Verde-amarelismo da esquerda
A esquerda, impulsionada pelo PCdoB estão convocando as pessoas para irem nas manifestações do 7 de setembro de preto, em lugar no vermelho tradicional da esquerda
iago montalvão (1)
Congresso da UNE. Imagem do arquivo da UNE. |

Nesta semana (03/09), o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro pediu para que os brasileiros participassem nos atos do dia 7 de setembro, dia da independência do Brasil, com as cores verde e amarelo.

O interessante é que Bolsonaro tem a mesma proposta de setores da esquerda para as manifestações do Grito dos Excluídos. A União Nacional dos Estudantes (UNE) e o PCdoB também convocaram os manifestantes para irem aos atos de verde-amarelo. O presidente da UNE, Iago Montalvão, é um adepto do verde-amarelismo e em diversas publicações aparece com a camisa da seleção brasileira e carregando bandeiras do Brasil nas convocações das manifestações.

Nas suas redes sociais oficiais, o Psol também embarcou na onda e reproduziu o chamado da UNE acrescentando o seguinte comentário: “Pra quem reclamava que não tinha protesto contra o governo de sábado e com verde e amarelo…”

Agora que Bolsonaro convocou os coxinhas para saírem as ruas de verde e amarelo, a UNE está convocando o ato para ir de preto. Segundo o presidente da UNE, Iago Montalvão o preto seria porque “para nós, significa o luto pela situação da Amazônia e da Educação. É um grito de quase morte por causa dessas políticas”.

A cor preta é para tirar o vermelho, cor conhecida no mundo todo por representar movimentos de esquerda, por qualquer outra cor. A utilização do verde e amarelo verde é muito estranho, uma vez que todos os atos realizados pela direita foram totalmente cheio de manifestantes com essas cores e que confunde amplamente a população de que haveria interesses comuns entre a direita golpista e a esquerda.

O debate que tem que ser feito sobre o verde e amarelo é sobre um estímulo da burguesia para esconder a polarização política com um grande movimento patriótico entre todos os brasileiros e, de maneira evidente, reciclar uma grande parte da direita responsável pela situação de avanço do fascismo. Essa direita que apoiou o golpe e a perseguição a Lula e ao PT, ou os chamados coxinhas arrependidos, não devem ser aproximados do movimento de luta contra a extrema direita e Bolsonaro pois são apoiadores destes e se “arrependeram” por conveniência e divergências em pontos extremamente secundários.

É um setor que prega a perseguição e aniquilação da esquerda, dos trabalhadores sem-terra, das terras indígenas, apoiadores da polícia fascista e que quer manter Lula na cadeia de todas as formas. Essa é a chamada Frente Ampla que reuniu nesta semana no TUCA (Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) uma verdadeira convenção de vampiros. Nessa convenção de vampiros chamada de Direitos Já: Fórum pela Democracia, que reuniu políticos da direita tradicional e que ajudaram Bolsonaro a chegar na presidência e realizar todos os ataques até agora, como o PSDB, FHC, Kassab, Ciro, Novo e outros vampiros. Além de parlamentares e representantes de partidos de esquerda.

O que a esquerda precisa discutir é que há um amplo apoio da população e da classe trabalhadora ao Fora Bolsonaro e a liberdade de Lula, e até pela anulação das eleições fraudadas. Não é preciso se unificar em torno da direita golpista para derrubar Bolsonaro e a ofensiva da direita.

A esquerda precisa parar de se esconder e correr atrás destes setores que somente vão levar a um aprofundamento do golpe e tratar de mobilizar a população e a classe trabalhadora para as ruas e canalizar a revolta contra Bolsonaro e seus ataques para a derrubada do governo.

A manifestações devem ser convocadas pela esquerda e deve ser forrada de vermelho e das palavras de ordem de Fora Bolsonaro, pela liberdade de Lula e anulação de todos os processos fraudulentos da operação golpista da Lava Jato, pela anulação das eleições.

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