Mais uma vez o caso Robinho
A direita diz para a esquerda: “estão passando a mãos na cabeça de bandido”. A esquerda identitária diz para o PCO: “estão passando pano para estuprador”
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
robinho-santos-universidad-de-chile-copa-libertadores-2005_17qgn59xn5g9p1b21uivhqy5sw
Robinho foi condenado em primeira instância na Itália | Arquivo

Alguns setores da esquerda vieram nas redes sociais para dizer que o “PCO defende estuprador”, uma calúnia em relação ao caso.

A política burguesa é feita por meio de manobras, calúnias, mentiras e golpes contra os adversários. Como representante da classe decadente, que é a burguesia, os políticos burgueses se sustentam graças ao dinheiro e ao apoio da máquina estatal e suas instituições antidemocráticas. Para manter sua dominação, a burguesia não pode ser democrática, por isso ela é inimiga da lógica e da ciência.

Assim, se a esquerda defende que o problema da criminalidade é uma questão social e que, portanto, deve ser resolvido nesse âmbito e não no âmbito da repressão desenfreada, a direita logo acusa a esquerda de estar defendendo bandidos. Trata-se de uma acusação que procura transformar uma determinada posição política em uma espécie de “cumplicidade com terríveis criminosos”.

A esquerda pequeno-burguesa, arrastada pela decadência da burguesia, copia os métodos da direita. Diante de uma crítica, evitam entrar no debate, dissimulam suas opiniões e procuram distorcer as posições de seus adversários. É exatamente esse problema que ocorre exatamente com a polêmica do caso Robinho. Uma simples posição que destoe da histeria que se criou em relação ao caso é transformada em defesa do estupro e do estuprador.

A direita diz para a esquerda: “estão passando a mãos na cabeça de bandido”. A esquerda identitária diz para o PCO: “estão passando pano para estuprador”. De preferência, tudo isso falado em caixa alta se for em texto nas redes sociais.

Robinho, que foi acusado e condenado em primeira instância por um estupro coletivo ocorrido na Itália em 2013, tem sido alvo comum entre a esquerda identitária e a direita golpista, que exigiram o rompimento de seu contrato com o Santos.

O PCO, por meio de sua imprensa, tem chamado a atenção para a campanha de tipo repressiva que está sendo alimentada pala campanha em relação ao caso. O problema da mulher, a opressão da mulher e tudo o que decorre disso, incluindo aí o estupro e a violência, não pode ser resolvido apelando para um método repressivo. Por tal método devemos entender o seguinte: o apelo para que as instituições da burguesia, dominadas pela direita, aperfeiçoem sua política de aumento de penas, de linchamento público e de caça às bruxas.

É exatamente isso o que tem defendido a esquerda identitária. Em nome da defesa da mulher, o que se está fazendo na prática é o fortalecimento daquilo que é o maior inimigo dos oprimidos: a repressão estatal.

A histeria e gritaria em torno de Robinho não apenas não vai resolver o problema da mulher, mas vai piorá-lo sensivelmente. Ao fazer uma frente única com a direita cuja filosofia é “punição exemplar para os criminosos”, a esquerda está reforçando um aparato que vai se voltar com muita violência contra as mulheres e todos os oprimidos.

Deveria ser óbvio que se trata de um contrassenso achar que o fortalecimento da máquina de opressão estatal seria capaz de levar à libertação da mulher. O clima de histeria, impulsionado pela direita, no entanto, impede que se enxergue o óbvio.

Defender esse princípio não tem nenhuma relação com a defesa do estupro ou de nenhuma mínima opressão da mulher. Pelo contrário, a verdadeira defesa da mulher se dá através de uma política que chama as mulheres a se organizarem de maneira independente, em torno de suas reivindicações concretas, não por meio da aliança com a direita que esmaga o povo.

Se a posição da rede Globo, de outros órgãos da imprensa golpista, das multinacionais que ameaçaram retirar o patrocínio do Santos não é suficiente para despertar a desconfiança do clima de caça às bruxas, a declaração da ministra de Bolsonaro, Damares Alves, que defendeu “cadeia imediatamente” para o jogador deveria servir para abrir os olhos sobre o conteúdo do que está acontecendo. Tudo isso deveria despertar inclusive a pergunta: aonde vai parar o clima repressivo? Certamente nos colos da extrema direita, afinal, é ela que domina melhor a “arte” do “bandido bom é bandido morto”.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas