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No final do ano passado, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) oficializou a incorporação do Partido Pátria Livre (PPL). O processo se deu, pois os dois partidos não atingiram a cláusula de barreira imposta pelos golpistas e que bloquearia o fundo partidário desses dois partidos. E agora no dia 28 de maio, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a fusão.

A entrada do PPL se revela uma manobra oportunista do PCdoB em aliança com partidos da burguesia e com partidos golpistas.

O PPL é um partido formado por integrantes do antigo MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), que apesar do nome, não tem nada de revolucionário. No final dos anos 70, o MR-8 ingressou no PMDB com apoio do padrinho Orestes Quércia.

Ficou mais de 30 anos como parte do PMDB apoiando ataques contra os trabalhadores e de apoio ao governo da direita e se posicionou contra a formação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Saiu das fileiras do PMDB em 2009 para formar o PPL até ser incorporado pelo PCdoB em 2019. Apoiou a candidatura de Marina Silva em 2014 e realizou diversas alianças nas eleições, até se aproximar e participar do governo municipal de ACM Neto (DEM) em Salvador. Ou seja, é um partido golpista que esteve, na prática, em campanha pela derrubada de Dilma Rousseff e pela prisão de Lula.

A oficialização da incorporação do Partido Pátria Livre (PPL) ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) foi em um local muito simbólico e que exemplifica o que estamos afirmando nesta matéria. O ato de incorporação foi realizado na sede do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo.

O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, filiado à Força Sindical, teve papel fundamental dentro da luta política dos anos 1990 durante o processo da privatização do setor elétrico. Era presidido pelo pelego Antônio Rogério Magri, que estava na campanha por Collor e, por isso, foi nomeado Ministro do Trabalho. Apoiou o plano de privatização de estatais na época e todo setor elétrico paulista. O sindicato nas mãos da Força Sindical até os dias atuais tem um simbolismo para a oposição a CUT e de apoio ao patronal.

A fusão do PCdoB com partidos golpistas revela mais uma vez que possui uma política oportunista e que sempre as suas decisões são em benefício da direita e que atrapalham a luta contra os golpistas e o governo Bolsonaro.

Nas eleições foi entusiasta e propagandista do “Plano B”, ou seja, contra a candidatura de Lula, visando apoiar o abutre Ciro Gomes. Apoiou a candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a Presidência da Câmara dos Deputados. Aliança com partidos da direita que apoiaram o golpe para criação de uma Frente Ampla e de “virar a página do golpe”.

Essa política de aliança com partidos que apoiaram o golpe ou fazem oposição de fachada ao governo Bolsonaro levou o PCdoB a uma política cada vez mais direitista e um entrave na luta contra o governo Bolsonaro.