Oportunismo
As eleições deste ano foram as mais antidemocráticas desde a ditadura militar
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A Brazilian electoral worker checks electronic ballot boxes in Brasilia, Brazil September 19, 2018. REUTERS/Adriano Machado
Urna eletrônica | Foto: Adriano Machado/Reuters

Em artigo publicado no dia 14 de novembro, o portal Vermelho, editado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), expressou mais uma vez o conteúdo oportunista e capitulador da esquerda pequeno-burguesa em relação ao processo eleitoral. O texto, intitulado Bolsonaristas “espalham fake news: as 7 mentiras sobre estas eleições”, elenca uma série de notícias falsas que estariam sendo divulgadas pela extrema-direita nas eleições, dando a entender que isso seria o que há de mais ilegítimo nas eleições.

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que o “combate às fake news” é uma política da burguesia — isto é, da direita golpista e de seus monopólios de imprensa. A campanha contra a notícias falsas começou a ganhar impulso após as eleições norte-americanas de 2016, quando o imperialismo tentou, sem sucesso, inviabilizar a vitória de Donald Trump, e chegou ao Brasil acompanhada de uma série de projetos de leis antidemocráticos. Basta dizer que um dos grandes defensores do “combate às fake news” é ninguém menos que o direitista e lava-jatista Luiz Fux. Outro grande defensor da “verdade” na imprensa é a Folha de S.Paulo, conhecida pelas inúmeras calúnias e mentiras contra o PT.

Hoje, as “fake news” são crime no Brasil, o que quer dizer que não há mais liberdade de expressão. Uma pessoa acusada de difundir uma notícia falsa poderá ser punida criminalmente. Como tem ficado cada vez mais claro, os únicos a serem punidos são a esquerda e os setores que entram em conflito com os interesses do imperialismo. AO mesmo tempo, empresas como Google e Facebook, bem como jornais como O Globo e Estado de S. Paulo, que são verdadeiras fábricas de canalhices, mentiras e calúnias, passam impunes. Neste sentido, qualquer apologia ao “combate às fake news” é uma política reacionária.

As “mentiras” que o PCdoB se dedica a “combater” são: “é mentira que o TSE lançou um aplicativo que permite votar pelo celular”, “é mentira que o Governo Federal criou o programa ‘Voto em Casa’”, “é mentira que o uso de máscaras tornará a Eleição mais complicada”, “é mentira que pessoas com mais de 60 anos terão horário exclusivo”, “é mentira que as urnas eletrônicas não podem ser auditadas”, “é mentira que a urna eletrônica não permite recontagem de votos no Brasil”, “é mentira que as urnas eletrônicas são fabricadas na Venezuela”

Ou seja, não bastasse o ridículo de colaborar com a política do PSDB, da Rede Globo e da direita, o PCdoB também se propõe a ser o defensor número 1 do TSE. Ou seja, do atual regime. O regime, no entanto, é o regime estabelecido após um golpe de Estado. Seria tarefa dos golpistas, charlatães profissionais, defenderem o regime, e não da esquerda. No fim das contas, o artigo do portal Vermelho é uma defesa escancarada de uma série de teses reacionárias. O PCdoB defende as urnas eletrônicas utilizadas no processo eleitoral, sendo que as urnas são facilmente violáveis, como já foi comprovado inúmeras vezes. As urnas são controladas pela Justiça Eleitoral, que é toda ela golpista. Vale lembrar, inclusive, que a Justiça Eleitoral, em 2018, deu a vitória ao desconhecido Wilson Witzel (PSC), que foi tirado do poder sem uma única manifestação em sua defesa, e sumiu com os votos de Dilma Rousseff e Eduardo Suplicy.

Conforme o próprio artigo explica, as urnas brasileiras não são fabricadas na Venezuela — se fosse, daria um mínimo de confiabilidade às eleições —, mas sim nos Estados Unidos. Isto mesmo, o artigo, no fim das contas, defende o imperialismo contra um partido que está sendo sabotado duramente pelos grandes monopólios. E, o que é ainda mais desmoralizante: o próprio país que fabrica as urnas não as utiliza.

A discussão sobre o uso de máscaras é igualmente aberrante. No fundo, a discussão sobre se as máscaras atrapalham ou não a votação é a discussão sobre se as eleições devem ocorrer durante uma pandemia ou não. Assim, ao defender que não há problema em votar de máscara, o PCdoB defende, na verdade, que votar em meio a uma pandemia é uma banalidade, pisando sobre os 160 mil corpos de vítimas de coronavírus, que morreram justamente porque a doença foi tratada com total e deliberada negligência.

A crítica às “mentiras” de supostos bolsonaristas é, assim, uma defesa exacerbada do regime político. Mas é mais que isso: conscientemente, o PCdoB ignorou os motivos pelos quais as eleições são, de fato uma fraude. O processo é o mais antidemocrático desde a ditadura militar: campanha eleitoral relâmpago (45 dias), eleições em meio a uma pandemia, partidos sem acesso ao guia na rádio e na televisão e uma ditadura monstruosa montada pela Justiça Eleitoral para impedir que partidos de esquerda tenham êxito. No caso do PCO, que é um partido operário, dezenas de candidaturas foram indeferidas pelo Judiciário de maneira completamente arbitrária.

Ignorar a fraude e defender o regime são a consequência da “frente ampla” do PCdoB, partido que está ligado até a medula com a política de alianças com os golpistas. O PCdoB, que demonstrou interesse recente na chapa Moro-Huck, que trocou suas cores pelo verde e amarelo, tem sido a expressão mais bem acabada das capitulações da esquerda pequeno-burguesa diante do golpe de Estado. Ao invés de denunciar o regime e se propor a derrubá-lo, defendem-no até as últimas consequências para manter seus privilégios.

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