PCO participou de protesto contra o incêndio no Museu Nacional no Centro do Rio

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Cerca de 15 mil pessoas se reuniram na segunda (dia 3), na Cinelândia para protestar contra o incêndio no Museu Nacional. Partidos de esquerda, principalmente como PT, PC do B, PSOL, PCO e PCB participaram do ato. Movimentos sociais também expressaram sua consternação diante do ocorrido. Uma opinião generalizada é de que tratou-se de uma “tragédia anunciada”, resultado da implementação de políticas neoliberais pelo governo, que fragilizam, em contrapartida, o serviço público. A discórdia se deu entre os que julgam que essas políticas já teriam sido iniciadas pelo governo do PT (PSOL, PCB), e os que apoiam a candidatura de Lula como forma de lutar contra o golpe de estado e o retrocesso por ele imposto.

Em certo momento, houve um esforço para se impedir que o ato fosse apropriado para fins eleitorais. A desgraça seria “suprapartidária”, e interpretada como um problema moral, que diria respeito, mais fundamentalmente, à maneira como desprezamos nossa ciência e nosso passado. “Temos de refletir sobre nós mesmos, sobre nossa conduta”, mencionando-se a pouca manifestação de apreço dedicado ao museu por ocasião de seus 200 anos de existência, em junho de 2018.

Joaquim Nogueira, candidato a vice do PCO, discursa em frente à ALERJ

O PCO marcou presença evocando a centralidade do golpe de estado em tudo que ocorre no Brasil hoje, incluindo o incêndio no Museu Nacional. Foram distribuídos folhetos acerca da posição dos Educadores em Luta diante do golpe, além de adesivos “Sem LULA é GOLPE”, muito requisitados, além de adesivos do PCO. Estiveram presentes o candidato a Senador, Fernando Fagundes, e seu suplente, Márcio Tavares. Joaquim Nogueira, candidato a vice-governador do PCO RJ, assumiu o microfone diante da Alerj para lembrar todos de que eleições fraudadas não vão resolver o problema do Brasil, principalmente no que diz respeito ao serviço público. No contexto atual, só a luta popular pela candidatura de Lula pode arregimentar forças capazes de servir de freio à sanha do neoliberalismo privatista.

Ao longo da manifestação, que se iniciou na Cinelândia por volta das 14h e se dirigiu à Alerj por volta das 19h, houve muitos brados de “Fora Temer” e “Fora Crivella”, que mal dissimulavam uma tentativa de evitamento tácito da questão Lula. Mesmo elementos do PT, ao discursar, não se referiram à prisão de Lula senão de maneira tímida. Embora formando um grupo minoritário em relação aos partidos maiores da esquerda, o PCO deixou clara sua política, em contraste com a revolta exacerbada, mas desorientada, dos demais movimentos e partidos, a clamar palavras de ordem genéricas e ineficazes.

Após o evento, relacionando o incêndio no Museu Nacional à situação geral do Brasil, Joaquim Nogueira afirmou que “a tragédia anunciada que ocorreu com o Museu Histórico Nacional é a mesma que ocorre todos os dias em diversos lugares da sociedade e que infelizmente não geram tamanha comoção. Está pegando fogo nas comunidades incendiadas pelo autoritarismo do Estado, que enviam para lá suas forças de repressão e de extermínio do povo pobre. As escolas públicas dos estados e prefeituras estão pegando fogo sem verbas para merenda de qualidade e infra estrutura para seus alunos. Os hospitais públicos que sofrem com falta de médicos, medicamentos e equipamentos estão pegando fogo. A classe trabalhadora, submetida a um salário muito inferior ao mínimo necessário para manter sua dignidade de vida está pegando fogo. O fogo está espalhado por todos os setores do país, e atinge frontalmente o conjunto da classe trabalhadora. Só a mobilização de rua e a tomada do estado pela classe operária organizada poderá colocar fim às labaredas que nos consomem todos os dias.”