amigo da onça. Não, nós vamos apoiar o Lula efetivamente, nós estamos a favor da liberdade dele, se houver eleições, se ele for candidato, se ele conseguir passar por toda rede de maracutaias que existe, nós vamos trabalhar para que ele seja eleito. Nós não estamos dando um apoio para ter a oportunidade de dar uma facada nas costas do Lula, como muita gente fez até agora. Mas o PCO tem o seu próprio programa e nós vamos apoiar o Lula em nome do nosso programa e não em nome do programa do PT. Isso deve levantar na cabeça de muitas pessoas uma certa dúvida: como é que o PCO pode apoiar o Lula em nome do seu programa se o Lula tem um programa próprio, que sentido faz falar que você está apoiando o Lula em nome do seu programa? Na realidade a questão é relativamente simples: nós consideramos que a candidatura do companheiro Lula serve ao nosso programa, embora ele tenha outro programa distinto. O nosso programa o que que é: mobilizar as massas, por um programa que inclui como questão central um governo de trabalhadores e como reinvindicações gerais de transição, a expropriação de determinados monopólios, estatização de determinadas empresas, fim do monopólio das comunicações, estatização dos bancos em geral e a constituição de um banco estatal único. Então embora o Lula não tenha esse programa, nós acreditamos que a mobilização em torno da candidatura dele, favorece a realização desse programa. É uma contradição da realidade, é um fato da realidade. Então nós estamos apoiando o Lula, lutando por esse programa. Nós achamos que se houver uma grande mobilização em torno do Lula, que é uma mobilização contra o golpe, essa mobilização será uma mobilização contra a entrega do país ao capital estrangeiro, quer dizer a candidatura do Lula permite a evolução da consciência das massas no sentido dessa luta, é uma luta contra os bancos, é uma luta em defesa por exemplo da Petrobrás, é uma luta contra o monopólio das comunicações, e tudo mais. Quer dizer, a candidatura do Lula não se opõe, antes favorece, a luta pelo programa que nós consideramos o mais correto. Nós achamos inclusive que uma boa parte dos apoiadores de Lula, que não são do PCO, concordam integralmente ou em parte com o programa que nós defendemos. Então é nesse sentido que nós damos um apoio crítico, nós vamos lutar pela candidatura do Lula, se as eleições se confirmarem e tudo mais, mas vamos lutar com um programa revolucionário, socialista, definido. Esses esclarecimentos são importantes porque existe muita confusão na esquerda. Muita gente acha que numa eleição você só poderia apoiar um candidato que concordasse 100% com seu programa, isso não é fato. Nós queremos lembrar inclusive todas as pessoas que estão assistindo, que o PCO esteve dentro do PT, apoiou a candidatura do Lula em 89 da mesma maneira que nós estamos apoiando hoje, com seu próprio programa, a nossa palavra de ordem na época era “Vote Lula por um governo dos trabalhadores”, sendo que o próprio Lula tinha dito que não iria fazer um governo dos trabalhadores, mas era uma palavra de ordem muito bem recebida, entre todos os apoiadores da candidatura de Lula. Apoiamos o Lula em 1994 e em 1998, não apoiamos a candidatura de Lula em 2002, porque nós consideramos que essa candidatura naquele momento era um acordo já com a burguesia que tinha se colocado frontalmente contra a candidatura dele nos anos anteriores. Então que a política mais correta era se delimitar para defender esse mesmo programa, porque em todas as eleições nós defendemos o mesmo programa político. A mesma coisa aconteceu em 2006, 2010 e 2014, nós não votamos no PT nem no primeiro nem no segundo turno, pelo mesmo motivo. Apesar de que em 2014 nós alertamos que o governo estava ameaçado de ser derrubado por um golpe de estado, mas fizemos um esclarecimento que não seriam as eleições, não seria o apoio eleitoral que iria resolver isso, que para derrubar o golpe de estado era preciso uma mobilização nas ruas e que o voto do PCO não alterava o resultado eleitoral geral. Então esse é o pano de fundo da questão eleitoral, nós temos que destacar que nesse momento o Lula está preso, ele está em oposição a burguesia no seu conjunto, nós vimos por exemplo que a derrubada do Lula não foi, embora haja muita tentativa de ocultar esse fato, não foi obra, de um político de um partido, um dos grandes centros, senão o grande centro de mobilização para a derrubada do governo Dilma Rousseff, foi a própria FIESP em São Paulo, quer dizer, a maior organização de empresários do país. O que denota que o conjunto da burguesia, se voltou contra o PT. A burguesia havia tolerado em maior ou menor grau os governos do PT e num dado momento decidiu que era hora de acabar com esses governos, quer dizer, esse apoio da FIESP à derrubada da Dilma, apoio ou não porque na verdade um dos grandes organizadores da derrubada da Dilma foi a própria FIESP, a campanha do pato todo mundo se lembra, foi um aspecto essencial da campanha golpista. Então nós consideramos que a candidatura do Lula nesse momento se opõe a toda burguesia, logicamente que ele, como fez em oportunidades anteriores, ele pode buscar o apoio de determinados setores da burguesia, mas a tendência é ao isolamento. Nós vamos falar disse aqui, é uma parte importante da nossa análise esse problema do isolamento, do enfrentamento do Lula com a burguesia. A reunião de domingo adotou também, uma outra resolução que é muito importante, que é a realização de uma Conferência Nacional Aberta, de todos os setores que tem a mesma opinião que nós, ou seja, que a única coisa que faz sentido do ponto de vista eleitoral é apoiar a candidatura do Lula, que outras alternativas não fazem sentido, nós vamos procurar explicar mais uma vez aqui, com maior profundidade, com os dados dos últimos acontecimentos porque é que apoiar as outras candidaturas não fazem sentido nenhum. Algumas pessoas tem expressado essa política nossa com o slogan “É Lula ou nada”, o que está correto, nada no sentido de candidatos, nós vamos explicar bem isso e vamos explicar também o sentido da Conferência Eleitoral no final da nossa exposição, quando a gente falar das propostas de ação para a atual situação.”

O Partido da Causa Operária juntamente com os comitês de luta contra o golpe de Estado, além de outras organizações, como os comitês em defesa de Lula, pela anulação do impeachment, convocam todos a participar da Conferência Nacional Aberta de Luta Contra o Golpe. A Conferência pretende reunir todos os setores que não aceitam um plano B e que tem no foco de sua luta o enfrentamento da direita, do golpe, da liberdade do ex-presidente e do seu direito de ser candidato. A Conferência acontecerá nos dias 21 e 22 de julho, em São Paulo. Acompanhe maiores detalhes no site: lutecontraogolpe.com.br

Assista a análise completa do dia 12/05: