Até onde vai a frente ampla?
O jornal (que talvez devesse se chamar “A Hora do Povo ir pro Tronco”) rasga elogios a “Bruno” – como é chamado, de maneira intima, na matéria.
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Um partido, dois candidatos | Foto: Reprodução

No último dia 20 de novembro (sexta-feira), Dia da Consciência Negra, foi realizada uma live (termo que está na moda) com lideranças de vários partidos de direita e com a presença de Bruno Covas (PSDB), o carrasco e coveiro do povo de São Paulo. O objetivo da participação de Covas era fazer demagogia ( da mais barata possível) com a questão dos direitos humanos e da luta do negro.

Não bastasse esse demagógico show de horrores, o jornal Hora do Povo, do antigo Partido Pátria Livre (PPL), que agora está dentro do PCdoB, publicou matéria sobre o acontecido com o título “Bruno fala à Frente Ampla por Direitos Humanos e repudia crime racial de POA”.

O jornal rasga elogios a “Bruno” – como é chamado, de maneira intima, na matéria.  Alguém que se disponha a ler a matéria sem saber de quem se trata, poderia pensar que se trata de alguma grande liderança da luta do povo negro brasileiro contra a imensa opressão sofrida por esse setor da população.

Mas, não. Trata-se daquele mesmo Bruno Covas, prefeito da cidade de São Paulo, que é daquele conhecido PSDB que há muitos anos comanda a Polícia Militar (PM) de São Paulo. Aquela mesma PM, por sinal, muito famosa por seus incontáveis assassinatos de trabalhadores negros e pela repressão contra toda a população pobre.

Vejamos o que diz o jornal Hora do Povo. Segundo os redatores do referido jornal, Covas teria se “indignado”, teria manifestado “indignação” no que se refere ao caso de João Alberto Freitas, trabalhador negro executado por seguranças no supermercado Carrefour em Porto Alegre.

O jornal ainda segue ressaltando e exaltando as falas desse grande defensor dos negros. São destacadas algumas falas, como  “Neste dia da consciência negra em que a gente viu aquelas cenas horrorosas lá em Porto Alegre. Vimos aquilo com muita tristeza. Isso mostra a presença do racismo estrutural, mostra a presença de um tema que precisa estar cada vez mais presente na pauta”.

Ou ainda, “Vivemos num país onde o negros não têm as mesmas oportunidades que os brancos” e os redatores completam com “protestou”. Talvez a redação tenha se contido para não escrever ainda: “protestou o grande guerreiro do povo”. Chama a atenção que o texto não faz nenhuma referência ao número infinito de Joãos Albertos assassinados pela PM comandada pelos tucanos.

O Hora do Povo ainda diz: “Foi realizada em seguida uma rodada onde os presentes apresentaram suas visões sobre os problemas de direitos humanos e combate ao racismo. Diversas propostas foram apresentadas, como o cumprimento de cotas raciais na administração da Prefeitura, o combate à violência policial contra os negros nas periferias da cidade, a criação de espaços culturais nas periferias, a valorização do trabalho das mulheres e o combate à violência doméstica”.

Esse parágrafo vergonhoso é uma demonstração asquerosa do comportamento de amplos setores da esquerda ao lidar com a direita. O comportamento de um mendigo político que vive a solicitar migalhas da burguesia.

Mas, esse comportamento se torna ainda mais indigno porque em São Paulo o PCdoB apoia, oficialmente, o candidato esquerdista e também defensor da Frente Ampla com os golpistas, Guilherme Boulos.

Essa manifestação de um agrupamento político que faz parte do PC do B mostra que o partido é tão frente- amplista, oportunista e eleitoreiro que para ele não basta apoiar um candidato da frente ampla: enquanto uma parte corre para o lado de um dos candidatos, outra parte corre para os braços do outro.

Mesmo apoiando oficialmente Boulos, um setor do partido faz questão de, não apenas flertar, mas de, praticamente, fazer declaração de amor a Covas. Eis o caminho para onde vão os defensores da frente ampla.

Dizer que o PC do B (Partido Comunista do Brasil) – tão próximo das ideias e da política comunista como dois pontos opostos do globo terrestre – é um partido oportunista e com inúmeras alianças e conchavos com os setores mais direitistas e golpistas da política brasileira não é bem uma novidade. Igualmente, já é público e notório que o PC do B é um dos maiores entusiastas da frente ampla, que inclui os ilustres “democratas” da direita tradicional brasileira, que são os mesmos que apoiaram e participaram do golpe de Estado de 2016.

Mas, os acontecimentos recentes nos dão uma dimensão de até que ponto pode ir essa política oportunista e “frente-amplista”. E a dimensão que esses acontecimentos nos dão indica que os limites dessa política sempre podem ser ultrapassados, superados: para os defensores da frente ampla, nem o céu ou o inferno são limites.

Os defensores dessa política de desmoralização da esquerda falaram de frente ampla inicialmente e depois houve quem dissesse “frente amplíssima”, o que nos deixa curiosos para saber como é que eles vão inventar um nome que dê conta de nomear cada ampliação da tal frente. Haja criatividade.

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