DEM, MDB, PSD…também aliados
Adesão à frente ampla levou alianças até com partidos bolsonaristas, ilustrando o perigo desta política e a importância dos trabalhadores contarem com suas próprias forças
Orlando Silva e Rodrigo Maia b
PCdoB prova que onde cabe Maia, cabe Bolsonaro | Foto: Reprodução
Orlando Silva e Rodrigo Maia b
PCdoB prova que onde cabe Maia, cabe Bolsonaro | Foto: Reprodução

Seguindo sua política de frente ampla, o PCdoB aprovou diversos apoios no mínimo estranhos nas eleições municipais desse ano. Em Cubatão, na Baixada Santista, o partido participará de uma coligação com os partidos Progressista (PP), PSL e Patriota. Como parte do acordo, os “comunistas” indicaram a presidenta municipal da sigla, a servidora pública Célia Azevedo, ao cargo de vice-prefeita. A chapa “Cubatão que eu quero de verdade” terá o vereador do PP (partido herdeiro da Arena, onde Bolsonaro fez a maior parte de sua carreira política), Toninho Vieira, como cabeça de chapa.

Em Campo Grande, MS, o PCdoB também desistiu de lançar sua candidatura mas, a exemplo do ocorrido em Cubatão, o partido não o fez para apoiar uma chapa de esquerda mas com o principal representante do latifúndio local, o atual prefeito Marquinhos Trad (PSD). Além do PCdoB coalizão em torno da reeleição do latifundiário inclui o partido Patriota (que indicou a vice-prefeita), DEM (outro partido oriundo da Arena), PTB, PSB, Rede Sustentabilidade e Republicanos, todos partidos burgueses. Em outra capital do Centro Oeste, Cuiabá (MT), o atual prefeito, Emanuel Pinheiro (MDB) também busca reeleição em uma coalizão de partidos golpistas como o PP, PV, PSDB, Republicanos, PL, PTC, PCdoB, PMB, PTB, Solidariedade. E junto à direita, novamente, o PCdoB.

As alianças feitas pelo PCdoB demonstram uma guinada cada vez mais à direita na política do partido, em sua busca por constituir uma frente cada vez mais ampla com setores da burguesia golpista, sob pretexto que a mesma serviria para combater Bolsonaro. O PCdoB esqueceu de explicar ao público geral e, por certo, até aos seus militantes, que a frente poderia  chegar até mesmo aos partidos e políticos bolsonaristas.

As sucessivas capitulações do PCdoB à direita ilustram o problema fundamental representado pela frente ampla. Quanto mais o partido ingressa nessa política, mais se afunda em alianças incapazes de trazer qualquer ganho prático para a classe trabalhadora ou mesmo de influir minimamente na luta de classes, servindo apenas para subordinar o PCdoB à política da burguesia, assumindo ele próprio características reacionárias e produzindo uma desmoralização do partido enquanto força de esquerda.

 

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