PCdoB quer defender o STF

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Ricardo Cappelli, que em outubro de 2018 dava dicas para uma “grande virada de Haddad”, as quais incluíam pérolas do mais tolo oportunismo, como que “PT e Lula foram decisivos para que Haddad chegasse até aqui, mas daqui para frente são o caminho seguro para a derrota” ou “precisamos de menos PT e mais verde e amarelo”, agora tenta dar um “alerta” à esquerda, segundo o qual “defender o STF é a tarefa democrática do momento”.

Sim! O conselho de amigo é defender o mesmo STF que permitiu que Dilma Rousseff sofresse um impeachment sem crime de responsabilidade, que mandou Lula para a cadeia, ao negar o Habeas Corpus dias antes da prisão do ex-presidente, que pressionou por todas as formas possíveis o PT para que retirasse a candidatura de Lula, e que agora há poucos dias adiou criminosamente o julgamento da prisão em segunda instância só para manter Lula preso. Devemos agora, seguindo os sábios conselhos de Cappelli, defender com toda a nossa força o mesmo STF que sedimentou todo o caminho do golpe.

Não é difícil de prever a que este tipo de análise se presta e para onde nos levará, acaso sejamos suficientemente tolos para colocá-la em prática.

Não pense que o autor do PCdoB se preocupa mesmo com democracia, no sentido de um sistema político mais aberto e livre. A democracia a que faz referência é tão só aquela porta sempre aberta do mais baixo oportunismo.

A mesma porta por onde passou o apoio do PCdoB a Rodrigo Maia, agora quer fazer um acordo com o bolsonarismo e demais golpistas, para manter cargos e salários em diversas instâncias do poder, como por exemplo na UNE e que chega ao ponto de jamais colocar nas ruas – ao contrário, segurar até onde pode – a palavra de ordem mais popular do momento: Fora Bolsonaro.

Para entender um pouco melhor esta situação, de início, é preciso compreender o que é o STF.

O STF é tão só e simplesmente uma corte concentrada de poder a serviço dos interesses da burguesia. Nada mais.

A questão é que a burguesia historicamente é uma classe dividida, produzida pela constante disputa por mercados, dinheiro e poder. No Brasil, como em todos os países atrasados do mundo, a burguesia nacional é ainda mais dividida pelo poder do imperialismo. Há setores da burguesia brasileira mais ou menos em linha com os interesses da poderosa burguesia imperialista – principalmente a norte-americana – e há também aqueles que defendem diretamente estes interesses internacionais em solo brasileiro, gente que seria considerada imediatamente traidora da nação acaso as coisas fossem mais claras para a população em geral.

O país não serviria de bandeja um sétimo do PIB nacional aos banqueiros internacionais, e isto claramente, via orçamento da União, acaso não houvesse um verdadeiro exército de pilantras defensores do imperialismo colocando cargos públicos, influência, imprensa, poder militar e todo um arsenal de corruptores em ação a favor daqueles interesses, com o objetivo de levar de graça o que puder de nossas riquezas, inclusive a força de trabalho de nosso povo.

Esta canalhada toda está amplamente representada no Ministério Público e no STF.

O que ocorre é que a rapinagem internacional ganha tal voracidade – à medida que o capitalismo embarca em uma viagem sem volta de autodestruição – que tende a liquidar até mesmo setores poderosos da burguesia nacional.

Uma vez que estes setores da burguesia nacional também possuem os seus representantes no STF, como Gilmar Mendes e Marco Aurélio, abriu-se um verdadeiro racha naquela Corte frente aos Ministros que são claramente títeres do imperialismo, com Cármen Lúcia figurando como uma de suas mais fiéis representantes.

Neste estado de coisas, fica bastante claro porque a PGR e o Ministério Público em geral, amplamente dominados pelos interesses do imperialismo, entram agora em choque frontal com o STF “nacionalista” de Gilmar Mendes etc.

A operação Lava Jato não esconde a sua principal função neste momento, após promover a fraude eleitoral e retirar Lula do pleito, que é de servir de chantageador geral da República. Um poder de clara intimidação a tudo e todos que possam se opôr à marcha destruidora dos interesses internacionais no Brasil.

Gilmar Mendes, Marco Aurélio e outros, defendendo interesses de setores da burguesia nacional e consequentemente dos políticos que a representam, ameaçam o poder de intimidação da Lava Jato.

Nesta situação, nada mais previsível de que passassem a ser alvo da PGR e dos lavajateiros promotores do imperialismo, ainda que tenham um histórico reacionário de diversas decisões contra os interesses populares.

Uma vez que o PCdoB precisa manter suas posições oportunistas, e para isto precisa da influência destes mesmos setores que são apoiados por Gilmar e Marco Aurélio, ou até mesmo por Tóffoli, também é mais do que previsível de que saísse em defesa destes Ministros, ainda que sob o manto puro e cândido da defesa da “democracia”.

Como toda ação oportunista, entretanto, acabam jogando areia nos olhos da esquerda, criando uma profunda confusão no povo, que quer lutar contra Bolsonaro, mas que não vê suas lideranças chamando e organizando esta luta.

Não resta dúvida que este tipo de política é totalmente criminosa, entrega o nosso povo indefeso ao imperialismo, abre caminho para arrasar o nosso país e certamente facilita o trabalho do fascismo, que, ao fim e ao cabo, servirá para colocar na ilegalidade estes mesmos oportunistas que, a bem de seus minúsculos interesses, geraram a confusão geral que foi o segundo turno das eleições, onde Bolsonaro encontrou não um oponente para concorrer, mas um imitador barato.

Certamente, posições como estas do PCdoB fazem a direita bater palmas, de pé.