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Com a direita no palanque
PCdoB forma frente com partido que votou impeachment de Dilma
Na cidade maranhense de Caxias, o PCdoB irá lançar Adelmo Soares como candidato a prefeito, tendo como vice um candidato do partido Cidadania, que apoiou o golpe de 2016.
Presidente Michel Temer dá posse ao novo ministro da Cultura
Com a direita no palanque
PCdoB forma frente com partido que votou impeachment de Dilma
Na cidade maranhense de Caxias, o PCdoB irá lançar Adelmo Soares como candidato a prefeito, tendo como vice um candidato do partido Cidadania, que apoiou o golpe de 2016.
Presidente nacional do Cidadania Roberto Freire ao lado de Michel Temer. Foto: José Cruz
Presidente Michel Temer dá posse ao novo ministro da Cultura
Presidente nacional do Cidadania Roberto Freire ao lado de Michel Temer. Foto: José Cruz

De acordo com o portal Vermelho, o PCdoB anunciou que o deputado estadual Adelmo Soares irá ser o candidato do partido nas eleições municipais para a Prefeitura da cidade de Caxias, no Maranhão. Único estado governado pelo PCdoB, o Maranhão vem sendo alvo de inúmeras articulações por parte dos membros do PCdoB para tentar viabilizar a chamada frente ampla.

Adelmo Soares terá como vice em sua chapa a vereadora Thaís Coutinho, filiada ao golpista Cidadania. Pouco conhecido nacionalmente, o Cidadania é simplesmente o mesmo partido que outrora se chamava Partido Popular Socialista (PPS), que mudou de nome por causa de seu desgaste e pela pressão dos elementos mais direitistas do partido que exigiram a retirada do termo socialista. No mesmo palanque em que o PCdoB lançou a pré-candidatura de Adelmo Soares, subiram a senadora Eliziane Gama (Cidadania), o deputado estadual Fernando Pessoa (Solidariedade) e a deputada estadual Cleide Coutinho (PDT).

O lançamento da chapa em Caxias escancarou qual o caráter da frente que o PCdoB, por meio de seu Movimento 65, pretende fazer. É uma frente, sem qualquer margem para dúvida, com a burguesia — a mesma burguesia que apoiou o golpe contra Dilma Rousseff em 2016, que prendeu o ex-presidente Lula e que levou o fascista Jair Bolsonaro ao poder. O Cidadania apoiou tanto o golpe que chegou a ser agraciado com um cargo de alto escalão no governo Temer, o do Ministério da Cultura, ocupado pelo presidente nacional e fundador do PPS Roberto Freire. O cacique foi ainda um dos elementos mais raivosos a fazer campanha pela prisão de Lula.

Outro partido golpista que integra essa frente é o Solidariedade. Fundado pelo Vigarista Paulinho da Força, capacho dos patrões, o partido também apoiou a derrubada de Dilma Rousseff e uma série de outros ataques contra os trabalhadores, como a reforma da Previdência. O PDT, por sua vez, embora ainda faça muita demagogia com a esquerda, tem se apresentado cada vez mais como um partido integrante do regime político, chegando ao ponto de apoiar a entrega da base de Alcântara e a intervenção militar no Rio de Janeiro.

O esgoto político ao qual o PCdoB decidiu se aliar já não pode mais ser chamado, de maneira alguma, de uma frente de fato democrática. Afinal, partidos como o Solidariedade e o Cidadania não têm nada de democráticos — são simplesmente agremiações que contribuíram com o estabelecimento de um regime político cada vez mais fascista.

Se a frente proposta pelo Movimento 65 é uma frente com os elementos que serviram para pavimentar o caminho para a ascensão da extrema-direita, cai por terra o argumento de que seria necessário formar uma frente ampla com todos os setores que quiserem se juntar ao PCdoB. A frente ampla servirá apenas para trazer os setores da burguesia que não conseguiram espaço suficiente ou que simplesmente calculam que o governo Bolsonaro não irá durar por muito tempo.